segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ser e parecer

Em Portugal parecer é ser. Há um medo, um receio, uma vergonha ou somente uma ponta de idiotice, senão idiotice de todo, em crer que parecer é ser. Muitas coisas são feitas, resolvidas, decididas, com base naquilo que alguns pensam que pode parecer. Assim há muito que não é feito, ou é mal resolvido por trauma, porque se pondera que pode parecer mal, que não se deve dizer, fazer, mostrar, a quem de direito aquilo que é de direito. Não que o destinatário se vá ofender, mas há partida teme-se que isso aconteça, e quem diz destinatário pode referir destinatários, porque tanto há que é feito, que não é feito ou é mal feito à conta do “pode parecer mal”. Mas parecerá mal porquê? Porque é mal formulado, porque não é bem feito, porque é algo sem pés nem cabeça? Não! Parece mal porque em algumas mentes luminosas pode parecer mal e pronto. E a razão para que tal suceda? Simples. Há muita gente que decide, para não dizer que manda, que vive na mundo primitivo da paz podre, do culambismo perpétuo, onde tudo o que é inovação ou puro senso comum é algo a evitar, para que se mantenham aparências e porque pode parecer mal, e o que parece é, nas suas cabeças. Mas na verdade aquilo que parece e é de facto é a imbecilidade que está patente naqueles que chefiam, mas isso ninguém aponta ou profere, porque poderia parecer muito mal, mas saberia tão bem a quem prefere ser ao invés de parecer. 

3 comentários:

hierra disse...

Vivemos no mundo do 'parecer' mas sobretudo no mundo do 'ter'...
A ideia é que, não se pode dizer nada para melindrar quem quer que seja e por isso não se diz...

A Minha Essência disse...

Pegando no comentário da hierra... cala-se ou então diz-se o que o outro quer ouvir e não o que verdadeiramente se pensa/sente-se.

GATA disse...

Para começar, e na minha opinião, que vale o que vale, os portugueses são - na maioria - uns vaidosões! Basta ver a mania dos "doutores"!

Para terminar, há muitooo que entrei na fase do "louco" e digo o que penso - não gostam? ora, paciência!