quarta-feira, 30 de abril de 2014

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Ninguém olha para olhos cansados, um queixo caído, uma alma inerte. Todos procuram vida, mas para tal é preciso que a mesma se manifeste, sem rodeios, sem hesitações, sem toda a carga que pode, também ela, ser a parte mais profunda dessa mesma vida. E a vida sempre existe, mesmo no subterrâneo mais escuro, no mais confuso labirinto, no baixo semblante que tantas vezes passa despercebido ora porque não consegue acordar ora porque a reacção espera pelo componente que falta para se provocar.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A ganância

O que interessa é a ganância. Tudo o resto é de excluir. O país, a economia, o meio ambiente, os outros, se der lucro a uns poucos tudo o resto é desprezível. A solidariedade é algo caduco, a compaixão ninguém sabe o que significa, a ideia de futuro é boa para aqueles que o podem usufruir e para tal é preciso garanti-lo, sem olhar a meios, sem olhar à virtude, à lei ou outro coisa que possa atrapalhar essa fome devoradora. A consciência facilmente é comprada, a ética é demasiado complexa para se tornar uma barreira, o que se deseja é a simplicidade, como simples é o instinto da fera que devora porque tem fome, da besta que mata porque quer destruir e a cegueira é tal que só se olha numa direcção, para a frente, nunca para trás em para os lados. Dá-se o salto em frente quando a ponte está a ruir, procura-se esquecer tudo o que possa impedir, interessa é ganhar, vencer, seja por que meios, tudo para matar essa fome que não se consegue nunca aplacar, a qual cresce, sempre, cada vez mais, como uma chama que não pode ser extinta. Poucos o sentem, mas esses poucos são suficientes para afectar todos os outros nesse jogo. Alguns ficam convencidos que é mesmo assim e invejam-nos, outros resignam-se e não têm coragem para os enfrentar, mas a maioria não acredita julgando que tudo terá uma razão que não algo tão simples, tão abjecto, como o é a ganância.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

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Muitas vezes a ideia com que ficamos é se foi bom ou se foi mau. As razões disso, os seus porquês, ficam para sempre esquecidos e se alguma vez nos lembrássemos de tal, possivelmente essa ideia mudaria ou não seria tão bem definida como ao início julgávamos. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Relatividade

Somos bons até percebermos que outros são melhores que nós
Somos maus até percebermos que outros são piores que nós

Aquilo que somos é por isso sempre relativo. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

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Todos gostaríamos de ser perfeitos, felizes, alegres e equilibrados. Mas o certo é que o somatório destes itens não é fácil de atingir, a não ser, em separado, em poucos momentos e muito raramente na continuidade. Ainda que se possa ver isto como uma verdade factual o certo é que muitos acham-se perfeitos, dizem-se felizes, parecem sempre alegres e gabam-se de viver em harmonia. No fundo creio que muitos preferem fazer de conta, viver na ilusão, enganarem-se a eles e aos outros e viver em total desequilíbrio ao invés de aceitarem ou batalharem para se tornarem aquilo que tanto almejam e gostam de referir como seu.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Do que não fica resolvido

Existe sempre aquilo que não está resolvido. Pode parecer que está, que já passou tempo suficiente, que foi enterrado, mas não, esteve somente esquecido. No entanto de cada vez que é relembrado, que é sentido, reveste nova forma, sendo a base a mesma, a qual, parece se ir adaptando ao correr do tempo, vestindo nova roupagem sobre a mesma figura. Podemos pensar se algum dia tal ficará para sempre selado, extinto ou esquecido de vez. É bem capaz disso, mas por outro lado, se tal não aparecer de vez em quando é possível sentir uma espécie de saudade da angústia que se viveu e sentiu, o que leva a pensar o quanto tolos e inconstantes podemos ser ao lidar com essa coisa confusa que é a vida.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Constatação #84


Com o irreal sonha-se.

