segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sem palavras



Diversas situações deviam ocorrer sem palavras. Deviam surgir no meio de um silêncio, de um entendimento tácito, onde apenas os olhos e o gesto debitassem toda a informação, todo o sentido, toda a intenção, sem que nenhuma outra forma de comunicação fosse necessário, quiçá, a existir, só atrapalharia, só desvirtuava e o entendimento perdia-se no meio do nada. Contudo para tal acontecer seria necessário haver dois mundos, duas galáxias, dois universos, que confluíssem no mesmo sentido, na mesma trajectória, sem hipótese de desvio ou de falha, que raspassem um num outro à falta de melhor de modo a que um se apercebesse da existência do outro ou ambos se apercebessem da existência de cada qual. De outro modo tudo se reduz a um ruído, produzido à distância, como um grito que mal se ouve, como uma miragem que se julga ver, num esforço que sai gorado, onde o querer ser, o querer parecer, resume-se tantas vezes a um verbo que mais não é que uma energia repulsiva, que a tudo espanta, que tudo afasta ao invés de encontrar e sobretudo aproximar.

2 comentários:

hierra disse...

Em muitas ocasiões, o silêncio é de ouro!

GATA disse...

Hum... essa do grito que mal se ouve não se aplica à minha queda na sexta-feira 'santa'... eu acho que até os pinguins da Terra do Fogo ouviram o meu grito!