sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Daquelas coisas #19

Enquanto caminhava pela rua alguém num gesto rápido e decidido deu-me um papel com publicidade para a mão, num movimento tão brusco que vi-me compelido a agarrar o mesmo e da mesma forma, como reflexo meti-o no bolso das calças. Depois de chegar a casa descubro o dito papel numa altura em que já estava esquecido dele e eis qual não foi o meu espanto ao ver que se referia à promoção de soutiens de uma dada marca.
Posto isto parece que quem me deu o papel para a mão deve ter visto mamas nalgum lado, mas em mim, já que não as tenho, não foi certamente, senão não me teria agraciado com tal publicidade, pelo que para a próxima agradeceria mais atenção!

[E não, não tinha fotos de modelos nem nada, antes tivesse!]

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Fama



Não sou famoso. Sou do mais anónimo que possa existir na sociedade. No entanto faz-me confusão a fama, faz-me confusão quem a quer apenas por ter, faz-me confusão quem a ganha apenas por inerência e não por vontade. Considero que ter fama não é viver, porque tal é viver num mundo onde todos reparam em nós, onde não somos comuns transeuntes para passarmos a ser o alvo das atenções, positivas ou negativas, frívolas ou obtusas. Ter fama é viver numa ilusão, é ter toda a gente de olhos postos em nós, é deixar de sermos privados para sermos públicos, é não ter liberdade. Muitos buscam a fama, outros adquirem-na, alguns aprendem a viver com ela, mas tantos não podem viver sem a mesma. Ser famoso trás poder, talvez por isso seja algo tão desejado, porque quando se tem nome, se tem imagem, há mais respeito ou somente é maior o asco. Não vejo a fama como um objectivo pessoal a atingir, aliás, fujo dela o mais que posso, temo-a e abomino-a, porque viver com fama seria ter de aprender a viver uma vida nova, não por força ou vontade própria, mas por imposição externa alheia.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Tantas vezes...



Tantas vezes queremos sem querer, olhamos para não ver, vemos sem olhar, sentimos sem pensar e pensamos sem sentir. Tantas vezes julgamos ser mais quando somos menos, dizemos o que não sentimos e aquilo que sentimos não conseguimos dizer. Tantas vezes julgamos ser menos quando somos mais, somos surdos ao que nos dizem e escutamos o que não nos dizem. Tantas vezes pensamos ser muito quando no final é tão pouco, pensamos ser pouco quando no final é muito.Tantas vezes e por vezes tão poucas vezes...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

...



Algum sabemos que será o dia para dizer basta! Algum dia será, ou pelo menos assim pensamos, assim queremos pensar, como uma promessa que fazemos aos outros, a nós próprios, temendo-a, mas usando-a como arma de arremesso de modo causar o receio alheio, de modo a enganar quem possa acreditar, de modo a que nós também nos possamos enganar. Desejamos que esse dia chegue, mas ao mesmo tempo evitamo-lo a tudo o custo, não sabemos quando será, mas também não queremos saber se algum dia será, bastando a hipótese,  a sugestão, a ameaça para que, por si só, algo se faça, algo aconteça, no interior, no exterior. Contudo, quando algo começa a soar como um disco riscado, o dia em que será ou eclipsa-se por demonstrar nunca ser ou simplesmente é adiantado para o momento seguinte com uma acção levada a cabo pelo calor do momento, pela urgência de traduzir a teoria à prática, redundando quase sempre numa loucura sem nexo, numa consequência inaudita, para depois ficar demonstrado que um basta! não é um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida para um tempo em que o remorso e o arrependimento acabam por ser a estrada pela qual trilhamos caminho.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Da vontade #2



A vontade de dizer algo, de expressar algo, uma palavra, um gesto, um sentimento, tantas vezes fica ali, naquele sítio, a meio caminho entre o cuspir e o engolir, atravessada na garganta, perdida no rol de um discurso que se constrói com um objectivo definido mas sai gorado, fica em suspenso, ganha vida própria acabando por ir para outro caminho sem dar hipótese ou abertura à libertação daquilo que se queria. A vontade mantém-se, instala-se, procura-se não deixar morrer, mas mata-nos porque não sabemos como a dominar, o que fazer com que ela, utiliza-la positivamente, para atingir o objectivo que no fundo é a razão do seu ser, da sua existência, ao invés acaba por apodrecer, por voltar-se contra si própria, por voltar-se contra nós próprios, o recipiente onde a mesma nasceu, onde a mesma reside, vive e no fundo acaba por rebelar-se, contra tudo, contra todos, para nos deixar com a única vontade de não ter nenhuma vontade.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

...



Há coisas que parecem surgir como um castigo, como algo que nos pune como se de alguma forma de justiça celestial se tratasse. Porque surgem sem uma razão aparente, sem que tenha havido uma acção para o justificar, ou pelo menos nenhuma que nos ocorra de imediato. Possivelmente algumas coisas não surgem como castigo, mas apenas porque têm de surgir para nos massacrar a vida, para a tornar complicada, senão mesmo difícil. As motivações para tal, se é que existe alguma mecânica que ordene isso, podem ser todas e mais algumas, simplesmente porque calha, porque temos azar, porque tomámos a opção errada e não podemos alterar a direcção que seguimos devido a inúmeras razões.  O certo é que no meio de tudo isto o que conta no final não é o porquê de certa coisas aconteceram mas sim o que fazer em relação às mesmas, como reagir, se é possível reagir e finalmente se as conseguimos ultrapassar, sendo certo que a soma de tudo isto acaba por nos influênciar e por ter consequências a curto, médio e longo prazo na nossa existência finita.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Constatação #57

O mundo divide-se entre aqueles que se resumem aos seus sonhos, consigam ou não realizar os mesmos e aqueles que se limitam a não ter nenhum sonho em especial.