quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quer-me parecer que...

Os portugueses são muito bons a curto prazo, um tanto beras a médio prazo e muito maus a longo prazo!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

...

As relações raramente se mantêm iguais. Alteram-se em pequenos ou grandes aspectos, ao correr do nosso próprio crescimento enquanto pessoas e indivíduos, assim como da relação em si. A dificuldade será ter a capacidade de acompanhar essa mudança, de nos sabermos adaptar às mesmas, para manter a relação no seu todo. Caso contrário caminha-se para o fim da mesma, porque se deixou de a entender como aquilo que era, não reconhecendo mais aquilo que se tornou e fazer tal análise é complicado, dado que a segurança a que nos habituamos é posta em causa assim como o conforto que esse entendimento transmitia. Por vezes a alteração é apenas superficial mas parece-nos profunda, porque a mais pequena faísca é suficiente para perdermos o discernimento e no que toca à parte emotiva ainda mais, o que levanta a dificuldade maior de adaptação a algo que pode ter ainda muito para dar, ao mesmo tempo que é preciso sabedoria para manter, nunca julgando porém, que se manterá para todo o sempre igual.    

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dos conselhos

Há a tendência para darmos conselhos e darem-nos conselhos. Muitas vezes ficamos ofendidos quanto tal acontece, outras não sabemos o que fazer perante os mesmos, mas na maior parte pensamos que quem se oferece para tal ou não tem competência para o fazer ou, pura e simplesmente, não nos conhece o suficiente e está totalmente equivocado. Da mesma forma nós, em certas ocasiões, acabamos por fazer o mesmo. Umas vezes com a presunção de que sabemos o que se passa, outras apenas e só, numa tentativa vã de tentar fazer alguma coisa, ajudar ou reconfortar. Contudo, fácil é acusarem-nos de falta de compreensão, ou por franco desconhecimento da nossa parte ou porque a solução apontada não agrada, é difícil e pode até ser ofensiva, contrariando aquilo que a outra parte quer ouvir. Talvez por isso, no que toca a dar e receber conselhos, seja preciso uma grande capacidade de reconhecer a ocasião, tanto para quem dá como para quem recebe, sendo que pelo meio ficam enormes silêncios que levam à sensação de perda por um lado e de impotência por outro ou então, tudo o que resulta daí, seja igualmente a arrogância que achar que se sabe e o orgulho de não reconhecer alguma sabedoria altruísta. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Constatação #81

Há aquilo que somos por opção e aquilo que não conseguimos ser por falta de opção. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O fracasso

O fracasso é aquilo que vemos nos outros olhando para nós próprios. É aquilo que sentimos através do que não conseguimos mas estivemos quase. O fracasso é aquilo que nos impõem quando através da ilusão nos obrigam à introspecção. O fracasso magoa, rasga a alma, reduz-nos a areia e pó, ao medo de não conseguir superar nenhuma barreira por mais pequena que seja. O fracasso não é o estado antes, mas sim o estado do durante e do depois. O fracasso sente-se por não conseguir, pela imobilidade, por esse sentimento de incapacidade que nos cerca em quase todos os momentos. O fracasso contagia-nos, abraça-nos como único recurso, deita-nos ao chão com um sopro. Contra o fracasso luta-se, mas é uma luta difícil, titânica, entre o acreditar e o desacreditar, entre a esperança e desesperança, onde o inimigo somos nós próprios e vencer não é trabalho para um dia, é antes guerra de uma vida, a qual nos torna sempre mais fortes, mais poderosos, mas nunca sem deixar marcas profundas a par da consciência da nossa fraqueza, a qual, ainda que superada, não se esquece. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

...

Tantas vezes gostaríamos de poder retirar aquilo que dissemos, para o poder voltar a dizer de outra forma, mais bem construída, mais bem definida, directa ou indirecta.  Mas nem sempre tal acontece, atropelamo-nos ao falar, complicamos ou simplificamos, dizemos algo sem pensar ou a pensar pouco, mas o resultado será sempre desastroso ou então deixa-nos essa sensação de fracasso, de acto falhado.
Da mesma forma tantas vezes gostaríamos de conseguir dizer, um verbo apenas, um adjectivo que fosse, apenas para atear o fogo do diálogo, para criar contacto porque, se assim fosse, atrás do mesmo julgamos sempre que poderia ter vindo toda a argumentação e retórica efusiva, contundente, no fundo tudo aquilo que se queria dizer e não se soube como.

