quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dos sonhos #4


Os sonhos também se sonham, porque sonhar os próprios sonhos remete-nos para o tempo em que os mesmos eram construídos, edificados e bastava sonhar para que os mesmos parecessem realidade, ali, à nossa frente, palpáveis, o que nos deixava um brilho nos olhos, resplandecentes, desejosos pelo amanhã, contentes com um agora que é no momento passado algo longínquo. Talvez por isso, no futuro que é hoje nos deixamos encantar, ao sonharmos com aquilo que sonhámos, fazer viver na confusão das nossas ideias histórias que nunca se viveu, mas com as quais se sonhou num tempo e espaço definido. Sonhos esses que valiam por si só, que valiam mais do que alguma vez poderíamos supor. Sonhos inocentes, projectados pela nossa esperança incandescente para a qual não havia barreiras, que nos faziam grandes, gigantes até, capazes de tudo, num mundo que era nosso e só nosso para descobrir e conquistar. É verdade que no hoje ainda se fabricam novos sonhos, mas não têm a candura ou a força que tinham aqueles que num momento específico do passado costuramos nas chamas do nosso âmago, que pareciam labaredas vivas a contorcerem-se à nossa frente e por isso ficaram cravadas na nossa mente, na nossa história, para servirem como agora servem, apenas e só, para lembrar e sonhar com aquilo que se sonhava, pelo prazer que tal dava, pela realidade virtual aos nossos olhos que os mesmos teciam, pela esperança da qual transbordavam e alimentavam. 

2 comentários:

S* disse...

Prefiro sonhar pouco e viver mais.

GATA disse...

Sonhar inconscientemente, sonho muito (tanto que não durmo descansada...) Quanto aos sonhos conscientes, deixe-me disso no século passado! Ah, mas não dispenso um sonho de Natal!!! (Colesterol? Qual colesterol???)