sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Autoavaliação



Fazer uma autoavaliação, seja porque motivo for, é sempre um trabalho complexo, onde se procura um equilíbrio mas acaba-se sempre por obter um desequilíbrio por achar-se que se coloca tónica a mais ou a menos num ponto em concreto. Há quem diga que é fácil fazer uma autoavaliação, muito embora eu desconfie sempre um pouco dessas pessoas na medida que por vezes tal é sinónimo de alguém que se vê de um modo demasiado positivo, num mundo próprio onde não abundam nem a modéstia nem os espelhos. Por outro lado aqueles que acham que fazer uma autoavaliação é uma coisa demasiado difícil, quiçá impossível, também surtem em mim o mesmo efeito que os primeiros, porque se tal é assim tão difícil das duas uma, ou vivem sem noção de si próprios ou então traçam um quadro demasiado negro apenas para ouvirem umas palavras de ânimo, as quais são ditas por vezes mais com pena do que em relação a uma realidade concreta. Quanto a mim não digo que seja fácil, também que não seja difícil, mas que é antes complicado, isto porque como sujeitos interessados nem sempre conseguimos ver a nossa realidade na sua totalidade, falta-nos isenção e quando se tenta ter algum bom senso há sempre a sensação que algo escapou, que algo não é branco ou preto e de cinzento tem muito variantes, sendo que o resultado final parece sempre ser uma amostra de algo que sabemos que somos, mas dificilmente conseguimos explicar as razões numa ordem lógica e racional.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Aos olhos dos outros



Nem sempre o que fazemos é perceptível aos nossos olhos, no entanto é visível de outra forma aos olhos dos outros, daqueles que nos olham e assim algo simples e corriqueiro pode ter outro significado que não aquele que possamos pensar ou sequer imaginar. Da mesma forma há coisas que se dizem com um sentido, um sentido bem definido, mas apenas a nosso ver, porque aos ouvidos alheios as hipóteses avolumam-se, tantas e mais díspares consoante o número dos que nos ouvem. Dessa forma tudo aquilo que fazemos ou dizemos, se de uma forma não intencional ou com um sentido estrito bem definido acaba sempre por ser um tiro no escuro, não existindo dessa forma qualquer garantia de retorno fidedigno e se tal não acontece de uma forma tão linear e caótica como aqui descrevo, certamente o será em alguns casos, quiçá naqueles que por vezes são cruciais e normalmente com a tendência de surgirem quando estamos desprevenidos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Coisas só nossas

Existem coisas que são só nossas, que apenas vivem na nossa âmago, na nossa memória e pensamento. Coisas que não podemos partilhar, não porque por vezes não o queiramos fazer, mas sim porque as conseguimos tornar inteligíveis aos outros e por vezes até a nós próprios, visto que as tais são acima de tudo algo abstracto, pouco concreto, indecifráveis, impossíveis de por palavras de modo inteligível já que podem ser expressas num conjunto de fragmentos, os quais dificilmente se conseguem conjugar.
Há coisas só nossas que apenas podemos sentir e talvez por isso seja tão difícil de as compreender do mesmo modo que é complicado carrega-las dentro de nós, pois são mistérios cuja razão e solução teimamos em não conseguir saber ou encontrar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Dois lados



Em tudo na vida há dois lados. Um lado bom outro mau. Um lado positivo outro negativo. Um lado à direita ou à esquerda. Um lado que por vezes optamos quando deveríamos optar pelo outro. Um lado que não optamos ficando depois a pensar o que teria sido se o tivéssemos feito. Nem sempre se pode escolher um de dois lados. Nem sempre vemos dois lados, por vezes vemos mais do que dois e até mesmo a sua negação que se sintetiza na forma do uno a qual é sempre tão difícil de compreender, mas também é tão rara de se encontrar. Na maior parte das vezes percebemos a existência de dois lados na medida que os mesmos se opõem, digladiam-se, vivem e morrem somente devido à existência um do outro, sendo que só nessa perspectiva existem. Mas nem sempre dois lados são antagónicos, nem sempre são a noite e o dia, sendo por vezes apenas duas singularidades distintas, duas naturezas que não se opõem, coexistindo antes num mesmo universo que nem sempre é de fácil compreensão para aqueles que o observam e se olham como sendo parte dele.

domingo, 23 de setembro de 2012

Desafio "Acrescenta-se um ponto"


A Olívia Palito lançou-me um desafio que não estava à espera e muita volta tive de dar à cabeça para o conseguir superar. Sendo assim e na dúvida de o ter conseguido cá vai a minha singela contribuição!

Regras da Rubrica "Acrescenta-me um ponto!":

1 - O texto, constituído por vinte parágrafos, terá início no blogue "O Sabor da Palavra" (http://osabordapalavra.blogspot.com), segundo o seu autor Gonçalo Cardoso.

2 - Cada bloguista terá direito a um parágrafo do texto com o máximo de cinco linhas. Não é taxativo, tanto pode ser mais ou menos, mas sem exageros.

3 - Após a realização do parágrafo respectivo, cada bloguista terá que seleccionar outro bloguista que cumpra a continuidade do texto, segundo as regras mencionadas.