Talvez por isso seja tão difícil falar, da mesma forma que é tão difícil ficar em silêncio, em certos momentos e noutros, mas mais ainda naqueles que poderiam ser decisivos. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Porquê?

A pergunta persiste. Porquê? E porquê a razão de ainda nos perguntarmos porquê. Como se essa idade já devesse ter passado, essa fase estar superada. Mas não. Continua, mantêm-se, grita ainda em nós como um pirro que nunca se cala. Por vezes parece ter desaparecido, mas tal é apenas temporário, ilusório até. E se tantas vezes apetece perguntar o porquê, tantas outras preferíamos não ter nada para dizer, muito menos para indagar. Mas o problema maior dá-se quando não nos conseguimos ver livres da sua insistência, do facto de tal nos controlar até certo ponto, ao ponto de ser já o hábito, de nada passar sem ser questionado, quase como que a justificar cada golfada de ar que respiramos e também isso nos leva a perguntar, porquê?

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Constatação #80

Nem sempre aquilo que se diz traduz a nossa essência, no entanto pode traduzir a nossa capacidade de dar pistas sobre a mesma.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Daquelas coisas #23

Existem mulheres para as quais olhamos primeiro como mulheres e só depois como pessoas. 
Depois existem mulheres paras quais olhamos primeiro como pessoas e só depois como mulheres.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Parábola

Começas a pensar que tudo corre mal quando as mais pequenas e corriqueiras coisas entram em colapso, não respondem, não funcionam, não se dão. Para além de tudo aquilo que já te complica a vida, a quebra de uma pequena rotina, de algo com que estavas a contar, que era certo e seguro, faz-te entrar em desespero. Depois parece que se dá a conspiração, a uma somam-se duas, três, quatro, por aí adiante, sempre mais rápido, como um puxar de tapete debaixo dos pés. A um dando ponto acabas por te habituar, praguejas a tua má sorte mais do que nunca, encerraste a ti próprio num buraco. Deixas de conseguir apreciar o que quer que seja, de tudo desconfias e a única coisa que acabas por sentir é o desejo de que tudo expluda e vá para o espaço. Porquê? Porque lá no fundo sabes, que após bater no fundo, o único caminho possível é subir e, quiçá, quanto mais fundo se bate mais alto depois se poderá subir.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Eles acham-se

Eles olham-se ao espelho e acham-se. Acham-se durante muito tempo, sozinhos, em solidão, até ao dia em que alguém, que também se acha, passa a acha-los de forma igual, ou até superior. Depois vai-se juntado mais gente, cria-se uma massa crítica, todos os acham e eles acham-se, acham-se porque se olham ao espelho, acham-se porque muitos os acham e poucos os acham ainda mais, de forma absoluta, resoluta, no fundo, a síntese. Depois quando procuram mostrar-se ao mundo, achando-se, chocam com a realidade, porque afinal o mundo discorda, entre a crítica de directa de poucos e a indiferença de muitos encontra-se um estreito caminho por onde é possível continuar a achar-se, mas desta feita assaltados por algum dúvida, a qual sempre negam, porque pensar muito nela seria o fim de um trajecto, seria o fim uma mentira, mas seria antes de mais o fim de um vida. Então porque continuam a achar-se? Porque ainda há quem os ache, mas acima de tudo porque eles se acham e não conseguem viver sem o fazer, mesmo que aquilo que achem deles próprios seja a mais pura das ilusões.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Da calma

A calma dá que desconfiar. A serenidade, a tranquilidade que possa imperar por momentos sabe bem, no entanto, faz com que se desconfie dado que abunda em pouca quantidade, pelo que, quando aparece, custa-se a saborear por lançar a suspeita. Para mais, em muitos casos, a calma, tal como a ordem natural das coisas, antecede a confusão, como que de um ciclo se tratasse, em que obrigatoriamente uma fase vem a seguir à outra. No entanto o ciclo que pensamos que existe   é inexistente, pautando-se antes pela completa de falta de tranquilidade, umas vezes mais, outras vezes menos, pelo que a calma será sempre algo raro, fora de sentido e pouco presente, quase uma singularidade, tão ínfima que se custa a acreditar ser de facto verdadeira.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Constatação #79

Dúvidas têm-se sempre. A questão é se as conseguimos ultrapassar, seja no primeiro momento, seja no último segundo.