sexta-feira, 14 de junho de 2013

Do medo e da vergonha


Só perdemos o medo e a vergonha, quando, por medo e vergonha, em somatório ou em separado, perdemos ou deixamos de fazer algo que gostaríamos de ter ou fazer. Depois de tal ter acontecido é que ganhamos garra, é que abrimos os olhos e nos revoltamos contra nós próprios, porque quando se perde fica-se com a ideia que já nada se tem a perder novamente e por isso não se pensa em arriscar, pensa-se antes em fazer e pronto. No entanto isto do arriscar ou não, isto de enfrentar os medos e ultrapassar a vergonha que nos asfixiam os movimentos, a língua e as decisões são um peso que carregamos, mesmo que mais tarde possam ser justificados como a nossa defesa contra o mundo, contra problemas maiores, contra o possível remorso e disparate, acaba sempre por ser algo que se ultrapassa, mas somente num momento, num único momento, quando nos erguemos da sombra da culpa por nos termos acobardado, quando recuamos e perante essa memória fresca lançamos o grito da revolta. Mas o problema é que tal grito, quando é vociferado acaba por se perder num deserto de oportunidades, no meio de um nada sem por isso ter aproveitamento e depois, com o passar do tempo, a memória desvanece-se, a força recua e perante uma situação inusitada não sabemos reagir e volta o medo, volta a vergonha, volta a cobardia e a falta de atitude para saber desatar os nós e atingir a vitória.

2 comentários:

GATA disse...

Eu tenho mais medos que vergonhas. Mas isso não significa que seja desavergonhada, ok?! :-)

S* disse...

Eu sou muito envergonhada e um pouco medrosa... é complicado.