quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

De cabeça fria

É de cabeça fria que se devem fazer e dizer as coisas. Estar de cabeça fria é estar com os nervos sob controlo cerrado, é colocar a razão acima do instinto delineando um plano que de outra forma seria improvisado. Escolhem-se os actos, seleccionam-se as palavras, tudo com um intuito, nada deixado ao acaso, porque o objectivo, seja ele qual for, é para ser conquistado e não há lugar a falhas, ao ponto de tal se tornar um tanto frio, calculado, algo falso até. Contudo, nem sempre se consegue atingir o estado de cabeça fria e muitas coisas para serem conseguidas necessita-se do seu oposto, seguir o instinto, deitar cá para fora o fogo que nos incendeia e queima a alma, reagir, seja de que modo for, contra aquilo que imediatamente surge. Poder-se-á dizer que muito se perde quando não se mantém a cabeça fria o que não deixa de ser verdadeiro, no entanto, reagir de modo oposto traduz-se em algo genuíno, em algo vivo e verdadeiro, quiçá inspirado que não pode ser repetido ou imitado, tudo porque não foi ensaiada, pensado, definido, é apenas a resposta voraz, brutal por vezes, mas que nada tem de fria ou calculista. Por fim parece-se que a razão dá-nos mais vitórias do que o instinto, mas as poucas obtidas por este último são de longe mais saborosas.

2 comentários:

A Minha Essência disse...

Risos... sou o oposto (algumas vezes). Ups.

GATA disse...

Metade da minha cabeça é quente e quer matar toda a gente. Metade da minha cabeça é fria, e diz à metade quente: "É melhor não..."! :-)