sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Diferenças entre homens e mulheres #23


Com o frio, algo nos homens parece mirrar, ao passo que nas mulheres algo arrebita.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Da mentira e da verdade

Antigamente a mentira era uma coisa, a verdade era outra. Dois campos diametralmente opostos, dois campos antagónicos, ou era ou não era. Agora a mentira nem sempre é mentira, a verdade nem sempre é verdade e parece que há o receio de extremar uma posição, de ver apenas uma cor, pura e sem misturas. Ao que parece nada é absoluto mas elevar essa visão ao extremo acaba também por ser um extremismo. Existem coisas que são o que são, que não padecem de interpretações a não ser claro para tentar deformar aquilo que realmente são. Parece haver uma tendência de justificar que a mentira não é bem uma mentira porque há algo maior que permite que a mentira se torne no mínimo uma meia-verdade, da mesma forma que uma verdade nunca é totalmente verdade, porque se assim fosse seria muito mau e incomodaria muita gente. Parece-me que vivemos no mundo do mais ou menos, onde muitos adaptaram-se a aceitar a visão do assim-assim como algo natural, onde aquilo que é verdade e mentira nunca é bem o que aparenta, sendo antes uma nébula,  e ai de quem disser o contrário, porque tais são perigosos e ameaças, mas para essa classificação já não há tons de cinzento. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Constatação #77

Por vezes apetece dizer o que apetece fazer e dizemo-lo. O problema é que depois de o dizer vemo-nos compelidos a faze-lo, numa altura em que não já não temos vontade ou coragem para o fazer.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Apostar


Todos fazemos apostas. Seja conscientes ou inconscientes, seja de forma racional ou irracional. Uma aposta é uma escolha que se faz num determinado momento, perante uma determinada situação, mas sem nenhuma certeza ou garantia de que a mesma será a mais acertada e mesmo quando julgamos ter acertado, a médio e longo prazo acabamos por perceber que afinal deveríamos ter escolhido outro caminho. Raramente podemos voltar atrás numa aposta, porque muitas são definitivas, após uma escolha todas as outras deixam de ser validas ou executáveis. Tendemos depois a sonhar e a especular como seria, se outro caminho fosse tomado, se outra opção fosse escolhida, mas tais dúvidas apenas surgem quando a aposta que se fez não se saldou em sucesso, ou acabou por ser uma péssima aposta e viver com isso não é fácil, será talvez aquilo que mais nos custa a digerir, sobretudo a emendar. Apostar não é por isso fácil, é extremamente difícil e nem sempre temos o tempo e a sabedoria para tomar a melhor decisão, tanto ao ponto de tantas vezes recearmos apostar, o que nos deixa estáticos, presos a nós próprios, sendo que tal acaba por se resumir entre querermos apostar na vida e saboreá-la ou não.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O deslumbramento

Nada tenho contra quem emigra. Nos tempos que correm os portugueses voltaram a ser um povo de emigrantes, ainda que noutra vertente geracional daquela que os antecedeu, mais bem preparados, com outras ambições e certamente com uma visão mais cosmopolita do mundo, isto é, vão para um país estrangeiro e não se fecham num nicho constituído pela comunidade emigrante, integram-se, diluem-se, ou pelo menos é isso que os recente programas que passam na televisão dão a entender.
Contudo, aqui há dias ouvia alguém a dizer, com uma expressão segura, a roçar o arrogante, que o que está a dar é emigrar, que emigrar é que é, que isto aqui não vale nada, que aqui não se arranja nada e para se ser alguém era preciso era emigrar. Ao que parece, a directiva proclamada por Passos Coelho está ser cumprida e já passou quase a chavão. Não se arranja trabalho, emigra-se, não nos damos bem com o clima, emigra-se, não gostamos do chefe, emigra-se, queremos ganhar dinheiro, emigra-se, a sogra dá-nos cabo da cabeça, emigra-se, e pronto, fica tudo resolvido. Ficar aqui parece que é estar condenado à miséria, à perfídia, ao insucesso, em suma, a ser um falhado. O mais curioso é que já ouvi isto da boca de gente que está bem na vida, bom emprego, bom nível de rendimento e sem grandes inseguranças pela frente, mesmo na crise actual. Mas não, isto só não chega, porque ficar é ser um falhado ou assim parece. [Nos anos 90 ouvia um discurso parecido, desta feita que quem não se licenciasse ia ter um futuro negro e ser um falhado!]

