quarta-feira, 17 de abril de 2013

Prazo de validade


Passar do prazo é perder a qualidade, ficar estragado, impróprio para consumo ou então é simplesmente uma forma arbitrária de pôr algo de parte que na verdade está igual ao que sempre foi. Passar do prazo é ficar mais barato, estar à vista para ninguém querer, é ser substituído por outro e ser metido no lixo ou dado a quem não pode escolher. Passar do prazo é ganhar pó, é ser algo que ficou na prateleira, esquecido ou preterido para depois ficar sempre como símbolo daquilo que não se consumiu num estado que por si só limita qualquer outro estado, porque se ultrapassou a vigência da utilidade, do vigor e do objectivo. Passar do prazo é não ter futuro, é não poder voltar atrás, é ficar condenado a deixar de ser, porque só se pode ser dentro do prazo, dentro do tempo definido para o efeito, num arco que varia conforme cada coisa, além do qual aquilo que se é transforma-se noutra coisa, em algo que muitas vezes já não é produto mas sim subproduto, resíduo do mesmo, matéria alterada e imprópria tanto por força da sua própria orgânica como por força daquilo que se considera ou se pode considerar.

4 comentários:

S* disse...

Os produtos passam do prazo, os humanos têm sempre a possibilidade de se regenerar.

hierra disse...

Passar o tempo leva algumas qualidades, mas ganham-se outras!

GATA disse...

Hummm... eu acho que já passei do prazo... mas sou tipo carro de colecção - já não há peças originais, e tal, mas sou estou bem estimada! :-)

A Minha Essência disse...

Passar de prazo é ganhar experiência, não? ;)