quinta-feira, 21 de março de 2013

Das palavras #4



Por vezes temos imensas palavras a pulsar no nosso interior, desejosas de sair, prontas para se transformarem dessa massa etérea em algo concreto, definido, objectivo, preciso, mas o seu carácter abstrato, o seu peso e dimensão, em soma com o gelar do momento dão-nos a volta e dos lábios nada sai, a não ser um silêncio sem nexo ou a profusão de outros tantos verbos sem qualquer sentido enquanto escutamos no nosso peito os gritos aflitos daquilo que quer sair e para sempre se dilui na nossa memória.
Por vezes dizemos imensas palavras, frases inteiras, quase uma narrativa completa, exprimimo-nos sem parar numa torrente dinâmica que parece inesgotável para depois percebermos que aquilo que dizemos não tem sentido, não tem valor, são apenas palavras cruas e ocas, sem profundidade ou substracto subjacente, expelidas apenas para que o silêncio não se imponha, e a realidade que daí deriva acaba quase sempre por ser enfadonha.

1 comentário:

GATA disse...

As minhas palavras do momento são as mesma do Achmed the Dead Terrorist: "Silence!... I Kill You!" 'dedicadas' a uma certa criatura.