4 - Cada bloguista terá o limite máximo de três dias para realização do parágrafo, estando sujeito a desclassificação da rubrica e seleccção de novo bloguista por parte do seu autor.

5 - Cada bloguista assinará o seu nome e respectivo blogue na lista dos participantes.

6 - O último participante ou autor do vigésimo parágrafo, finalizará o texto e partilhará com o autor do blogue "O Sabor da Palavra" para a sua divulgação no blogue inicial.

7 - Sejam criativos.

Lista de Participantes:
1 - Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra)
2 - Buxexinhas (Pedacinhos de mim...)
3 - Karochinha (O Meu Eu)
4 - A Minha Essência (Roupa Prática)
5 - Olívia Palito (Olívia Palito no País das Maravilhas)
6 - L'Enfant Terrible (L'Enfant Terrible Lx)
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E começa assim:

"Já tinha dobrado as duas da manhã. Estava a sair da emissão de rádio, incomodado com um ouvinte que alegava a minha falta de isenção jornalística. Segundo ele, apenas dava voz aos ouvintes do sexo feminino e os temas escolhidos revelavam uma tremenda homofobia. Estapafúrdio, dizia para mim! Mas para o exterior resolvi o problema com a introdução de uma música de intervenção social. E assim fechei o programa. Peguei na mala, desci as escadas em direcção ao parque subterrâneo e ao chegar junto do carro encontrei um segredo envenenado..."

“No seu vestido vermelho delineado na pele, ela olhava-me intensamente recostada no capô do meu carro, como um lince que espera a sua presa. Por momentos o meu coração parou de bater. ‘Voltou…’, pensei angustiantemente. Fantasmas do passado e segredos escondidos no recanto mais negro do meu ser… Renascidos da minha cinza. Em passos lentos, dirigi-me a ela. As palavras silenciosas do seu olhar disseram-me para onde ela me levaria. Entrámos no carro seguindo para o local temido…”

"...por ambos.
Aquela falésia onde, alguns anos antes, a tragédia se abatera sobre as suas vidas alterou os seus futuros para sempre. E todos os anos, no mesmo dia, encontravam-se antes do amanhecer, naquela pedaço de rocha que se erguia sobre o mar, numa esperança vã de expiarem os seus pecados mais profundos. Chegados ao local, saíram do carro e mais uma vez, as suas mãos encontraram-se e uniram-se, os seus corpos aproximaram-se e ela disse-lhe:..."

"... Com a voz tremida, sussurrada, gélida, com a postura hirta e consciente do momento, Amanda começa a debitar desenfreadamente como tudo aconteceu, naquela fatídica noite...
... "Não tive culpa! Não tive! Acredita em mim, por favor! Foi um acidente. Foi ele que escorregou da falésia, ele!" - Sedutora mas ao mesmo tempo frágil, ela sabia exactamente como emaranhar um homem na sua teia. Sabia exactamente a palavra certa a ser usada, o gesto proveniente, o olhar mais assertivo para a ocasião. Manhosa, laça-o num envolvente abraço onde o choro compulsivo é o senhor do momento. Entre soluços mas, com uma voz doce, repete incessantemente, "não fui eu! Não fui eu!" - Com o rosto apoiado no peito de Edmundo, via-se claramente o sorriso dissimulado que fazia. Ele, estava completamente rendido à fragilidade dela mas, ao contrário do que ela pensava, que o tinha nas suas mãos, Edmundo, também tinha algo a dizer..." 

 "...  acerca daquela fatídica noite.  Edmundo fixou o olhar na falésia e ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto os braços de Amanda o envolviam. De repente,  ficou tudo absolutamente claro na cabeça de Edmundo, as peças do puzzle mental começavam a encaixar-se na perfeição. Lembrou-se da conversa off record que tivera com o inspector da policia acerca do relatório da autópsia de Fred. Segundo o mesmo relatório, Fred havia ingerido uma dose substancial de whisky, confirmando assim o álibi de Amanda, de que Fred se desequilibrara e caíra daquela falésia. Porém, fez-se luz e um pormenor fulcral escapara a ambos: ao inspector da policia e a Amanda, mas não a Edmundo..."

"...isto porque Fred não bebia whisky, sofria de doença celíaca, de modo que tudo o que contivesse glúten, o que incluía bebidas feitas de malte, não lhe passavam pela garganta. Por outro lado a revelação Fred fizera a Edmundo um dia antes da tragédia era de todo desconcertante, tanto mais que de dizia respeito aos três, sendo que conteúdo da mesma tivera desde então um profundo impacto em Edmundo, ao ponto de o mesmo perder parte da sua imparcialidade jornalística. Ainda assim, envolto no choro soluçado de Amanda, Edmundo era incapaz de proferir uma palavra, de partilhar com ela o que pensava porque havia mais um elemento em jogo, uma dúvida perene que o levava a sentir-se tal como o mar revolto e sem definição que vislumbrava no horizonte..."  


Dado que a S* pediu-me para não lhe passar o desafio passo o mesmo à Utena.