sexta-feira, 19 de julho de 2013

Do Verão


O Verão, diz-se, é uma época que transporta consigo luz, calor, férias, todo um rol de coisas positivas, as quais parecem iluminar alguns e saciar outros. Para mim o Verão transporta-me para um passado risonho, para um tempo que vivi, mas sobretudo para um lugar onde nunca estive e para vivências que nunca tive. O Verão parece transportar essa esperança de que se algo está para acontecer será agora e não noutra altura qualquer, como se uma conjugação astral de tratasse. Mas, com o decorrer dos anos o Verão começa sempre da mesma forma, carregado de promessas, a maior parte das quais subjectivas, para depois acabar e quando se olha para trás apenas se vê um deserto, uma ilusão do que poderia ter sido e não foi, porque nada chegou a haver, a não ser o sonho soprado pela memória de dias longos e quentes. E, desta forma, o Verão acaba por ser olhado com desconfiança, mais ainda quando de forma espontânea se começa a sentir novamente todo aquele calor de pouca dura, tanto no corpo como no espírito, materializando-se nessa esperança que a luz da experiência revela como vaga e vã. Assim olha-se e sente-se o Verão como uma ilusão, da qual se quer tirar apenas e só aquilo o que há para tirar, tentando evitar-se tudo o que a mais ele carregue, porque sabe-se o que o mesmo tem um principio e um fim, sendo que pelo meio muito se poderá esperar mas nada por certo ficará para além dele.

1 comentário:

GATA disse...

Para mim, o Verão Azul acabou em 2001...