Esquece-se muita gente que lá fora não é o el dourado que tantos apregoam, nem sempre há o trabalho pretendido e a maior parte das vezes o ordenado desejado. Há antes o trabalho que os outros não querem fazer, trabalho que parece ser bem pago aos olhos dos nossos parcos rendimentos, mas que é o mínimo lá fora. E depois é vê-los, licenciados, mestres, doutores, que aqui jamais fariam certos trabalhos, chorando-se que muito estudaram e por isso tudo é injusto aqui, mas lá fora, na base da pirâmide laboral já se permitem a fazer certas coisas sem qualquer queixa. Mas ainda assim sorte têm aqueles que encontram trabalho, porque muitos outros acabam por voltar, de mãos a abanar, depois de terem sido explorados, mal recebidos devido, não só a uma certa ingenuidade, mas também ao facto de apenas chegarem ao grande ecrã as histórias de sucesso, que, talvez, são apenas uma fracção de uma realidade muito maior, mais crua e dura, da qual ninguém quer falar e muito menos mostrar.  
Pode ser outra geração a emigrar, mais bem preparados, com outras ambições, e certamente com uma visão mais cosmopolita do mundo, mas parece-se que a ingenuidade e o deslumbramento mantém-se igual, deve ser algo cultural, só pode.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Diferenças entre homens e mulheres #22

Num determinado cenário...
Os homens têm o que podem.
As mulheres têm o que querem.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Das escolhas

Podemos escolher muita coisa, mas há muita coisa que não podemos escolher. Devido a isso, por vezes, optamos por não escolher sequer, preferimos que algo nos escolha, se é que tal pode vir a acontecer. Isto porque quando se escolhe, de forma voluntária e consciente, pode levar a uma escolha negativa, a um arrependimento a curto, médio ou longo prazo, tudo devido a uma escolha. Por isso escolher não é fácil como parece e ter esse poder, o poder de escolher, não é assim uma liberdade tão grande, é antes um problema, dado que ter a opção de escolher é uma responsabilidade nossa e só nossa, e os resultados que daí advêm são sempre uma incógnita, mas raramente temos a consciência disso. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

...

Ainda que dificilmente gostemos de dizer que a vida nos corre mal, acabamos sempre por o fazer, de uma forma mais ou menos velada, por metáforas a roçar o humor ou quase como um cartão de visita para evitar aquela maldição que mesmo os que não são supersticiosos acreditam que devem evitar, não-dizer-que-a-vida-nos-corre-bem-porque-a-seguir-acontece-uma-desgraça. Por isso tornamo-nos irónicos, sarcásticos e um tanto cínicos. Queixamo-nos da vida, sempre, sem qualquer pudor por vezes, entre o sério e a brincadeira, sabendo que há quem esteja pior que nós, mas igualmente sabendo que há sempre quem, em princípio, estará melhor que nós. Achamos o universo injusto, achamos que a justiça e a sorte é coisa que não nos assiste, algo que só acontece aos outros, mesmo que tantas vezes ambas nos tenham sorrido, mas preferimos evitar lembrar disso.

O problema no entanto não está aí, porque relativizamos tal, consideramos que já é parte do dia-a-dia, até parte de nós, ninguém liga, ninguém se preocupa e nós muito menos. O problema está quando de facto, por um motivo qualquer, nosso, íntimo, sem expressão, que não compreendemos, ou sequer percebemos, sentimos a vida a correr mal, ou sem o sabor que a caracteriza, algo que se parece com uma nuvem negra, uma sensação lúgubre que se apodera de nós, indo além de qualquer facto concreto ou da razão. Algo que sentimos e não sabemos explicar, que nos leva a queixarmo-nos da vida, usando para tal os chavões do costume, mas sem nunca perceber que essas mesmas razões mais não são que desculpas de mau pagador, para encobrir algo que nos vai na alma e não sabemos exactamente o que é, o porquê ou quando terminará.   

