terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Bom Ano Novo

Inevitavelmente fazem-se juízos e olha-se para frente, mesmo sem o admitir, sempre com alguma esperança. Tal deveria ser feito de modo continuo e não numa data específica, mas de alguma forma pensa-se que um esforço concentrado num ponto bem definido pode ser mais. Há muito de superstição em tudo isto, mas por outro lado a sabedoria também está presente, como que a contrabalançar, porque a psicologia humana é assim mesmo, um misto de opostos, onde para tudo há uma razão ao mesmo tempo que a falta da mesma.

Posto isto, resta-me apenas desejar um bom ano novo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Natal

Apenas e só para desejar Bom Natal, assim, sem corantes nem conservantes!

domingo, 22 de dezembro de 2013

...

Não sei o que pensar, muito menos o que dizer. Sinto-me envolto no querer sem saber o quê, misturado com aquilo que sei que quero mas não posso ter. Existem coisas que nunca terminam, que nunca mudam, ou se acontecem, acabam por ser sempre pelos piores motivos. A dúvida persiste sem nunca sair do pensamento, o qual, se perde em sonhos que estão cada vez mais longe da realidade, uma realidade que se adensa, ao mesmo tempo que corta e nos leva a desejar fugir apenas. 
O arco iniciou-se, atravessa-lo é sempre difícil porque nunca se sabe quais as consequências do mesmo ou as conclusões a que leva. Enfrenta-lo é inevitável, a forma como o fazemos é sempre dúbia, tal como o seu desfecho e a profundidade que as suas cicatrizes deixam reflectidas no nosso âmago nunca é pequena.  

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Constatação #78

Somos sempre a primeira e única versão de nós mesmos. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

É Natal...lá lá lá

Chega-se a esta época próxima do Natal, e ainda que haja crise, os centros comerciais estão completamente cheios. É certo que se compra menos, muito menos. É certo que muita gente está ali a fazer contas à vida, a tentar distrair-se, resistindo ao impulsos consumistas que toda a publicidade e espírito da época provocam. Na verdade quem resiste são os seus bolsos, vazios, ou pouco cheios, o que em muitos casos faz denotar a expressão de tristeza, de cansaço, em rostos e faces cada vez mais deprimidos. Tal contrasta com os rostos anteriores, de há uns anos atrás, onde se via uma mistura de egoísmo e vaidade. Ainda assim reparei em algo estranho, na feira de vaidades que se tornaram os nossos espaços comerciais, há quem olhe ainda para o que os outros compram, a qualidade, a quantidade e distinguem-se dois tipos de criaturas, as que compram o que podem e olham com inveja para aquelas que compram mais e melhor, e as outras, que compram muito, fazendo questão de olhar todos os outros de cima para baixo como que a fazer notar a falta de meios destes últimos. Parece-me por isso que o Natal, com crise ou sem crise, continua igualmente a ser a época que demonstra o quanto somos desiguais uns dos outros.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

...

Há sempre aquilo que nos diferencia dos outros, pequenas coisas, grandes coisas, coisas só nossas, coisas que todos fazemos e não fazemos, mas que, diferem daquilo que os outros fazem ou pensam. Por norma não é fácil ser quando estamos em contra-maré, mesmo que apenas porque sim, porque não sabemos ser de outra forma e muito menos justifica-lo. Acabamos por tecer a nossa própria razão pela diferença, da mesma forma que os outros nos olham com reserva por essa mesma razão. Os problemas começam a ocorrer quando, algo que para nós não tem discussão, acaba por servir para nos sintetizar, sendo tal apenas uma parte e nunca o todo. Achamos então que nos temos de justificar de alguma forma, mas não o conseguimos fazer, porque isso é intrínseco a nós mesmos. No fundo aquilo só temos de ser nós mesmos, nunca outra coisa qualquer, há quem aceite e quem não aceite, mas pior que isso é a presunção de quem nos olha e entende tal com a desconfiança, de que tal não será verdade e é apenas um fingimento para justificar outra coisa qualquer. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Diferenças entre homens e mulheres #24

Se um homem arrisca é um bruto, se não arrisca é um manso.

Se uma mulher arrisca é uma oferecida, se não arrisca é uma sonsa.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Do aprender

Existem coisas que ninguém te vai ensinar, serás tu que terás de aprender. Como? Com o desenrolar da situação e do tempo. O problema dá-se quando pensas que não consegues aprender, isto depois de várias tentativas falhadas. Depois começarás a ouvir os gurus, supostamente entendidos em todos os assuntos, mas eles no fundo só percebem do seu próprio assunto ou só sabem vender aquilo que julgam saber muito bem. E deparas-te novamente contigo, a tentar perceber-te, a tentar conhecer-te a ti próprio, mas ainda assim sem conseguir aprender, culpar-te-ás pela incapacidade que te leva a lugar nenhum. Talvez não baste aprender, talvez seja necessário algo mais, algo que não depende só de ti, ou depende e não sabes o que é. No fundo há coisas que ninguém te vai ensinar mas muitas mais que nunca vais conseguir aprender, mas isso não implica que deixes de tentar, mesmo que tal te provoque uma constante agonia. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Da ousadia

