segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Do ser

De pouco adianta ser, quando não se consegue ser sempre ou no momento adequado. Não que não deixemos de ser sempre, mas nem sempre o conseguimos demonstrar da melhor forma. Muitas vezes acabamos por querer ser sem irmos directos ao assunto, damos voltas e mais voltas, fazemos parábolas, utilizamos metáforas, porque tememos queimar todo o pavio num curto espaço de tempo. Depois perdemo-nos, fechamo-nos em labirintos dos quais não conseguimos sair e acabamos por desperdiçar oportunidades que não se voltam a repetir. Ser é por isso também determinado, pelo tempo, pelo espaço, pelo modo como os astros se alinham naquele momento, mas acima de tudo pelo objectivo que queremos alcançar e aí nasce uma revolta interna, a qual, tantas vezes acaba por nos transformar no oposto do que somos, não por vontade própria, mas como uma reacção estúpida que não conseguimos controlar ou explicar. Depois há também quem nos olha, quem nos quer perceber, se tem paciência ou percepção para ver mais além, para ver até mais daquilo que somos, do que pensamos ser e sobretudo daquilo que não somos e estamos de forma inconsciente a querer esconder. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Do marasmo

Cair no marasmo é fácil. Tão fácil que não se cai, escorrega-se nele, deixando-se ir até que o mesmo nos consuma por completo, mas no nosso entender somos nós que o consumimos a ele, embora tal seja uma falácia na qual nos gostamos de acreditar. Depois, pior é sair do marasmo, libertarmo-nos do mesmo e sabendo à partida o quanto custa tal escalada tentamos sempre não cair, ainda que escorregando para dentro do mesmo. Tal situação acontece com o marasmo como em tantas outras coisas por um sentimos por vezes necessidade dele, mas nos purgarmos mas por outro sabemos o quanto perigoso o mesmo na medida que nos vicia e nos encerra as saídas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sim, eu sei que sou do contra!

Aqui há uns tempos uma colega de trabalho argumentava que as mulheres são tão capazes como os homens, que em muitos casos essa igualdade não é manifesta em diversos aspectos. Até aqui eu não tinha nada contra, no entanto salientei que de facto há trabalhos em que das duas uma, ou as mulheres dedicam-se ao culturismo e ficam com um bícepe maior que a minha coxa, estando igualmente na disposição de se sujarem e terem as mãos feitas num oito de tão gretadas e inchadas ou então não conseguiriam igualar os homens em certos trabalhos. O que fui dizer. Começou a olhar-me de soslaio e disse-me logo que isso não era bem assim, que se havia certos trabalhos que não eram feitos por mulheres tal devia-se, simplesmente e só, ao modo monopolista como os homens não permitem que elas os façam. Fiquei com a ideia que não estávamos a falar do mesmo, mas adiante, quando fomos a passar uma porta não a deixei passar à frente, depois noutra porta, mais uma vez não a deixei passar à frente de propósito, até que finalmente ela me diz:
- Bolas isso é que é cavalheirismo!
Ao que eu respondi um tanto assarapantado:
- Então mas não querias ser tratada de forma igual aos homens? Pensei que cavalheirismo era uma forma de machismo!

Ficou a olhar para mim visivelmente irritada. Pois é, vá-se lá perceber as mulheres!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

...

A realidade fere-nos. Abrimos os olhos e observamos tudo ao nosso redor, fazemos comparações, tecemos conclusões, criamos ilusões, tudo para perceber que não conseguimos escapar de certos desígnios, daquilo que somos, do nosso passado, dos nossos erros, das nossas vitórias. Acaba tudo por ser uma síntese mas que em nada nos ajuda, porque por muita consciência que possamos ter de nós próprios e da nossa vida não nos conseguimos mudar ou mudar o que sentimos, pelo menos assim, com um estalar de dedos, leva tempo, existem muitos obstáculos, alguns deles impossíveis de ultrapassar e mesmo quando tal acontece não é garante para chegarmos onde queríamos, porque tudo aquilo que se avizinha, seja em nós, seja há nossa volta é, e sempre será, uma incógnita, perfeita e redonda. Depois, quando pensamos que chegamos a algum lado acabamos por perceber que talvez não saímos do mesmo sítio, passou o tempo, mantém-se o esforço, mas nada muda, tudo se transforma, mas por dentro, por dentro somos os mesmos e por fora a realidade permanece parecida, diferente nos pormenores, mas igual no geral.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Elas


Pergunto-me se elas sabem ou têm noção. Se sabem por completo ou de forma incompleta. Se sabem sem saber ou se sabem sem nunca dizer ou dar a entender. Se não sabem realmente porque estão noutro universo, noutra órbita e aquilo que são as nossas dúvidas, as nossas esperança, são apenas nada naquilo que elas pensam. O certo é que nunca se chegará a saber, nunca se saberá por completo, mesmo quando se julga saber. Será que sabem, que notam, que pensam, nem que por um segundo, sem corantes e conservantes, será que sabem ou têm a noção daquilo que somos, que sentimos, do que pensamos ou será que disfarçamos tão bem assim como elas disfarçam, se é que disfarçam. O mistério residirá, porque nós pensamos de uma forma, muita vezes manifestada além do olhar, mas elas, elas pouco se manifestam, ou quando o fazem é de uma forma superior, como que a dizer que têm o poder e a decisão. Mas fora isso, será que sabem, será que têm a noção da nossa existência e daquilo que delas pensamos?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

