sexta-feira, 28 de março de 2014

Da maldade

Existem aqueles que são maus e aqueles que têm de ser maus. A maldade em si pode revestir muitas formas, ou nasce connosco ou é adquirida. Por vezes somos bons, mas as agruras da vida obrigam-nos a ser maus. Isto porque há sempre quem tente abusar de nós, quem nos tente enganar, quem se julgue mais esperto ou pura e simplesmente temos de ser maus para nossa própria defesa, porque de outra forma estamos a aniquilar-nos. Muitas vezes há quem não compreenda a razão de certas atitudes, o facto de as mesmas não coincidirem com aquilo que conhecem de nós. Talvez por isso ser mau é tantas vezes surpreendente, uma arma secreta que guardamos e só usamos em último caso. No entanto, depois, há sempre o receio que fica, aquela sensação de estarmos a ser quem não somos, algum remorso à mistura e o constrangimento que é libertarmos as chamas que nem sempre conhecemos na totalidade, as quais se misturam com o receio de não as conseguirmos controlar por inteiro e assim acabarmos por ser consumidos pelas mesmas. Ser mau não é fácil mas por vezes é necessário. Tememos a maldade dos outros, mas tememos mais ainda a nossa própria maldade; e odiamos sempre quem nos obrigue a revelar a mesma. Talvez por isso haja por vezes tanta atracção pelos anti-heróis, por aqueles, que contrariamente, se sentem constrangidos a revelar a bondade, porque a maldade é a base que os define e se confunda com aquilo que é a total liberdade individual. 

3 comentários:

A Minha Essência disse...

Não é à toa que se diz que temos (ser humano) um lado negro.

hierra disse...

Ora, isto podia ter sido escrito por mim e nos mesmos termos, porque é mesmo isto, há boas pessoas que pelas circunstâncias se tornam más... por isso acho tanta ' graça' à série Breaking Bad.

GATA disse...

Por causa de alguém que foi mau, eu tiver que ser má... Mesmo assim, a minha 'maldade' fica aquém da maldade de outrém, porque a minha não está no ADN (infelizmente...)