Pelo real suspira-se.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Dos caminhos

E pode-se perguntar qual o caminho que tomamos quando começamos. Decerto que a resposta será sempre diversa. Nem sempre iniciamos um caminho sabendo onde vamos chegar, por vezes temos apenas uma ténue ideia e densas dúvidas. Pelo meio surgem os atalhos, os focos de distracção onde tantas vezes nos perdemos, os quais contribuem para o desastre, o despiste, para o fim antes do mesmo chegar. E quando chegamos a algum sítio nem sempre o percebemos, porque chegamos, ficamos e só depois, quando voltamos a partir é que percebemos o que deixamos. Se algo deixamos feito pode-se perguntar como o conseguimos, qual a nossa inspiração, mas quando não se sabe onde se está, para onde vai, o que se fez, é difícil tentar explicar qual o caminho que se segue para o conseguir, porque esse caminho foi apenas e só um caminho tomado, como podia ser outra coisa qualquer.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Os desejados

Existem sempre aqueles que são desejados e os que não são. Se é mesmo assim ou não, isso já é outra história, porque há quem seja desejado sem o saber e quem não seja e julgue ser. Da mesma forma há sempre quem não se preocupe com isso e quem se preocupe, desde o nível mais básico ao nível mais estrato-esférico. No entanto outros há para quem isso se resume a tudo e tudo fazem para atingirem o pódio mais alto, onde se possam sentir desejados, amados, reverenciados. No fundo há egos que vivem em desequilíbrio e outros que conseguem de alguma forma chegar a um equilíbrio sem que para isso sejam necessários grandes artifícios. Contudo, num momento ou noutro da nossa existência, gostaríamos de nos sentir desejados por todos ou por alguém em particular, mas essa é uma condição que na maioria dos casos pouco depende de nós. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Cativar

Cativar os outros não é fácil. Há quem o faça de forma natural e quem só o consiga fazer depois de grandes exercícios envolvendo actos pensados, palavras bem medidas e posturas ponderadas. Certo no entanto é que nem sempre conseguimos cativar quem gostaríamos sem que para tal haja um motivo especial ou concreto. Depois há aqueles que são fáceis de cativar, os quais se deixam convencer, simpatizam connosco apenas porque sim, por motivos que nós não compreendemos e eles ainda menos. No fundo tudo se resume à química, mas sendo a química uma ciência exacta e concreta, no que respeita às relações humanas parece ser mais algo esotérico e pouco definido, onde não existem fórmulas definidas e os resultados variam muito. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Diferenças entre homens e mulheres #26


Os homens pensam em sexo em modo permanente.

As mulheres pensam em sexo em modo latente.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Da percepção

A percepção é um jogo de ilusões que nos confunde tantas vezes ao ponto da verdade poder ser mentira, a mentira verdade, não haver lugar nem a verdade nem mentira, ser tudo e não ser nada, e a dúvida assim ser senhora absoluta do que não se percebe ou até se julgava saber. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

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Existe sempre aquilo que nos dá esperança, ainda que de modo efémero. Aquela imagem, aquelas luzes, aquele sorriso, aquela ténue hipótese, o sonho no qual nos perdemos por momentos. Existe sempre aquilo que nos dará esperança, por mais vezes que se repita, lugares comuns que funcionam como paliativos. O problema é que para que os mesmos surjam e façam efeito não podem ser pré-determinados, terão de acontecer por acaso, porque forçar é destruir a sua essência, é reconstruir de modo artificial aquilo que é natural. E na nossa aflição procuramos tantas vezes fazer acontecer externamente aquilo que só pode surgir no nosso interior, porque estar tempos e tempos sem sentir que há um caminho, uma ilusão, um futuro, faz cair sobre nós o desespero e a vontade de seguir por um atalho, porque no fundo a sorte é só uma questão de probabilidades.  

terça-feira, 1 de abril de 2014

Joker

Existem sempre quem nos sabe enganar e quem não sabe. Como é óbvio temos mais dificuldade em descobrir aqueles que nos sabem enganar, ao passo que os outros bem podem tentar porque a única dificuldade que têm é conseguirem que nós acreditemos neles alguma vez. O curioso no caso dos últimos é a sua insistência e quanto mais insistem mais se afundam, mais extraordinários se tornam os seus argumentos, ao ponto de por vezes a coisa roçar o ridículo e então, nessa altura, o difícil da nossa parte é não conseguir rir e resistir à vontade maldosa de nos aproveitarmos de tais figuras para com elas gozar.