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Há muitas coisas com as quais sonhamos num momento ou noutro da nossa vivência. Coisas que gostaríamos de um dia viver, ver ou sentir, mas tudo isto sempre com pés bem assentes na terra, sem grandes ilusões, porque ao mesmo tempo não nos preocupamos muito com tal, devido à distância ou simplesmente pelo facto de encararmos como uma impossibilidade. Há quem se vá abaixo por esse facto, por perder essa esperança que um sonho se possa concretizar, mas a maior parte, julgo eu, cai numa racional e resignada forma de encarar os sonhos apenas como sonhos, ficando feliz somente por poder sonhar os mesmos, servindo isso de escape a tudo o resto, a vida que se leva. Também há quem diga que é preciso lutar pelos sonhos, que é preciso fazer de tudo para os tornar realidade, mas nem todas as coisas são passíveis de lutar por, muito depende somente de estar no lugar certo à hora certa ou somente por esperar pelo momento certo, isto tendo sempre a esperança que o tal vá ocorrer, quando não se sabe, se acontecerá mesmo, também não, mas espera-se apenas. Mas esperar desespera, pensar muito sobre um assunto enlouquece, por isso o melhor é mesmo não pensar nem esperar, viver apenas o que se tem a viver, tentando manter o equilíbrio entre a esperança e a desilusão, guardar cá dentro, fechado a sete chaves toda e qualquer esperança para que a mesma não nos domine por completo evitando assim a força destrutiva da desilusão.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Fórmula simples para acabar com a crise em Portugal

Primeiro Passo - Seleccionar os alvos e restantes problemas:


Segundo Passo - Seleccionar o método:

Terceiro Passo - Seleccionar o executante e demais intervenientes:
                               Francesco Schettino - último comandante do Costa Concordia

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Cinco moças jeitosas de Leste

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E pronto, é isto! Diz quem sabe que esta combinação é infalivél!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Hábito


Chega-se a um ponto em que nos habituamos. Habituamos a resignar-nos, a ter aquilo que temos e sonhar apenas, sem desejar mais ter porque isso, sabemos, é impossível, ou pelo menos assim pensamos. O hábito é uma rotina, uma rotina que aprendemos durante um tempo, até que a mesma se entranhe na nossa pele, no nosso pensamento, no modo de vermos e pensarmos as coisas. Pode-se dizer que tal é o fim do sonho, enquanto figura que nos impulsiona de forma subterrânea, que nos alimenta o fogo secreto de querer algo, de ansiar por mais, mas o sonho transforma-se, apenas e só em algo estéril, em algo para onde fugimos e resguardamos, longe de pensarmos que o mesmo pode vir mesmo a ser algo. Desse modo ficamos à mercê de tudo o que nos rodeia, ao passo que o esforço que fazemos é apenas caminhar por essa linha que conhecemos até que a mesma acabe ou que alguma coisa nos retire da mesma.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Do amor #7

O amor. Tanto se fala do amor, mas pouco se descobre sobre o mesmo. Tecem-se sobre ele poemas, narrativas, epopeias, canções, delírios, tudo e mais alguma coisa, mas ninguém o sabe definir a não ser pela palavra pelo qual se conhece ou por aquilo que se sente e não se sabe explicar. Vagueia entre o mistério, entre o antagónico, confunde-se com tantas outras coisas e tantas outras coisas se confundem com ele, misturam-se e temperam o mesmo da mesma forma que o azedam e destroem. Todos o querem encontrar, mas é ele quem nos procura, porque quem o procura não encontra e quem o encontra tem dúvidas se o mesmo é aquilo que supostamente deveria ser. O amor carrega muitas vertentes, transforma os espíritos e altera os estados de alma, seja pela sua presença ou pela falta dela. É completo e incompleto, leva à felicidade ou à infelicidade, perfeito em momentos raros, imperfeito no restante tempo. Saber-se-á muito sobre o amor mas dificilmente saber-se-á o que realmente é, porque o amor é pessoal, é feito à medida de cada um, vestindo muitas formas e a percepção do mesmo nem sempre é clara e cristalina, porque se fosse não teria mistério, nem seria trágico e cómico como tantas vezes é. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

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A verdade é que somos imperfeitos. Talvez por isso procuremos a perfeição, nas grandes e nas pequenas coisas, mas sempre com a noção de que nunca a vamos conseguir obter em pleno. Por isso habituamo-nos a pouco, a parte, mas nunca ao todo e consideremos isso normal. Contudo, ainda que nos possamos resignar, não achamos justo, pelo menos no nosso intimo profundo, haverá sempre um desejo por realizar, um sonho por concretizar e tal mais não é que a perfeição que não se consegue alcançar. Por vezes somos iludidos ou iludimo-nos a nós próprios pensando que por alcançar parte é bom, mas com o tempo esse pequeno pedaço começa a saber a amargo e a sua doçura inicial vai-se esbatendo, até nada sobrar a não ser a reflexão minada de porquês, a qual, entra em conflito com a realidade possível que custamos tanto a aceitar, sendo essa a maior razão da nossa imperfeição, a eterna insatisfação da qual dificilmente nos conseguimos libertar.