Sentimo-nos tentados a ousar, a fazer o que nunca fizemos. Seria fácil se nunca o tivéssemos feito apenas e só por acaso. Mas não. Há aquilo que não fazemos pela simples razão de não nos vermos a fazer tal, porque não estamos predispostos para tal, mesmo que o desejássemos. Faltará a coragem, a confiança ou a capacidade? Talvez nenhuma das três. Talvez o que falte seja apenas e só ser outra pessoa, ter outra pele, outro substracto, outra personalidade. Explicar aquilo que não se faz é por vezes tão ou mais difícil do que explicar aquilo que se faz ou fez, porque tal é intrínseco a nós próprios, porque não estamos confortáveis para o fazer, o motivo? Todos e nenhum, apenas e só pelo facto de sermos quem somos. Nos outros nasce a desconfiança, a qual se espelha em nós e nos corrói, porque também ficamos a pensar no porquê daquilo que somos, no porquê de nós próprios, quem somos, o que somos, o que queremos. As perguntas escrevem-se facilmente, as respostas essas, sempre tardam e quiçá, jamais serão respondidas. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Instante

As ideias por vezes assaltam-nos, assim, de repente, sem que haja tempo para as conseguir apanhar no seu todo, apenas o suficiente para lhes vermos o rasto e ficarmos na dúvida, a especular, a tentar montar fazer ferver a memória no sentido de remontar o máximo que conseguimos da mesma. Algumas coisas têm de ser apanhadas no momento imediato, antes de podermos sequer apreciar a sua beleza, porque se o fazemos deixamos escapar algo que certamente nunca mais voltamos a encontrar. Isto é válido para o pensamento, para as ideias, como também para tantas outras coisas. Contudo, por vezes quando apanhamos antes de tudo, acabamos por descobrir que aquilo que poderia ser nada é de facto, apenas um fogacho, que seria mais belo e sublime se o retivéssemos apenas, como algo que não se viu por completo, deixando transparecer apenas a ideia de que podia ser perfeito. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

...

Dizem que podemos sempre conseguir melhor, isto quando perdemos o pouco que temos. Pode ser apenas uma forma simpática de nos colocar a pensar que um fim pode também ser um princípio, o início de algo muito melhor do que jamais poderíamos atingir se, por ventura, continuássemos no caminho anterior. Ainda assim, raramente nos convencem, por muito optimistas que possamos ser nunca esperamos nada de melhor, quando muito, só a continuação do mesmo. Obviamente que cada um pode acreditar no que quer, mas acima de tudo é preciso ver para crer, porque quando se perde, uma vez que seja, tal marca-nos e digerir isso acaba sempre demorar tempo, mas mesmo assim, a experiência faz com que fiquemos de pé atrás em relação a tudo que pode eventualmente vir a ser, daí que dificilmente temos consciência ou o deleite de o apreciar ao início. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A incerteza da certeza

O pior de tudo é não se saber o que se quer. Como se fosse fácil alguém ter certezas. Como se fosse fácil alguém dizer à boca cheia que sabe exactamente o que quer e o que fazer para o conseguir. Como se fosse fácil saber qual o passo seguinte a tomar, qual a porta a abrir ou fechar. Tudo se resume ao e se…, depois nada tem duas opções, porque sempre que se toma uma decisão milhares de caminhos podem surgir e nunca se sabe qual deles seguir. Será que alguém consegue dizer que sabe? Duvido. Mas ainda assim, numa escala mais curta, é preciso saber minimamente, mas isso não torna nada mais fácil ou simples. Talvez por isso é sempre difícil saber o que se quer e se estranhe, sempre, quem apareça e diga que sabe.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Do exagero

Se exageras acusam-te imediatamente disso, porque o dizes e fazes de forma exagerada. Mesmo que esse exagero seja inocente, cortês ou simplesmente verdadeiro e não o sabes exprimir de outra forma, mais suave, mais simples, acusam-te. Mas o pior não é acusação, pior mesmo é que basta seres tido como exagerado, pareceres exagerado, para ninguém te levar à séria. Isto porque o exagero não é apanágio da verdade, é antes uma das características da falsidade, da paródia e da ironia. Como tal perdes muitas vezes aquilo que queres por exagerar, por esticar a corda, por tornares maior algo que ninguém acredita que possa ser assim definido. Mas ninguém se pergunta porque o fazes, porque só o consegues fazer assim, porque não encontras outra forma de te exprimir, porque vês as coisas dessa forma pouco credível. A resposta não é simples de encontrar, porque quem exagera sabe à partida que vai perder, porque fica sem defesas, porque tem de argumentar o porquê. Mas esse porquê pode ser muito simples, talvez o exagero seja tão só verdadeiro, tão verdadeiro que dizer menos, fazer menos, seria, isso sim, censurar uma parte que interessa, seria esconder algo maior que se descobriu e não se divulgou, guardar um segredo que não se pode guardar, porque se o fizéssemos iríamos sofrer atrozmente devido à tormenta do remorso ou da simples pressão que tal nos pode fazer sentir. Mas dizer que se pode sofrer por não exagerar pode, ainda assim, ser igualmente um exagero.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Diferenças entre homens e mulheres #23


Com o frio, algo nos homens parece mirrar, ao passo que nas mulheres algo arrebita.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Da mentira e da verdade

