quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Constatação #47

Há coisas que se sentem um dia para depois não mais se voltarem a sentir, ou então voltam-se a sentir mas de forma mais intensa que a anterior.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ar


Por vezes queremos respirar e as dificuldades são imensas, não tanto por falha física ou orgânica da nossa parte, mas simplesmente porque gostaríamos de ultrapassar algumas situações para podermos num único momento consciente sentir o ar a entrar nos nossos pulmões sem que o mesmo pese ou pareça rarefeito. Há sempre aquilo que persiste, persegue e dá consistência à falsa e por vezes forçada sensação de estar tudo bem, porque apenas sabemos que algo assim se encontra quando o sentimos verdadeiramente cá dentro e não quando criamos uma ilusão, cujo o âmago repetimos e tornamos a repetir para ver se algo se cria, mesmo que seja artificial. Da mesma forma respiramos julgando estar, tantas vezes, a respirar ar puro, quando no fundo o ar, todo ele, se encontra de alguma forma poluído, assim como tudo o que é falso facilmente contamina aquilo que gostaríamos de sentir ao invés do que realmente sentimos e isso podemos mudar, mas só se conseguirmos respirar de forma involuntária, sem pensar na qualidade do ar, sem pensar que tal matéria possa ou não pesar nos nossos pulmões.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O desafio


O desafio é tentar ir além, é a mudança, o enfrentar do receio e do desconhecido. O desafio é querer, é não baixar a cabeça, é a andar até à exaustão e parar quando não se devia parar. O desafio é a contrariedade ao invés da imobilismo, é estar alerta sem ser necessário. O desafio é querermos mais do que podemos, é ultrapassar a mágoa sabendo que dela não se sai, é correr mesmo sabendo que se vai perder. O desafio é no fim de contas uma fórmula chamada vida, cheio de contrastes, onde o que é certo é a incógnita e a nossa fraca capacidade para resolver equações, mas ainda assim ir em frente por nenhuma razão em especial, nem que seja a tola ideia da impossibilidade de  contornar a  própria razão e a emoção, pelo que o desafio, também é um engano.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Língua viperina

Se há coisa em que sou previsível é na minha malícia, na maldadezinha transmitida de forma espontânea através da observação de improviso, que por vezes redunda em algo realmente com piada, ou simplesmente no mau gosto pouco acautelado de quem diz algo da boca para fora com a convicção de que tal terá graça e em nada afectará a tranquilidade externa e muito menos a interna. Quem me conhece já não se admira, aliás, até estranha se nada houver, distracção talvez ou simples receio de chocar quem está à volta e desconhece o quanto uma certa língua afiada pode corroer.  

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Daquelas coisas #12


Existem duas coisas que sempre me complicam os neurónios com igual intensidade, uma é a aritmética, outra são as mulheres. Ambas podem ser percebidas mas apenas depois de enormes esforços mentais, os quais nem sempre redundam em sucesso.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Aquilo que falta


A questão não é aquilo que falta. A questão é que sempre algo falta e é isso que determina tudo o resto, o que é positivo, o que é negativo, fazendo avançar ou recuar, conforme a vontade que se tenha para colmatar essas falhas, que sempre surgem, sempre existirão, do nascer ao morrer, mudando apenas de face, ou de grau de importância.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Constatação #46


Pior que ter um colega bufo, é ter um chefe que apoia e  promove tal actividade.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Aquilo que se diz


Há sempre mais naquilo que dizemos, isto se soubermos dize-lo na sua total plenitude, porque nem sempre sabemos, nem sempre queremos, com receio de expressar mais, de extravasar o copo e afogar quem queremos que nos oiça, que repare, que sinta e entenda aquilo que nos vai na alma, isto porque para o desentendimento não é preciso muito e para a má interpretação ainda menos, contudo o oposto são as meias palavras, mais aquelas que ficam cá dentro a apodrecer do que aquelas que se lançam pesadas como pedras. Mas por vezes nem de palavras se precisa, basta o resto, aquilo que vai muito para além das mesmas, mas tão dificilmente se encontra no momento e dose certas numa conjugação que para alguns é normal, para outros é rara.