terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Luxos

O telemóvel começou por ser um misto, uma vaidade social misturada com uma utilidade. Volvidos todos estes anos continua a ser uma utilidade e da mesma forma, uma vaidade social. Tanto assim é que há quem passe fome, esteja desempregado ou ganhe mal e porcamente, mas não prescinda de ter um SmartPhone de última geração, coisa para custar um ordenado mínimo ou até mais do que isso. Tudo com a desculpa de que é imprescindível, pois será certamente, depois porque o anterior (igualmente topo de gama) já estava desactualizado (por ter um ano ou dois de vida), não teria as aplicações necessárias (que são milhares e a maior parte não se usam), estava lento, não tinha memória suficiente, uma máquina fotográfica com pouca resolução e trinta por uma linha. O que é certo é que tudo serve de desculpa para mudar, para consumir, se é caro ou não, se faz mesmo falta ou não, isso não interessa para nada. E ponha o dedo no ar quem nunca se sentiu importante por possuir a novidade enquanto todos os outros têm a velharia, essa é verdadeira razão para a mudança, para o sacrifício. Em tempos que já lá vão para se ter estatuto era preciso ter um cavalo, agora é só mudar de SmartPhone todos os anos para se estar ao nível da nobreza! 

2 comentários:

hierra disse...

Podes crer, alguém já me reportou ver uma senhora a varrer as ruas e a sacar do bolso um iphone que é só correspondente a um salário de um mês e eu pergunto se ela comeu o iphone o resto do mês. Eu troquei recentemente a minha velharia por um telefone esperto e fiquei agradavelmente surpreendida pelo facto de ser muito intuitivo o seu uso, mas não troquei por status, troquei porque o meu pifou!

GATA disse...

Eu não tenho nem um Esperto nem um Ai, tenho um simples telemóvel, e chega perfeitamente. Mas eu sou ninguém, como o Romeiro de "Frei Luís de Sousa" de Almeida Garrett...