segunda-feira, 17 de março de 2014

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Quando se acabam as relações as pessoas mudam. Mudam porque têm naturalmente de mudar, alteram os hábitos, sentem-se perdidas, enterram umas coisas, tentam desenterrar outras que haviam ficado esquecidas ou suspensas. Da mesma forma mudam os relacionamentos que estavam à volta e os outrora amigos passam à categoria de meros conhecidos ou até inimigos. Depois procura-se reencontrar o ponto onde se estava antes, se tal for possível, ou então buscam-se outros mundos, outros roteiros, tentando reescrever-se a continuação após o hiato. Dificilmente se consegue apagar o que se viveu, porque tal, de um modo ou outro, acaba sempre por ter repercussões no que se é e no caminho que se vai seguir. E ninguém sai ileso, porque se assim sair é porque nunca se chegou a estar, e olha-se para a frente mas com olhos diferentes, porque se é alguém diferente, alguém com mais experiência, com outros problemas existenciais, alguém que pode voltar a repetir erros mas vestindo uma outra capa, um outro rosto, outro modo de pensar as coisas. Talvez por isso há um ponto, no imediato, em que a dúvida persiste, o vazio é aquilo que se encontra e atitude pode ser totalmente inesperada. Um ponto onde aquilo que se é difere do que se foi e lidar com essa nova conjunção de variáveis é talvez a parte mais difícil de se viver a seguir a uma relação.  

3 comentários:

hierra disse...

É mesmo, o fim da relação dá aquela ansiedade de saber o que fazer e ter de se reagir mas ao mesmo tempo preencher os vazios de meses ou anos a fazer coisas em comum. Não é fácil :)

A Minha Essência disse...

Conheço alguém assim. Estava a ler o teu post e a cara da pessoa veio-me logo à mente.

O mal muitas vezes é querer substituir uns pelos outros logo assim enquanto o "lugar" ainda está quente. Resultado: habilita-se apanhar hemorróidas.

GATA disse...

Eu tive uma relação que me marcou (pela negativa) e que me mudou - eu digo que para pior, os meus (poucos) amigos dizem que para diferente...

Mas, seja como seja, é impossível voltar a ser o que se era antes do início da relação. Não se pode apagar o passado, mas pode aprender-se com o passado para que ele não se repita no futuro!