Antigamente a mentira era uma coisa, a verdade era outra. Dois campos diametralmente opostos, dois campos antagónicos, ou era ou não era. Agora a mentira nem sempre é mentira, a verdade nem sempre é verdade e parece que há o receio de extremar uma posição, de ver apenas uma cor, pura e sem misturas. Ao que parece nada é absoluto mas elevar essa visão ao extremo acaba também por ser um extremismo. Existem coisas que são o que são, que não padecem de interpretações a não ser claro para tentar deformar aquilo que realmente são. Parece haver uma tendência de justificar que a mentira não é bem uma mentira porque há algo maior que permite que a mentira se torne no mínimo uma meia-verdade, da mesma forma que uma verdade nunca é totalmente verdade, porque se assim fosse seria muito mau e incomodaria muita gente. Parece-me que vivemos no mundo do mais ou menos, onde muitos adaptaram-se a aceitar a visão do assim-assim como algo natural, onde aquilo que é verdade e mentira nunca é bem o que aparenta, sendo antes uma nébula,  e ai de quem disser o contrário, porque tais são perigosos e ameaças, mas para essa classificação já não há tons de cinzento. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Constatação #77

Por vezes apetece dizer o que apetece fazer e dizemo-lo. O problema é que depois de o dizer vemo-nos compelidos a faze-lo, numa altura em que não já não temos vontade ou coragem para o fazer.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Apostar


Todos fazemos apostas. Seja conscientes ou inconscientes, seja de forma racional ou irracional. Uma aposta é uma escolha que se faz num determinado momento, perante uma determinada situação, mas sem nenhuma certeza ou garantia de que a mesma será a mais acertada e mesmo quando julgamos ter acertado, a médio e longo prazo acabamos por perceber que afinal deveríamos ter escolhido outro caminho. Raramente podemos voltar atrás numa aposta, porque muitas são definitivas, após uma escolha todas as outras deixam de ser validas ou executáveis. Tendemos depois a sonhar e a especular como seria, se outro caminho fosse tomado, se outra opção fosse escolhida, mas tais dúvidas apenas surgem quando a aposta que se fez não se saldou em sucesso, ou acabou por ser uma péssima aposta e viver com isso não é fácil, será talvez aquilo que mais nos custa a digerir, sobretudo a emendar. Apostar não é por isso fácil, é extremamente difícil e nem sempre temos o tempo e a sabedoria para tomar a melhor decisão, tanto ao ponto de tantas vezes recearmos apostar, o que nos deixa estáticos, presos a nós próprios, sendo que tal acaba por se resumir entre querermos apostar na vida e saboreá-la ou não.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O deslumbramento

Nada tenho contra quem emigra. Nos tempos que correm os portugueses voltaram a ser um povo de emigrantes, ainda que noutra vertente geracional daquela que os antecedeu, mais bem preparados, com outras ambições e certamente com uma visão mais cosmopolita do mundo, isto é, vão para um país estrangeiro e não se fecham num nicho constituído pela comunidade emigrante, integram-se, diluem-se, ou pelo menos é isso que os recente programas que passam na televisão dão a entender.
Contudo, aqui há dias ouvia alguém a dizer, com uma expressão segura, a roçar o arrogante, que o que está a dar é emigrar, que emigrar é que é, que isto aqui não vale nada, que aqui não se arranja nada e para se ser alguém era preciso era emigrar. Ao que parece, a directiva proclamada por Passos Coelho está ser cumprida e já passou quase a chavão. Não se arranja trabalho, emigra-se, não nos damos bem com o clima, emigra-se, não gostamos do chefe, emigra-se, queremos ganhar dinheiro, emigra-se, a sogra dá-nos cabo da cabeça, emigra-se, e pronto, fica tudo resolvido. Ficar aqui parece que é estar condenado à miséria, à perfídia, ao insucesso, em suma, a ser um falhado. O mais curioso é que já ouvi isto da boca de gente que está bem na vida, bom emprego, bom nível de rendimento e sem grandes inseguranças pela frente, mesmo na crise actual. Mas não, isto só não chega, porque ficar é ser um falhado ou assim parece. [Nos anos 90 ouvia um discurso parecido, desta feita que quem não se licenciasse ia ter um futuro negro e ser um falhado!]

Esquece-se muita gente que lá fora não é o el dourado que tantos apregoam, nem sempre há o trabalho pretendido e a maior parte das vezes o ordenado desejado. Há antes o trabalho que os outros não querem fazer, trabalho que parece ser bem pago aos olhos dos nossos parcos rendimentos, mas que é o mínimo lá fora. E depois é vê-los, licenciados, mestres, doutores, que aqui jamais fariam certos trabalhos, chorando-se que muito estudaram e por isso tudo é injusto aqui, mas lá fora, na base da pirâmide laboral já se permitem a fazer certas coisas sem qualquer queixa. Mas ainda assim sorte têm aqueles que encontram trabalho, porque muitos outros acabam por voltar, de mãos a abanar, depois de terem sido explorados, mal recebidos devido, não só a uma certa ingenuidade, mas também ao facto de apenas chegarem ao grande ecrã as histórias de sucesso, que, talvez, são apenas uma fracção de uma realidade muito maior, mais crua e dura, da qual ninguém quer falar e muito menos mostrar.  
Pode ser outra geração a emigrar, mais bem preparados, com outras ambições, e certamente com uma visão mais cosmopolita do mundo, mas parece-se que a ingenuidade e o deslumbramento mantém-se igual, deve ser algo cultural, só pode.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Diferenças entre homens e mulheres #22

Num determinado cenário...
Os homens têm o que podem.
As mulheres têm o que querem.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Das escolhas

Podemos escolher muita coisa, mas há muita coisa que não podemos escolher. Devido a isso, por vezes, optamos por não escolher sequer, preferimos que algo nos escolha, se é que tal pode vir a acontecer. Isto porque quando se escolhe, de forma voluntária e consciente, pode levar a uma escolha negativa, a um arrependimento a curto, médio ou longo prazo, tudo devido a uma escolha. Por isso escolher não é fácil como parece e ter esse poder, o poder de escolher, não é assim uma liberdade tão grande, é antes um problema, dado que ter a opção de escolher é uma responsabilidade nossa e só nossa, e os resultados que daí advêm são sempre uma incógnita, mas raramente temos a consciência disso. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

...

