terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dizer tudo

Eu poderia dizer tudo, ao invés, na maioria das vezes, não digo nada ou digo o que não devo, o que nem sempre bate certo com aquilo que queria dizer. O improviso não é minha praia, poderá ser por vezes, mas não as suficientes para estar seguro. Na maior parte das vezes o improviso que bate certo é algo inesperado e por isso não se pode contar com tal. É antes uma singularidade do universo, algo único e raro, a que nos apegamos registando-o na memória e lembrando-o numerosas vezes, como esperança para uma inspiração que raramente se consegue duplicar. A forma para tal a volta a isso seria dizer tudo, tudo mas mesmo tudo. O correcto, o incorrecto, o que interessa e o que não interessa, criar-se uma verborreia permanente para de tanto se poder assim aumentar as probabilidades de colher o pouco que fosse. Contudo, acontece que dizer tudo tem consequências, para nós, para os outros e muito teria de ser dito até que se atingisse o objectivo de aprimorar a nossa lírica, a nossa retórica, os nossos argumentos. O problema é que dizer tudo parece ser fácil, difícil no entanto é conseguir faze-lo e antes de mais, mas para tudo, ter algo o que dizer.

1 comentário:

GATA disse...

Oh lembrei-me agora que tenho de ir tratar de arranjar uma das torneiras da cozinha! Mas, menos mal, que as minhas torneiras não têm cara... :-)