sexta-feira, 21 de junho de 2013

Coisas dos tempos #3


O antigamente tinha muitas coisas más ou menos boas. Havia mais falso moralismo (se bem que hoje também haja às bandejas), menos liberdade em termos sociais e muito recorrentemente nascia-se, vivia-se e morria-se no mesmo sítio sem se conhecer o mundo ou a expressão humana em todo o seu esplendor em termos de cultura. Contudo havia algo que hoje falta. Fibra. E essa fibra era com um certo tipo de barbarismo anti-civilizacional, que colocava de lado as normas jurídicas mas não as normas sociais que se entendiam como fundamentais e acima de qualquer outra coisa. Desse modo uma ofensa, a defesa da honra era feita ali, de punhos arregaçados, entre murros e pontapés, tiros e facadas, pauladas e chapadas até que uma das partes cedesse, caísse ou pedisse desculpa. O problema ficava sanado e ficava o sinal que se voltasse a haver semelhante acontecimento garantidamente o desfecho seria esse, ou então passar uma vergonha que nos condenaria publicamente para o resto da vida. Hoje em dia não é assim. Por um lado ainda bem, mas por outro, nas coisas mais minúsculas deveria ser. Hoje ameaça-se, apela-se à justiça, sabendo quem anda bem guardado e tem os bolsos fundos que terá sempre vantagem contra quem nada tem a não ser a razão, a verdade e a raiva. De alguma forma hoje apela-se ao que dantes era tido por covardia e quem o faz esconde-se por baixo da lei considerando que dessa forma não está a fugir, que está a ir à luta, mas o certo é que só vai à luta porque pode, porque tem meios para tal e dá chapadas de 1300 euros achando-se que o maior do recreio, o vencedor no ringue. É certo que a luta é uma coisa feia de se ver, que ninguém tolera o excessos dos bully's, mas de alguma forma inventou-se outra forma de bullying, aquele que se joga no xadrez da lei, onde as forças são desiguais à partida, onde o pé de igualdade jamais será alcançado, e se dantes havia sempre um vencedor e um vencido, o vencido seria vencedor se conseguisse mostrar somente coragem perante o a força bruta do outro, se não recuasse ou escondesse, se não pedisse ajuda e enfrentasse de peito aberto tudo o que o outro tinha para dar. Agora invertem-se os papéis, e aqueles que são fuinhas, os que usavam os irmãos mais velhos ou a batota parecem sair vencedores e os caídos ficam mesmo caídos sem hipótese de revidar na mesma moeda, mas ainda assim vencedores no plano moral mesmo que a lei diga o contrário. Nestas e noutras coisas fazia falta essa fibra dos velhos tempos, essa fibra que era uma vigia implacável entre a sociedade, que ditava que para uma acção haveria uma recção igual ao invés temos estas mariquices que alguns olham como a melhor coisa jamais inventada porque nunca tiveram fibra para serem homens e serão para sempre os eternos covardes que aos ombros dos capangas continuam de peito cheio a vociferar tudo o que querem, a esquecerem-se que um dia poderão cair desse pedestal e depois terão de enfrentar tudo aquilo que nunca enfrentaram na vida, por covardia e sobretudo por manhosice. 

1 comentário:

Utena Marques disse...

Faz falta sim umas boas lambadas