sexta-feira, 12 de abril de 2013

Da beleza




A beleza provoca sofrimento. A beleza que não temos e gostaríamos de ter interna, externa, em nós ou pelos outros, a beleza que estes têm que nos cativa e gostaríamos de a ver partilhada connosco. A beleza é mais do que aquilo que os olhos alcançam, é também aquilo com que sonhamos, que inferimos depois de os olhos terem recolhido a imagem. A beleza é relativa, é abstrata, mas há pontos que não deixam ninguém indiferente e suscita invejas, ciúmes, pensamentos negativos a par de positivos. Sofre-se por pensar-se que não se tem, por de facto não se ter em todos os termos, desde os físicos e reais aos metafísicos e surreais. A beleza suscita guerras, suscita ódios, depressões e ilusões e tão constantemente destrói a lógica, o raciocínio, mas também, e por essa via, é construída, é aspirada e é definida. A beleza faz-nos sentir sós, chama a nós a solidão, chama a nós a angústia por tantas vezes apenas e unicamente se poder apenas sonhar com a mesma, porque tê-la, obtê-la ou construi-la é um projecto difícil de concretizar dadas as dificuldades em acreditar.

2 comentários:

hierra disse...

Não é preciso ser-se belo para suscitar inveja, basicamente quando há alguém invejoso, ele tem inveja de tudo e mais alguma coisa, pode até ser de uma coisa ridícula que não tem valor ou importância, mas eles têm inveja!

GATA disse...

Do que eu me livro por não ser bela...!

Mas concordo com a ideia da Hierra.