segunda-feira, 7 de julho de 2014

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É verdade que devíamos entender o fim como princípio, como o início de algo, o fechar de porta de algo, uma continuidade feita de degraus e etapas, as quais servem somente para serem ultrapassadas e não são a síntese final que buscamos. O grande problema é que não é fácil aceitar o fim, a mudança, o bater na parede quando se imagina que se tinha chegado. Ao invés sentimo-nos muitas vezes presos num cubo para o qual saltamos, a pensar que ali encontraríamos algo, que não sabíamos bem o quê, mas algo de positivo, de definido, algo que pudesse ser um caminho, um motivo, uma razão, em suma, uma esperança. Mas não. Encontramos antes um beco sem saída, a densidade de um tudo demasiado pesado ou o vazio gritante que nos asfixia e ali ficamos, sem saber o que fazer, sem conseguirmos ultrapassar a distância para outro lado qualquer, não entendendo algo como um fim para se tentar descobrir esse novo principio, esse novo capítulo cuja passagem devia ser natural. No fundo acabamos por sentirmo-nos cansados, desalentados, sem forças para repetir, para descobrir aquilo que há muito julgávamos ter descoberto e nunca chegamos a escavar. Mas pior que isso tudo é o facto de persistirmos por vezes nesse mesmo lugar, à procura daquilo que sabemos que não vamos conseguir encontrar, iludidos pela ilusão forçada que impomos a nós próprios, por falta de forças para tentar algo de novo, por faltar o fogo por lutar e prosseguir, por ser muito difícil de vencer o desconhecido, ainda mais quando não conseguimos admitir que há muito estávamos vencidos.

2 comentários:

hierra disse...

O que me irrita mais é termos a consciência que temos de mudar, mas não conseguirmos imediatamente sair do beco e seguir em frente. É que não nos conseguimos reinventar assim ao ritmo de um estalar de dedos.

Anónimo disse...

Estou cá para apoiar qualquer mudança. Beijinho
Je