quinta-feira, 31 de outubro de 2013

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O tempo passa de forma aflitiva, correndo como um selvagem sem destino e nós esperamos, aguardamos por uma mudança, uma ocorrência, agarrados a uma esperança que diminui a cada dia que passa, projectando futuros que sabemos serem cada vez mais impossíveis. Não desistimos, mas é cada vez mais difícil continuar, manter a cabeça fora de água e sobretudo acreditar. A espera torna-nos amargos, mas pior que isso é o facto de não podermos mais alterar as coisas, não conseguirmos controlar uma parte do universo, dobra-lo ao nosso gosto, para, ao invés, ele rir-se na nossa cara, usar-nos como marionetas a seu belo prazer, construindo assim a tragicomédia  que acaba por ser a nossa vida. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Do que somos e não somos

Aquilo que somos e não somos, dificilmente se resume numa ou meia dúzia de palavras. Por vezes queremos sintetizar a nossa essência, o nosso perfil, mas sempre que o tentamos fazer acabamos por produzir uma pálida imagem ou simplesmente uma imagem totalmente oposta. Da mesma forma podem os outros fazer-nos essa mesma caracterização, mas quando são eles sentimos quase sempre que não nos conhecem o suficiente e muito menos nos compreendem. Isto não quer dizer que não possamos por vezes ser caracterizados com uma única expressão, mas tal aplica-se somente a um momento, a uma situação específica e mesmo nessa podemos reagir de uma forma que totalmente inesperada, até para nós. No fundo aquilo que somos e não somos nunca será desvendado por completo, tanto em relação aos outros como a nós próprios. O grande problema dá-se quando uma única acção, positiva, negativa ou mesmo neutra, acaba por nos classificar para sempre, sem perspectiva de que a mesma foi um momento isolado, passando a ser uma continuidade aparente. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Possível e impossível

O impossível queremos sempre, de alguma forma, nem que seja em sonhos, mas, como sabemos, nunca o vamos obter, ou se tal acontece só mesmo de alguma forma praticamente milagrosa mas pouco provável. Por isso dedicamo-nos ao possível, mas dentro do possível há também o impossível, porque muitas vezes este último mascara-se de possível somente para nos iludir. Dessa forma nem sempre aquilo que pensamos ser possível o é verdadeiramente. Logo só é possível aquilo que conseguimos verdadeiramente, não aquilo que pensamos à partida ser, porque tal poderá mesmo ser apenas e só mais uma forma de impossibilidade. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Constatação #75

Por vezes para atingir algo somos obrigados a dar tudo o que há em nós. O grande problema é que, ao se dar tudo, também revela muitas vezes o pior que há em nós.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ser decente

Ser decente é bonito, politicamente correcto e até atractivo.  Serve para evitar amargos de boca, problemas de consciência e sobretudo confusões. Mas, ainda assim, porque há sempre um mas em tudo, há momentos em que gostaríamos de deixar a nossa decência de parte, arriscando o oposto, jogar o barro à parede na esperança de obter algo, que pelo caminho da decência não iríamos obter de todo, na medida que por essa via recusam-se certas atitudes. No fundo ser decente deveria deixar-nos por si só de consciência tranquila, mas nem sempre tal acontece por completo, porque ser decente é também, muitas vezes, o contrário de arriscar. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Síntese

Todos buscamos a síntese. A síntese do momento, de um ano, de uma época ou ciclo. A síntese de uma continuidade, o ponto de chegada, o espaço de acalmia onde nos pudemos debruçar e respirar fundo. Sem que tal aconteça, ou quando tarda em acontecer, não conseguimos senão desesperar, estar constantemente à procura, a lutar sem saber a razão, o porquê ou se devemos continuar. Sínteses existirão muitas ao longo da nossa vida, cada uma delas será o fim de uma etapa e o começo de outra. Por isso uma síntese não tem de significar o fim, é antes e também o princípio. Mas quando se caminha sem que surjam estas pequenas conclusões, sem que não chegue, que não se alcance, sempre à espera do que tarda, renovando e inovando o que somos, o que fazemos, acabamos por pensar que não há um fim à vista, um balão de oxigénio, algo que nos explique se aquilo que fazemos serve para alguma coisa, algo que nos diga que um ciclo se fechou e outro se abre, uma conclusão de que é preciso partir para outra porque esta chegou ao fim. No fundo procuramos viver para atingir pequenas vitórias ou assumir derrotas, mas se a guerra se alonga já não sabemos se valerá a pena lutar pela mesma e nem o sabor da derrota conseguimos sentir, sentimos antes o sabor da dúvida que nos provoca angústia, o que acaba por ser, em síntese, a única coisa que temos dificuldade em derrotar. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A persistência da dúvida

