sexta-feira, 22 de março de 2013

Constatação #65



As pessoas são mais aquilo que fazem e acabam por ser, do que aquilo que dizem ser e querem parecer.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Das palavras #4



Por vezes temos imensas palavras a pulsar no nosso interior, desejosas de sair, prontas para se transformarem dessa massa etérea em algo concreto, definido, objectivo, preciso, mas o seu carácter abstrato, o seu peso e dimensão, em soma com o gelar do momento dão-nos a volta e dos lábios nada sai, a não ser um silêncio sem nexo ou a profusão de outros tantos verbos sem qualquer sentido enquanto escutamos no nosso peito os gritos aflitos daquilo que quer sair e para sempre se dilui na nossa memória.
Por vezes dizemos imensas palavras, frases inteiras, quase uma narrativa completa, exprimimo-nos sem parar numa torrente dinâmica que parece inesgotável para depois percebermos que aquilo que dizemos não tem sentido, não tem valor, são apenas palavras cruas e ocas, sem profundidade ou substracto subjacente, expelidas apenas para que o silêncio não se imponha, e a realidade que daí deriva acaba quase sempre por ser enfadonha.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dos enganos


Diversas vezes, senão muitas, somos enganados. Os motivos são vários da mesma forma que os autores e as razões que conduzem ao engano. Sejamos nós, sejam os outros, com noção, sem noção, qualquer das formas podem traduzir-se num engano quando acreditamos, quando nos fazem acreditar em algo para depois nos tiraram o tapete debaixo dos pés. No entanto a maior parte dos enganos acontece em relação aos outros e na nossa relação com os outros, se bem que cabe também a nós decidir à partida se nos vamos ou não deixar enganar, ainda que por vezes seja impossível cair nesse tipo de pensamento onde a desconfiança pode muito bem transformar-se em pura paranoia. Em oposição a isto, fácil é colocarmos a culpa nos outros, mesmo quando todos os sinais estão à vista mas não os conseguimos ver ou destrinçar, talvez porque não queremos ver ou porque nos recusamos até a olhar. Causas para os enganos podem ser muitas da mesma forma que o próprio engano pode conduzir a outro engano e assim sucessivamente, num espiral que acaba por norma sempre mal. Indiferentemente do tipo de engano, da culpa pelo mesmo, aquilo que nos distingue uns dos outros não é o cometermos mais ou menos enganos mas sim a forma como acabamos por lidar com os mesmo, porque aí reside o âmago da questão mais do que qualquer outra coisa.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Natural ou artificial



Pergunto-me se as mulheres que têm mamas naturais bem feitos reagem mal quando são acusadas de terem sido recauchutadas com silicone. Esta desconfiança e acusações parte tanto da parte das outras mulheres como dos homens, se bem que para os homens o que conta é mais o resultado final e não tanto se é ou não é fruto de algum artista plástico com curso de medicina. As mulheres sabe-se que criticam por inveja, por ciúme ou simplesmente por serem descrentes ou somente para falar mal mais do que outra coisa. Os homens no entanto perdem-se em divagações filosóficas sobre o assunto, se bem que também podem ocorrer apostas entre eles nesse sentido de forma a averiguar quem melhor sabe tirar as medidas, quem melhor sabe identificar em todo o seu esplendor essas formas femininas e até pode haver preferências, mas de uma forma ou de outra dificilmente deixam de reparar em tais "assuntos". Mas, voltando ao ponto inicial, independentemente de serem acusadas ou não, as mulheres cuja natureza agraciou de uma forma digna de nota terão provavelmente orgulho e sentir-se-ão afortunadas por terem aquilo que tantas, de uma forma, e tantos, de outra forma, almejariam. Já o facto de poderem ter de lidar com a desconfiança alheia no que toca à sua sorte, dependerá por certo da personalidade de cada uma mais do que outra coisa. Quanto aos homens há preferências, pois claro que há, uns gostam mais de uma coisa, outros preferem outra, mas para eles o que vier à rede é peixe e não se discute o que se consegue apanhar, discute-se antes aquilo que não se apanha!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Constatação #64



Uma coisa é não termos feito algo porque não quisemos.

Outra coisa é não termos feito algo porque não pudemos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O sagrado e o profano

Uns têm Papa.
Outros têm Troika.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Das expectativas #2



Olhando para trás vejo aquilo que no fundo toda a gente sabe, que tudo o que acontece de bom na vida acontece por acaso ou naquele dado momento sem que grandes ponderações anteriores tivessem sido feitas. Se foi no momento certo ou no momento em que tinham de ocorrer não sei, só sei que ocorreu sem que grandes expectativas tivessem sido geradas. Depois, nas fases mais nebulosas, parece que há uma procura incessante para replicar, duplicar ou simplesmente para procurar algo de novo que possa igualmente mostrar-se como positivo e marcante, o que raramente acontece, ou se acontece ocorre sem o sabor que esperaríamos obter, ao invés temos a ideia de algo forçado, de algo esperado, de algo que acaba por perder o gosto porque havia uma expectativa que reduz tudo isso a algo agridoce. Mas, quando andamos num deserto onde nada acontece, nada surge, acabamos por sentir a sombra do desespero a pairar e como método de sobrevivência, seja de forma voluntária ou involuntária, acabamos por criar expectativas, acabamos por tingir esses sonhos do dia seguinte, do momento a seguir, esperando que no meio de algo que se faça de forma a quebrar a rotina algo possa suceder, algo que nos traga esperança e quebre a monotonia. Contudo sabemos que essa pequena faísca, esse pequeno pensar é por si só uma armadilha que irá afastar qualquer coisa de surgir, isto porque já não poderá ser espontânea. Daí seria necessário não pensar, mas não pensar é tão difícil como ficar em apneia.