Ainda que dificilmente gostemos de dizer que a vida nos corre mal, acabamos sempre por o fazer, de uma forma mais ou menos velada, por metáforas a roçar o humor ou quase como um cartão de visita para evitar aquela maldição que mesmo os que não são supersticiosos acreditam que devem evitar, não-dizer-que-a-vida-nos-corre-bem-porque-a-seguir-acontece-uma-desgraça. Por isso tornamo-nos irónicos, sarcásticos e um tanto cínicos. Queixamo-nos da vida, sempre, sem qualquer pudor por vezes, entre o sério e a brincadeira, sabendo que há quem esteja pior que nós, mas igualmente sabendo que há sempre quem, em princípio, estará melhor que nós. Achamos o universo injusto, achamos que a justiça e a sorte é coisa que não nos assiste, algo que só acontece aos outros, mesmo que tantas vezes ambas nos tenham sorrido, mas preferimos evitar lembrar disso.

O problema no entanto não está aí, porque relativizamos tal, consideramos que já é parte do dia-a-dia, até parte de nós, ninguém liga, ninguém se preocupa e nós muito menos. O problema está quando de facto, por um motivo qualquer, nosso, íntimo, sem expressão, que não compreendemos, ou sequer percebemos, sentimos a vida a correr mal, ou sem o sabor que a caracteriza, algo que se parece com uma nuvem negra, uma sensação lúgubre que se apodera de nós, indo além de qualquer facto concreto ou da razão. Algo que sentimos e não sabemos explicar, que nos leva a queixarmo-nos da vida, usando para tal os chavões do costume, mas sem nunca perceber que essas mesmas razões mais não são que desculpas de mau pagador, para encobrir algo que nos vai na alma e não sabemos exactamente o que é, o porquê ou quando terminará.   

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Constatação #76

Se bem que o grau de certeza é tão grande como o de incerteza, se há coisa que aposto à partida é na certeza do nunca, ainda que, com a incerteza de saber, se nunca será mesmo nunca.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ser democrata é ser amigo

Ser democrata é ser amigo, amigo de outros amigos democratas e os amigos servem para as ocasiões, sendo que as ocasiões fazem os amigos. Os amigos apoiam-se uns aos outros, sempre!, sejam quais forem as ocasiões e aquilo que por vezes pode ser duvidoso não deve ser nunca questionado, porque a amizade fala sempre mais alto ou então aquilo que uns fazem que pode ser censurável é igualmente feito por todos e por isso acaba por cair na mais perfeita normalidade. Ser democrata é ser amigo e os amigos tornam-se amigos por conveniência, por subserviência ou pelo facto de terem pontos em comum e esses pontos podem ser de todas as naturezas ou mais algumas. Ser democrata é não ser radical, é não trazer à baila aquilo que pode incomodar, ser politicamente correcto acima de tudo, nunca fazer uma crítica que seja, apoiar sempre aqueles que também se dizem democratas, porque se o dizem é porque são, e se o são é porque são amigos, ou querem ser amigos, ou querem que nós sejamos amigos deles e se o querem é porque só podem ser democratas, e claro, amigos.

Depois há os que querem colocar em causa uma amizade, se o fazem é porque não podem ser democratas, porque um democrata defende sempre a amizade, pelo que o seu contrário só pode por isso ser defensor do extremismo, do totalitarismo, da ditadura e sobretudo da corrupção, esse verme de que tanto se fala mas poucos compreendem ou conseguem ver e que jamais, em tempo algum, infecta um democrata, porque ser democrata é estar por si só imune à corrupção devido ao facto de ter amigos, dado que a amizade é uma força poderosa, que consegue expurgar toda e qualquer infecção, por mais grave que seja. Mas os que não têm amigos, que por conseguinte não são democratas, esses sim, estão infectados de tudo e mais alguma coisa, porque têm inveja, ciúme, preconceitos e dados a práticas criminosas. Os democratas no entanto sobressaem dessa poça lamacenta, onde abunda a inveja, o ciúme, o preconceito e a corrupção, porque conseguem olhar e encontrar imediatamente outros democratas, pessoas que têm os mesmos interesses comuns, as mesmas práticas aparentemente dignas, a mesma fibra moral e por isso, tão facilmente e com tanta garra, fazem e defendem amigos, porque um amigo nunca trai outro amigo!  

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Do Halloween!

