segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Procurar



Por vezes procurar serve apenas e só para não se encontrar, ainda que se diga comummente que para se obter algo é preciso para isso lutar. Contudo lutar por algo é uma coisa, encontra-la por si é outra, acabando por ser a metade do caminho necessário para a conclusão, sémis essa tão ou mais difícil de obter porquanto não se consegue achar, vislumbrar ou descobrir, sendo muitas vezes o ponto final ainda antes da narrativa ter oportunidade para se iniciar. Mas ainda assim há quem procure, dedicando nesta acção um esforço imenso, a tal ponto que o mesmo absorve tudo e acabe por ser a síntese que termina muitas vezes, não em sucesso, mas sim num desespero profundo, o qual cega e dilui a visão ao ponto de não se conseguir ver nada, vendo-se ao mesmo tempo tudo sem o discernimento à altura para separar as águas. Mas se porventura algo se encontra, apercebe-se que se está a meio do caminho, mas também que se está esgotado e sem força para continuar acabando-se por não se conseguir obter. Desta forma existem alturas em que mais vale encontrar sem procurar, se bem que seja difícil ficar à espera de algo que não se sabe quando e se vai ou não surgir. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Do problema



Muitas vezes resumimos o cerne do problema ao facto de não conseguirmos encontrar em virtude de não haver. Contudo, se por acaso acaba por haver, o verdadeiro problema acaba por ser o que se fazer em relação a isso, sendo que essa questão é em todos os aspectos mais complicada e complexa que a anterior acabando por se tornar a verdadeira questão a resolver.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sinais do tempo



Antigamente pobreza era não ter dinheiro para comer.
Hoje pobreza é não ter dinheiro para carregar o telemóvel...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Incerteza



A incerteza está sempre presente, quiçá, de mãos dadas com a própria vida dado que a vida em si é esse cumulo de incertezas permanentes que se manifestam umas atrás das outras. A incerteza maior será aquela que reside em nós, mas não em nós enquanto matéria nossa, mas sim formada por aquilo que nos rodeia e traduzimos na forma de sentidos e sentimentos, sendo que boa parte das incertezas nascem assim da reação a algo que gostaríamos de perceber e saber. Mas quando abrimos os olhos aquilo que vemos não é a razão plasmada, não é a realidade como gostaríamos que fosse ou na sua totalidade, não são as expectativas que temos e estamos sempre a criar.  Aquilo que vemos é a incerteza de saber que nunca vamos saber, é perceber que o que está lá fora é complexo, mas que nós, de igual forma, somos formados dessa mesma matéria que se emaranha e nos ofusca a razão, é perceber que temos de aceitar a incerteza se queremos viver na certeza de termos os pés na terra, muito embora tal pareça à primeira vista uma contradição que se traduz talvez na maior das nossas incertezas.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Constatação #55



Por vezes aquilo que em nós é positivo é o que nos deixa e torna negativos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Do viver no passado



Por vezes encontramo-nos a olhar um passado que já foi, que já não voltará a ser exactamente por ter sido, mas ainda assim voltamos lá, vezes e vezes sem conta para ver, para procurar uma maneira de ter sido de outra forma, um modo de ressuscitar o mesmo para se voltar a tentar, sabendo no entanto que tal é impossível, mas continuamos e tentamos ou simplesmente escapamo-nos para esse lugar por não haver um horizonte melhor à nossa frente para o qual olhar. Talvez por isso o passado tenha essa dupla essência, de nos fazer por um lado perder nele ao mesmo tempo que revive quando o fazemos reviver, sem no que entanto consigamos transpô-lo para a nossa realidade porque se o fizéssemos dificilmente viveríamos, pelo contrário, repetir-nos-íamos, sem que algo de novo fosse novamente sentido ou vivido.