A dúvida persiste, envolve e amarga nessa penumbra da qual se deseja fugir e por vezes esquecer. Mas pior do que a dúvida é a soma das mesmas, a união que nos ataca de todos os quadrantes, gerando mais desconfiança, receio e imobilidade. Sabe-se que é preciso lutar, fugir estrategicamente se necessário, mas é necessário fazer algo. Contudo, ao delinear-se o próprio plano, surgem novas dúvidas, mais algumas para se juntar a todas as outras, as iniciais, as do passado, do presente e do futuro, que de forma consistente formam essa conspiração com a qual nos debatemos sem uma saída à vista. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Constatação #74

Por vezes a dificuldade maior é conseguir sintonizar no comprimento de onda certo, mas mais difícil ainda é conseguir sintonizar e perceber o que isso significa.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

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É difícil olhar para dentro quando do lado de fora tudo parece ser uma guerra permanente. Dessa perspectiva tudo aquilo que temos dentro de nós parece tornar-se inofensivo, até mesmo patético, ainda que o possamos sentir como importante, mas somente pelos nossos olhos. Basta haver algo de concreto, de real, que se passe no cenário por onde todos circulam e vivam, para que aquilo que somos, os nossos pensamentos e problemas, pareçam tornar-se irrelevantes e até inadequados. Talvez por isso tentamos esquece-los, ignora-los ou contorna-los contrapondo em relação aos mesmos com altas doses de racionalismo e materialismo. Mas ainda que tal aconteça, o certo é que aquilo que não resolvemos dentro de nós, nunca nos deixará resolver o que quer que seja em que cenário for. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Passos Coelho respondeu aos portugueses

Respondeu? Ou será que fez campanha?
A responder só no banco dos réus, mas não pode, é primeiro-ministro, é político, é protegido, logo nunca responderá por homicídio de uma geração, por traição à pátria, por cumplicidade na corrupção, por protecção de oligarcas, por desgoverno, por culambismo ou por nunca ter feito nada na vida a não ser um parasita político e proteger as elites, as mesmas que o alimentaram. 
Por isso Passos Coelho nunca responderá, fará, enforcando cada vez mais o país, vendendo tudo, protegendo a corrupção e os parasitas que provocaram a crise, minando a justiça que já é manca por natureza e tudo a coberto daquele sorriso sonso, daquele ar falso de quem sabe parecer mas nunca será. E a justiça, essa, morrerá de fome, desnutrida, assim como o desejo de ouvir a resposta se há ao menos consciência de ter noção que é parte do problema e não parte da solução. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Da psique humana

Quando dizemos coisas da boca para fora, dizemo-lo num sopro, num repente, sem pensar muito sobre isso, apenas levados por um único e singular momento, que muitas vezes é a síntese de tudo embora possa não significar nada de concreto, apenas uma ideia, doida varrida, uma loucura passageira ou algo que poderá ser muito mais ou muito menos. Diz quem estuda estas coisas do cérebro e do comportamento que há um id, que está lá no fundo, fechado a sete chaves, que é o nosso lado mais verdadeiro e por isso não o deixamos respirar o ar da superfície, por receio, porque somos seres sociais, porque somos animais racionais ou simplesmente porque não sabemos lidar com ele e tememos que ele tudo controle. Então o id revolta-se e ataca-nos pelo castigo imposto, deixando-nos frustrados e baralhados porque simplesmente nos dá a conhecer a sua existência e nem sempre convivemos bem com ela.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Daquelas coisas #22


Perguntas a um adolescente se é feliz e ele vai-te responder que não, muito embora não saiba que nesse momento é a criatura mais feliz do mundo.
Perguntas a um adulto se é feliz e ele vai-te responder que sim, muito embora saiba que nesse momento é a criatura mais infeliz do mundo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Do olhar

Por norma reparamos mais facilmente naquilo que no meio de tudo nos atrai de forma mais instintiva. Tal é muitas vezes ilusório, roçando até o estereotipo, sendo propositado ou simplesmente tal como é, obrigando-nos a fixar por momentos a nossa atenção aí, excluindo ou fazendo esquecer tudo o resto que possa estar à nossa volta. Contudo essa mesma chamada de atenção raramente consegue captar muito mais do que isso da nossa parte, até pode ficar impressa na nossa memória por algum tempo, mas raramente acaba por se tornar me algo em concreto, porque aquilo que é concreto ultrapassa a pura atracção visual, também conta, mas envolve muitos mais factores, tantos quantos se possam conhecer e esses não estão à vista, estão para lá dela e difícil, mesmo difícil, é conseguir ultrapassar a cegueira inicial para se conseguir ter o dom de descobrir para lá daquilo que inicialmente se vislumbra.