É sabido que miudagem, nos dias que correm, começou também a “celebrar” a noite das bruxas como algo normal. Digo normal porque durante a minha infância sabia-se da existência dessa tradição anglo-saxónica, mas daí a “imitar” a mesma era outra coisa. E isto por diversos motivos, era uma tradição estrangeira e nós tínhamos o carnaval para fazer praticamente o mesmo, ou pior! Por isso, de um modo ou de outro, uns mais que os outros, já nós habitua-mos a ter miúdos mascarados a pedir doces nessa noite específica ou em troca encontrar a porta toda besuntada de farinha e ovos como castigo pela “sovinice”.
No entanto o que fez confusão este ano especificamente foi o facto de ver as mães atrás dos filhos, e quando digo atrás é mesmo atrás, também elas mascaradas, e pior, a instigarem os petizes a bater às portas, a fazerem a recolha e caso não haja lugar a esse “atendimento”, decretarem o devido castigo, quais generais diabólicos de um exército de pequenos terrores. Pior que tudo é que algumas, cobram, também elas os mesmos doces, tal qual os menores que acompanham.
Que as crianças e adolescentes se sintam influenciadas de forma espontânea pelo Halloween, para se divertirem a fazerem traquinices eu aceito, agora repudia-me ver pais a instigar certos comportamentos, terem participação nos mesmos, achando-se certamente os maiores do mundo, porque ao lado de miúdos estarem igualmente de saco aberto e com um sorriso amarelo, como se tivesse muita graça ver um adulto a querer passar-se por criança. Estou em crer que sob a ameaça de um balde de água fria, em plena noite de Outono, certamente perderiam a vontade para a brincadeira!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

...

O tempo passa de forma aflitiva, correndo como um selvagem sem destino e nós esperamos, aguardamos por uma mudança, uma ocorrência, agarrados a uma esperança que diminui a cada dia que passa, projectando futuros que sabemos serem cada vez mais impossíveis. Não desistimos, mas é cada vez mais difícil continuar, manter a cabeça fora de água e sobretudo acreditar. A espera torna-nos amargos, mas pior que isso é o facto de não podermos mais alterar as coisas, não conseguirmos controlar uma parte do universo, dobra-lo ao nosso gosto, para, ao invés, ele rir-se na nossa cara, usar-nos como marionetas a seu belo prazer, construindo assim a tragicomédia  que acaba por ser a nossa vida. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Do que somos e não somos

Aquilo que somos e não somos, dificilmente se resume numa ou meia dúzia de palavras. Por vezes queremos sintetizar a nossa essência, o nosso perfil, mas sempre que o tentamos fazer acabamos por produzir uma pálida imagem ou simplesmente uma imagem totalmente oposta. Da mesma forma podem os outros fazer-nos essa mesma caracterização, mas quando são eles sentimos quase sempre que não nos conhecem o suficiente e muito menos nos compreendem. Isto não quer dizer que não possamos por vezes ser caracterizados com uma única expressão, mas tal aplica-se somente a um momento, a uma situação específica e mesmo nessa podemos reagir de uma forma que totalmente inesperada, até para nós. No fundo aquilo que somos e não somos nunca será desvendado por completo, tanto em relação aos outros como a nós próprios. O grande problema dá-se quando uma única acção, positiva, negativa ou mesmo neutra, acaba por nos classificar para sempre, sem perspectiva de que a mesma foi um momento isolado, passando a ser uma continuidade aparente. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Possível e impossível

O impossível queremos sempre, de alguma forma, nem que seja em sonhos, mas, como sabemos, nunca o vamos obter, ou se tal acontece só mesmo de alguma forma praticamente milagrosa mas pouco provável. Por isso dedicamo-nos ao possível, mas dentro do possível há também o impossível, porque muitas vezes este último mascara-se de possível somente para nos iludir. Dessa forma nem sempre aquilo que pensamos ser possível o é verdadeiramente. Logo só é possível aquilo que conseguimos verdadeiramente, não aquilo que pensamos à partida ser, porque tal poderá mesmo ser apenas e só mais uma forma de impossibilidade. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Constatação #75

Por vezes para atingir algo somos obrigados a dar tudo o que há em nós. O grande problema é que, ao se dar tudo, também revela muitas vezes o pior que há em nós.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ser decente

Ser decente é bonito, politicamente correcto e até atractivo.  Serve para evitar amargos de boca, problemas de consciência e sobretudo confusões. Mas, ainda assim, porque há sempre um mas em tudo, há momentos em que gostaríamos de deixar a nossa decência de parte, arriscando o oposto, jogar o barro à parede na esperança de obter algo, que pelo caminho da decência não iríamos obter de todo, na medida que por essa via recusam-se certas atitudes. No fundo ser decente deveria deixar-nos por si só de consciência tranquila, mas nem sempre tal acontece por completo, porque ser decente é também, muitas vezes, o contrário de arriscar. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Síntese

Todos buscamos a síntese. A síntese do momento, de um ano, de uma época ou ciclo. A síntese de uma continuidade, o ponto de chegada, o espaço de acalmia onde nos pudemos debruçar e respirar fundo. Sem que tal aconteça, ou quando tarda em acontecer, não conseguimos senão desesperar, estar constantemente à procura, a lutar sem saber a razão, o porquê ou se devemos continuar. Sínteses existirão muitas ao longo da nossa vida, cada uma delas será o fim de uma etapa e o começo de outra. Por isso uma síntese não tem de significar o fim, é antes e também o princípio. Mas quando se caminha sem que surjam estas pequenas conclusões, sem que não chegue, que não se alcance, sempre à espera do que tarda, renovando e inovando o que somos, o que fazemos, acabamos por pensar que não há um fim à vista, um balão de oxigénio, algo que nos explique se aquilo que fazemos serve para alguma coisa, algo que nos diga que um ciclo se fechou e outro se abre, uma conclusão de que é preciso partir para outra porque esta chegou ao fim. No fundo procuramos viver para atingir pequenas vitórias ou assumir derrotas, mas se a guerra se alonga já não sabemos se valerá a pena lutar pela mesma e nem o sabor da derrota conseguimos sentir, sentimos antes o sabor da dúvida que nos provoca angústia, o que acaba por ser, em síntese, a única coisa que temos dificuldade em derrotar. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A persistência da dúvida

