quarta-feira, 19 de junho de 2013

Da solidão #2


A solidão começa e acaba no pensar. No pensar sobre aquilo que não se tem, naquilo que nunca se teve ou no que se teve e perdeu. No pensar que nunca se terá, no que não poderá vir a ser ou no que jamais será. A solidão alimenta-se do sonho, do sonho que apenas se pode sonhar, longe de qualquer realidade concreta e definida, distante de tudo o que são os outros, perto, demasiado perto daquilo que somos nós. A solidão não se esquece ainda que por vezes pareça ter sido esquecida, reencontra-nos quando da mesma parecemos andar fugidos, rodeia-nos sem nos dar tréguas, porque dificilmente nos conseguimos dela esconder e facilmente somos capturados novamente. A solidão pensa-se, pensa-se quando olhamos e vemos o que há à nossa volta, pensa-se quando baixamos a cabeça e vemos apenas a nossa sombra e o suspiro que exalamos mais não é que a nossa respiração. A solidão pensa-se mas não se imagina, porque está-nos cravada no pensamento e somente quando deixarmos de pensar na mesma é que nos podemos da mesma libertar.

3 comentários:

GATA disse...

Sobre a solidão, há uma frase que li há muitos anos em Madrid e cujo o autor desconheço mas que me acompanha desde então: "la soledad no es cuando uno se va, es cuando uno no vuelve"...

hierra disse...

Nem deixando de pensar na mesma nos libertamos dela porque em rigor está lá. Eu sempre achei que é melhor viver só que mal acompanhada e continuo a achar mas a solidão não é fácil de suportar, nada mesmo. Mas em rigor o homem enfrenta sempre sozinho o seu destino, pelo menos pessoal, logo a solidão é inerente!

S* disse...

É algo que me assusta, por isso tento valorizar as pessoas que tenho.