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Constatação #76

Se bem que o grau de certeza é tão grande como o de incerteza, se há coisa que aposto à partida é na certeza do nunca, ainda que, com a incerteza de saber, se nunca será mesmo nunca.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ser democrata é ser amigo

Ser democrata é ser amigo, amigo de outros amigos democratas e os amigos servem para as ocasiões, sendo que as ocasiões fazem os amigos. Os amigos apoiam-se uns aos outros, sempre!, sejam quais forem as ocasiões e aquilo que por vezes pode ser duvidoso não deve ser nunca questionado, porque a amizade fala sempre mais alto ou então aquilo que uns fazem que pode ser censurável é igualmente feito por todos e por isso acaba por cair na mais perfeita normalidade. Ser democrata é ser amigo e os amigos tornam-se amigos por conveniência, por subserviência ou pelo facto de terem pontos em comum e esses pontos podem ser de todas as naturezas ou mais algumas. Ser democrata é não ser radical, é não trazer à baila aquilo que pode incomodar, ser politicamente correcto acima de tudo, nunca fazer uma crítica que seja, apoiar sempre aqueles que também se dizem democratas, porque se o dizem é porque são, e se o são é porque são amigos, ou querem ser amigos, ou querem que nós sejamos amigos deles e se o querem é porque só podem ser democratas, e claro, amigos.

Depois há os que querem colocar em causa uma amizade, se o fazem é porque não podem ser democratas, porque um democrata defende sempre a amizade, pelo que o seu contrário só pode por isso ser defensor do extremismo, do totalitarismo, da ditadura e sobretudo da corrupção, esse verme de que tanto se fala mas poucos compreendem ou conseguem ver e que jamais, em tempo algum, infecta um democrata, porque ser democrata é estar por si só imune à corrupção devido ao facto de ter amigos, dado que a amizade é uma força poderosa, que consegue expurgar toda e qualquer infecção, por mais grave que seja. Mas os que não têm amigos, que por conseguinte não são democratas, esses sim, estão infectados de tudo e mais alguma coisa, porque têm inveja, ciúme, preconceitos e dados a práticas criminosas. Os democratas no entanto sobressaem dessa poça lamacenta, onde abunda a inveja, o ciúme, o preconceito e a corrupção, porque conseguem olhar e encontrar imediatamente outros democratas, pessoas que têm os mesmos interesses comuns, as mesmas práticas aparentemente dignas, a mesma fibra moral e por isso, tão facilmente e com tanta garra, fazem e defendem amigos, porque um amigo nunca trai outro amigo!  

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Do Halloween!

É sabido que miudagem, nos dias que correm, começou também a “celebrar” a noite das bruxas como algo normal. Digo normal porque durante a minha infância sabia-se da existência dessa tradição anglo-saxónica, mas daí a “imitar” a mesma era outra coisa. E isto por diversos motivos, era uma tradição estrangeira e nós tínhamos o carnaval para fazer praticamente o mesmo, ou pior! Por isso, de um modo ou de outro, uns mais que os outros, já nós habitua-mos a ter miúdos mascarados a pedir doces nessa noite específica ou em troca encontrar a porta toda besuntada de farinha e ovos como castigo pela “sovinice”.
No entanto o que fez confusão este ano especificamente foi o facto de ver as mães atrás dos filhos, e quando digo atrás é mesmo atrás, também elas mascaradas, e pior, a instigarem os petizes a bater às portas, a fazerem a recolha e caso não haja lugar a esse “atendimento”, decretarem o devido castigo, quais generais diabólicos de um exército de pequenos terrores. Pior que tudo é que algumas, cobram, também elas os mesmos doces, tal qual os menores que acompanham.
Que as crianças e adolescentes se sintam influenciadas de forma espontânea pelo Halloween, para se divertirem a fazerem traquinices eu aceito, agora repudia-me ver pais a instigar certos comportamentos, terem participação nos mesmos, achando-se certamente os maiores do mundo, porque ao lado de miúdos estarem igualmente de saco aberto e com um sorriso amarelo, como se tivesse muita graça ver um adulto a querer passar-se por criança. Estou em crer que sob a ameaça de um balde de água fria, em plena noite de Outono, certamente perderiam a vontade para a brincadeira!