A dúvida persiste, envolve e amarga nessa penumbra da qual se deseja fugir e por vezes esquecer. Mas pior do que a dúvida é a soma das mesmas, a união que nos ataca de todos os quadrantes, gerando mais desconfiança, receio e imobilidade. Sabe-se que é preciso lutar, fugir estrategicamente se necessário, mas é necessário fazer algo. Contudo, ao delinear-se o próprio plano, surgem novas dúvidas, mais algumas para se juntar a todas as outras, as iniciais, as do passado, do presente e do futuro, que de forma consistente formam essa conspiração com a qual nos debatemos sem uma saída à vista. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Constatação #74

Por vezes a dificuldade maior é conseguir sintonizar no comprimento de onda certo, mas mais difícil ainda é conseguir sintonizar e perceber o que isso significa.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

...

É difícil olhar para dentro quando do lado de fora tudo parece ser uma guerra permanente. Dessa perspectiva tudo aquilo que temos dentro de nós parece tornar-se inofensivo, até mesmo patético, ainda que o possamos sentir como importante, mas somente pelos nossos olhos. Basta haver algo de concreto, de real, que se passe no cenário por onde todos circulam e vivam, para que aquilo que somos, os nossos pensamentos e problemas, pareçam tornar-se irrelevantes e até inadequados. Talvez por isso tentamos esquece-los, ignora-los ou contorna-los contrapondo em relação aos mesmos com altas doses de racionalismo e materialismo. Mas ainda que tal aconteça, o certo é que aquilo que não resolvemos dentro de nós, nunca nos deixará resolver o que quer que seja em que cenário for. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Passos Coelho respondeu aos portugueses

Respondeu? Ou será que fez campanha?
A responder só no banco dos réus, mas não pode, é primeiro-ministro, é político, é protegido, logo nunca responderá por homicídio de uma geração, por traição à pátria, por cumplicidade na corrupção, por protecção de oligarcas, por desgoverno, por culambismo ou por nunca ter feito nada na vida a não ser um parasita político e proteger as elites, as mesmas que o alimentaram. 
Por isso Passos Coelho nunca responderá, fará, enforcando cada vez mais o país, vendendo tudo, protegendo a corrupção e os parasitas que provocaram a crise, minando a justiça que já é manca por natureza e tudo a coberto daquele sorriso sonso, daquele ar falso de quem sabe parecer mas nunca será. E a justiça, essa, morrerá de fome, desnutrida, assim como o desejo de ouvir a resposta se há ao menos consciência de ter noção que é parte do problema e não parte da solução. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Da psique humana

Quando dizemos coisas da boca para fora, dizemo-lo num sopro, num repente, sem pensar muito sobre isso, apenas levados por um único e singular momento, que muitas vezes é a síntese de tudo embora possa não significar nada de concreto, apenas uma ideia, doida varrida, uma loucura passageira ou algo que poderá ser muito mais ou muito menos. Diz quem estuda estas coisas do cérebro e do comportamento que há um id, que está lá no fundo, fechado a sete chaves, que é o nosso lado mais verdadeiro e por isso não o deixamos respirar o ar da superfície, por receio, porque somos seres sociais, porque somos animais racionais ou simplesmente porque não sabemos lidar com ele e tememos que ele tudo controle. Então o id revolta-se e ataca-nos pelo castigo imposto, deixando-nos frustrados e baralhados porque simplesmente nos dá a conhecer a sua existência e nem sempre convivemos bem com ela.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Daquelas coisas #22


Perguntas a um adolescente se é feliz e ele vai-te responder que não, muito embora não saiba que nesse momento é a criatura mais feliz do mundo.
Perguntas a um adulto se é feliz e ele vai-te responder que sim, muito embora saiba que nesse momento é a criatura mais infeliz do mundo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Do olhar

Por norma reparamos mais facilmente naquilo que no meio de tudo nos atrai de forma mais instintiva. Tal é muitas vezes ilusório, roçando até o estereotipo, sendo propositado ou simplesmente tal como é, obrigando-nos a fixar por momentos a nossa atenção aí, excluindo ou fazendo esquecer tudo o resto que possa estar à nossa volta. Contudo essa mesma chamada de atenção raramente consegue captar muito mais do que isso da nossa parte, até pode ficar impressa na nossa memória por algum tempo, mas raramente acaba por se tornar me algo em concreto, porque aquilo que é concreto ultrapassa a pura atracção visual, também conta, mas envolve muitos mais factores, tantos quantos se possam conhecer e esses não estão à vista, estão para lá dela e difícil, mesmo difícil, é conseguir ultrapassar a cegueira inicial para se conseguir ter o dom de descobrir para lá daquilo que inicialmente se vislumbra. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Do ser

De pouco adianta ser, quando não se consegue ser sempre ou no momento adequado. Não que não deixemos de ser sempre, mas nem sempre o conseguimos demonstrar da melhor forma. Muitas vezes acabamos por querer ser sem irmos directos ao assunto, damos voltas e mais voltas, fazemos parábolas, utilizamos metáforas, porque tememos queimar todo o pavio num curto espaço de tempo. Depois perdemo-nos, fechamo-nos em labirintos dos quais não conseguimos sair e acabamos por desperdiçar oportunidades que não se voltam a repetir. Ser é por isso também determinado, pelo tempo, pelo espaço, pelo modo como os astros se alinham naquele momento, mas acima de tudo pelo objectivo que queremos alcançar e aí nasce uma revolta interna, a qual, tantas vezes acaba por nos transformar no oposto do que somos, não por vontade própria, mas como uma reacção estúpida que não conseguimos controlar ou explicar. Depois há também quem nos olha, quem nos quer perceber, se tem paciência ou percepção para ver mais além, para ver até mais daquilo que somos, do que pensamos ser e sobretudo daquilo que não somos e estamos de forma inconsciente a querer esconder. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Do marasmo

