sexta-feira, 17 de maio de 2013

Da pesca


Há pesca andamos todos. Os que o afirmam sem problemas, os que o afirmam com rodeios e os que com rodeios acabam por nega-lo. Há quem saiba do que anda à pesca, mas a maior parte pensa que sabe mas não sabe, fora aqueles que julgam não andar à pesca mas inconscientemente andam. Alguns sabem escolher o isco conforme as circunstâncias, a força das marés e aquilo que querem apanhar, mas a maior parte escolhe o isco à sorte e é à sorte que lançam a linha a ver o que sai ou não sai pouco preocupados que estão com o resultado final. Para outros basta-lhes o isco somente, mas uma  boa parte pensa que a escolha do equipamento é que faz a diferença, mais do que o isco, o engenho e a sorte. Há quem pesque em conjunto sem pensar que depois terá de levar com a inveja e até mesmo com o desentendimento. Há quem pesque sozinho, às claras ou na escuridão, da mesma forma que há quem se julgue a pescar mas está é a ser pescado. Na pesca há apenas uma regra, paciência, mas nem todos têm essa paciência, muitos desesperam, muitos querem e não conseguem, outros porém conseguem apanhar sempre algo de cada vez que vão à pesca, pescando de tudo ao ponto de se enjoarem. Depois há os que também conseguem apanhar algo, mas não aquilo que querem e vêem-se na tragédia de só pescar o que os outros não querem, aquilo que deitam fora, ou somente aquilo que são os antípodas do que gostariam de apanhar um dia. Alguns pescam uma vez e desistem, outros mantêm-se activos mesmo quando já apanharam algo ao passo que tantos pescam e voltam a pescar sem nunca apanhar nada a não ser um grande enjoo. A pesca é um mundo onde alguns se safam, outros julgam safar-se, alguns dão apenas banho à minhoca e onde tantos outros se gabam do que já pescaram sem no entanto nada terem pescado.

1 comentário:

GATA disse...

Eu não ando, mas se andasse... não pescava nada!