terça-feira, 9 de setembro de 2014

Dito e feito

Sim, é verdade, há coisas que já devíamos ter feito, ou fazer, dito ou dizer, mas não o fizemos e dificilmente teremos outra oportunidade para o poder fazer. Sim, é verdade, que quando se tem para dizer deve-se dize-lo, mas nem sempre se sabe como, com que palavras, em que contexto, quando, onde e as razões para o fazer não são sólidas, são antes um emaranhado de tudo e de nada, apenas um instinto do qual a razão desconfia e desse conflito nasce o silêncio ou então pior, diz-se algo apenas para se perder toda e qualquer hipótese de se voltar a abrir a boca. Sim, é verdade, que se devia fazer, antes mesmo de pensar, fazer e pronto, porque no meio-termo fica-se a pensar e o pensamento congela, altera, retira a verdade, impede o improviso, e, ou não se faz nada ou faz-se tudo ao contrário, de modo forçado, calculado mas baseado na matemática errada, naquela que é fria e incómoda, realista e insonsa, falhando o objectivo, não por erro, mas sim por estar fora de contexto. Sim, é verdade, tanto que se podia ter dito e feito, feito e dito, mas tanto mais que nunca foi feito e dito, dito e feito, e tanto mais que foi dito mas não com as palavras certas, e tanto que foi feito mas sem o gesto correcto. 

1 comentário:

GATA disse...

Nunca se consegue fazer tudo...