Cair no marasmo é fácil. Tão fácil que não se cai, escorrega-se nele, deixando-se ir até que o mesmo nos consuma por completo, mas no nosso entender somos nós que o consumimos a ele, embora tal seja uma falácia na qual nos gostamos de acreditar. Depois, pior é sair do marasmo, libertarmo-nos do mesmo e sabendo à partida o quanto custa tal escalada tentamos sempre não cair, ainda que escorregando para dentro do mesmo. Tal situação acontece com o marasmo como em tantas outras coisas por um sentimos por vezes necessidade dele, mas nos purgarmos mas por outro sabemos o quanto perigoso o mesmo na medida que nos vicia e nos encerra as saídas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sim, eu sei que sou do contra!

Aqui há uns tempos uma colega de trabalho argumentava que as mulheres são tão capazes como os homens, que em muitos casos essa igualdade não é manifesta em diversos aspectos. Até aqui eu não tinha nada contra, no entanto salientei que de facto há trabalhos em que das duas uma, ou as mulheres dedicam-se ao culturismo e ficam com um bícepe maior que a minha coxa, estando igualmente na disposição de se sujarem e terem as mãos feitas num oito de tão gretadas e inchadas ou então não conseguiriam igualar os homens em certos trabalhos. O que fui dizer. Começou a olhar-me de soslaio e disse-me logo que isso não era bem assim, que se havia certos trabalhos que não eram feitos por mulheres tal devia-se, simplesmente e só, ao modo monopolista como os homens não permitem que elas os façam. Fiquei com a ideia que não estávamos a falar do mesmo, mas adiante, quando fomos a passar uma porta não a deixei passar à frente, depois noutra porta, mais uma vez não a deixei passar à frente de propósito, até que finalmente ela me diz:
- Bolas isso é que é cavalheirismo!
Ao que eu respondi um tanto assarapantado:
- Então mas não querias ser tratada de forma igual aos homens? Pensei que cavalheirismo era uma forma de machismo!

Ficou a olhar para mim visivelmente irritada. Pois é, vá-se lá perceber as mulheres!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

...

A realidade fere-nos. Abrimos os olhos e observamos tudo ao nosso redor, fazemos comparações, tecemos conclusões, criamos ilusões, tudo para perceber que não conseguimos escapar de certos desígnios, daquilo que somos, do nosso passado, dos nossos erros, das nossas vitórias. Acaba tudo por ser uma síntese mas que em nada nos ajuda, porque por muita consciência que possamos ter de nós próprios e da nossa vida não nos conseguimos mudar ou mudar o que sentimos, pelo menos assim, com um estalar de dedos, leva tempo, existem muitos obstáculos, alguns deles impossíveis de ultrapassar e mesmo quando tal acontece não é garante para chegarmos onde queríamos, porque tudo aquilo que se avizinha, seja em nós, seja há nossa volta é, e sempre será, uma incógnita, perfeita e redonda. Depois, quando pensamos que chegamos a algum lado acabamos por perceber que talvez não saímos do mesmo sítio, passou o tempo, mantém-se o esforço, mas nada muda, tudo se transforma, mas por dentro, por dentro somos os mesmos e por fora a realidade permanece parecida, diferente nos pormenores, mas igual no geral.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Elas


Pergunto-me se elas sabem ou têm noção. Se sabem por completo ou de forma incompleta. Se sabem sem saber ou se sabem sem nunca dizer ou dar a entender. Se não sabem realmente porque estão noutro universo, noutra órbita e aquilo que são as nossas dúvidas, as nossas esperança, são apenas nada naquilo que elas pensam. O certo é que nunca se chegará a saber, nunca se saberá por completo, mesmo quando se julga saber. Será que sabem, que notam, que pensam, nem que por um segundo, sem corantes e conservantes, será que sabem ou têm a noção daquilo que somos, que sentimos, do que pensamos ou será que disfarçamos tão bem assim como elas disfarçam, se é que disfarçam. O mistério residirá, porque nós pensamos de uma forma, muita vezes manifestada além do olhar, mas elas, elas pouco se manifestam, ou quando o fazem é de uma forma superior, como que a dizer que têm o poder e a decisão. Mas fora isso, será que sabem, será que têm a noção da nossa existência e daquilo que delas pensamos?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

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Há muitas coisas com as quais sonhamos num momento ou noutro da nossa vivência. Coisas que gostaríamos de um dia viver, ver ou sentir, mas tudo isto sempre com pés bem assentes na terra, sem grandes ilusões, porque ao mesmo tempo não nos preocupamos muito com tal, devido à distância ou simplesmente pelo facto de encararmos como uma impossibilidade. Há quem se vá abaixo por esse facto, por perder essa esperança que um sonho se possa concretizar, mas a maior parte, julgo eu, cai numa racional e resignada forma de encarar os sonhos apenas como sonhos, ficando feliz somente por poder sonhar os mesmos, servindo isso de escape a tudo o resto, a vida que se leva. Também há quem diga que é preciso lutar pelos sonhos, que é preciso fazer de tudo para os tornar realidade, mas nem todas as coisas são passíveis de lutar por, muito depende somente de estar no lugar certo à hora certa ou somente por esperar pelo momento certo, isto tendo sempre a esperança que o tal vá ocorrer, quando não se sabe, se acontecerá mesmo, também não, mas espera-se apenas. Mas esperar desespera, pensar muito sobre um assunto enlouquece, por isso o melhor é mesmo não pensar nem esperar, viver apenas o que se tem a viver, tentando manter o equilíbrio entre a esperança e a desilusão, guardar cá dentro, fechado a sete chaves toda e qualquer esperança para que a mesma não nos domine por completo evitando assim a força destrutiva da desilusão.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Fórmula simples para acabar com a crise em Portugal

Primeiro Passo - Seleccionar os alvos e restantes problemas:


Segundo Passo - Seleccionar o método:

Terceiro Passo - Seleccionar o executante e demais intervenientes:
                               Francesco Schettino - último comandante do Costa Concordia

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Cinco moças jeitosas de Leste

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E pronto, é isto! Diz quem sabe que esta combinação é infalivél!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Hábito


Chega-se a um ponto em que nos habituamos. Habituamos a resignar-nos, a ter aquilo que temos e sonhar apenas, sem desejar mais ter porque isso, sabemos, é impossível, ou pelo menos assim pensamos. O hábito é uma rotina, uma rotina que aprendemos durante um tempo, até que a mesma se entranhe na nossa pele, no nosso pensamento, no modo de vermos e pensarmos as coisas. Pode-se dizer que tal é o fim do sonho, enquanto figura que nos impulsiona de forma subterrânea, que nos alimenta o fogo secreto de querer algo, de ansiar por mais, mas o sonho transforma-se, apenas e só em algo estéril, em algo para onde fugimos e resguardamos, longe de pensarmos que o mesmo pode vir mesmo a ser algo. Desse modo ficamos à mercê de tudo o que nos rodeia, ao passo que o esforço que fazemos é apenas caminhar por essa linha que conhecemos até que a mesma acabe ou que alguma coisa nos retire da mesma.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Do amor #7

O amor. Tanto se fala do amor, mas pouco se descobre sobre o mesmo. Tecem-se sobre ele poemas, narrativas, epopeias, canções, delírios, tudo e mais alguma coisa, mas ninguém o sabe definir a não ser pela palavra pelo qual se conhece ou por aquilo que se sente e não se sabe explicar. Vagueia entre o mistério, entre o antagónico, confunde-se com tantas outras coisas e tantas outras coisas se confundem com ele, misturam-se e temperam o mesmo da mesma forma que o azedam e destroem. Todos o querem encontrar, mas é ele quem nos procura, porque quem o procura não encontra e quem o encontra tem dúvidas se o mesmo é aquilo que supostamente deveria ser. O amor carrega muitas vertentes, transforma os espíritos e altera os estados de alma, seja pela sua presença ou pela falta dela. É completo e incompleto, leva à felicidade ou à infelicidade, perfeito em momentos raros, imperfeito no restante tempo. Saber-se-á muito sobre o amor mas dificilmente saber-se-á o que realmente é, porque o amor é pessoal, é feito à medida de cada um, vestindo muitas formas e a percepção do mesmo nem sempre é clara e cristalina, porque se fosse não teria mistério, nem seria trágico e cómico como tantas vezes é. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

...

A verdade é que somos imperfeitos. Talvez por isso procuremos a perfeição, nas grandes e nas pequenas coisas, mas sempre com a noção de que nunca a vamos conseguir obter em pleno. Por isso habituamo-nos a pouco, a parte, mas nunca ao todo e consideremos isso normal. Contudo, ainda que nos possamos resignar, não achamos justo, pelo menos no nosso intimo profundo, haverá sempre um desejo por realizar, um sonho por concretizar e tal mais não é que a perfeição que não se consegue alcançar. Por vezes somos iludidos ou iludimo-nos a nós próprios pensando que por alcançar parte é bom, mas com o tempo esse pequeno pedaço começa a saber a amargo e a sua doçura inicial vai-se esbatendo, até nada sobrar a não ser a reflexão minada de porquês, a qual, entra em conflito com a realidade possível que custamos tanto a aceitar, sendo essa a maior razão da nossa imperfeição, a eterna insatisfação da qual dificilmente nos conseguimos libertar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Da mudança da realidade


Há um momento em que a realidade se torna diferente. Não é um momento pensado à priori, é apenas um facto consumado do qual se toma consciência a dada altura. O modo como pensamos, como encaramos as coisas altera-se quando confrontado com a memória de um tempo passado, que tanto pode ser longínquo como recente. A dificuldade maior é, nesses primeiros instantes, tentar digerir e discernir o que isso significa. E então olhamo-nos, uma e várias vezes, tentando perceber o que aconteceu, o porquê, se é que há porquê, o que somos, se somos ou ainda somos. Nesse momento buscamo-nos a nós mesmos, mas o problema é que já antes procurávamos sabe-lo, e agora, com a alteração a que fomos sujeitos de forma natural, baralharam-se novamente as cartas parecendo que tudo o que antes tínhamos por certo ficou em causa, porque olha-se para tudo com outros olhos, com outra visão, como se vislumbrássemos um novo começo que ainda assim sabe apenas e só a uma continuidade modificada.