quinta-feira, 22 de maio de 2014

Resmungo

Não me apetece, resmungo, não me apetece, e o que me apetece, não sei, mas ao mesmo tempo sei, mas tal é impossível, tal é um sonho que cativa apenas por sonho ser e nada mais do que isso, nem matéria, nem realidade, nem nada. E continua a não me apetecer, a não ser dizer não, a não ser fugir para onde não me possam apanhar, fugir para os sonhos que me embalam para depois cair na realidade que me irrita, que me agrilhoa, mas também isso não me apetece, nem irritar-me, nem sentir-me preso, embora me sinta e resmungo. Resmungo continuamente, comigo, com os outros, com o que aparecer, sem nunca obter uma resposta, um caminho para seguir senão este, o qual não me apetece seguir nem alterar, porque o mesmo devia alterar-se por si próprio sem o meu querer, sem o querer dos outros, apenas devia e por isso resmungo, mas por vezes nem isso me apetece…

quarta-feira, 21 de maio de 2014

...

Há coisas que não parecem ter qualquer razão para existirem ou acontecerem, ao passo que outras parecem ter toda e mais algum razão para existirem. No entanto as primeiras por vezes têm razões profundas para existirem ao passo que as segundas podem não ter nenhuma razão para existirem, sendo apenas fruto do acaso. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sorte...

Não há nada para ti a não ser que o encontres ou sejas encontrado. Encontrar é por si só difícil, ser encontrado é algo raro e por vezes resume-se ao impossível. E para dificultar as coisas muitas vezes não sabes o que procurar ou como procurar, por isso lanças-te no vácuo à espera de agarrar o que puderes para só depois descobrir se te serve ou não. Atiras-te do precipício também esperando que uma rede te apare a queda, uma segurança que pode estar lá ou não, e só o fazes porque tens a esperança que a mesma possa lá estar. Muito se resume ao nosso mérito, à nossa persistência, ao nosso esforço, mas muito mais ainda é apenas e só uma questão de sorte, de estar no local certo à hora certa, de ter o gesto adequado e não fazer merda só porque se receia faze-lo, no fundo, é tudo uma questão de sorte. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Diferenças entre homens e mulheres #27

É comum ouvir-se dizer que há mulheres que fazem a cabeça dos homens, mas raramente se ouve dizer que há homens que fazem a cabeça das mulheres. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Ai Portugal Portugal...

Há muito que em Portugal se batalha para transformar o país num digno membro dos países do terceiro mundo. É certo que em muitos aspectos nunca deixamos de ser um país do terceiro mundo, mas de alguma forma, o facto de estarmos agarrados por terra à Europa, terá contribuído para estarmos numa espécie de patamar intermédio, pelo menos na aparência. E de facto de aparências percebemos nós, tanto mais que gostamos de dar para fora a imagem de país desenvolvido mas ao mesmo tempo faz-se tudo o oposto do que um país como tal deveria fazer. Senão vejamos: Estamos endividados até aos ossos, qual país terceiro-mundista. Tivemos de pedir ajuda, entre outros, ao FMI, o qual tem sido presença neo-colonial assídua na América latina, países africanos e asiáticos, em muitos deles desde a existência dos mesmos. Depois o governo apela aos jovens para emigrarem e bem sabemos nós que os países terceiros-mundistas são grandes exportadores de gente mais do que outra coisa. O nosso maior “produto” é o turismo, tal qual uma república dominicana, o qual é apresentado como um trunfo. Temos níveis de corrupção altíssimos entre os governantes, mas esse tema é pouco abordado oficialmente, porque, já se sabe, fere muitas susceptibilidades. Com o sistema de vistos dourados atraímos supostos “investidores”, outro nome para quem quer lavar dinheiro ou simplesmente refugiar-se aqui das justiças alheias. O nosso sistema de saúde e de a nossa educação ameaçam ser um privilégio para alguns e um lençol cheio de buracos para os demais. Por fim, a cereja no topo do bolo, temos cada vez mais pobres e menos classe média.
Mas o que se ouve? Aplausos, apenas e só aplausos e diz-se que, agora sim, vamos no bom caminho…

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Quase um "diferenças entre homens e mulheres"

Cair em estereótipos é fácil. Por vezes até é conveniente quando se quer justificar algo, legítimo ou ilegítimo, dependendo sempre da perspectiva. No caso especifico aqui tratado é fácil dizer que os homens são de Marte e as mulheres de Vénus, que para além das diferenças óbvias que existem entre os géneros (físicas) há toda uma série de outras diferenças, mais profundas, mais densas e mais decisivas no que toca a ressaltar as dissemelhanças. É lugar comum ouvir dizer que os homens pensam de uma maneira e as mulheres de outra e de facto há toda uma cultura masculina e outra feminina, distintas entre si e tal é alimentado por milénios de cultura social, desde as sociedades mais primitivas às mais modernas, das mais retrógradas às mais progressistas. O fenómeno prevalece e embora as mentalidades se tenham alterado muito nas últimas décadas, dizendo-se à boca cheia que agora existe igualdade o certo é que as diferenças persistem e são expostas, tanto por um lado que as usa para tentar demarcar-se da imperfeição e ressaltar a capacidade durante muito tempo agrilhoada, como por outro, que tenta justificar a sua presença como decisiva para certas tarefas ou papéis sociais, criticando a outra parte como tendo dificuldade de o admitir. Basicamente o confronto entre sexos mantém-se, as diferenças também, se em alguns casos houve vitórias justas e merecidas, muito há ainda por fazer, mas curiosamente ao invés de se convergir para a igualdade, diverge-se para a desigualdade, não em termos práticos, mas em termos de afectos. Talvez tenha mesmo de ser assim, talvez homens e mulheres sejam mesmo diferentes, contudo, em muitos casos, tanto uns como outros, tudo o que querem é apenas uma coisa comum, a felicidade, mas parece que se digladiam para o atingir mais do que cooperam. Talvez porque cooperar seja ceder, talvez porque ceder é coisa do passado para uns ou coisa demasiado moderna para outros, consoante a perspectiva ou os estereótipos com os quais cada um se tenha habituado a viver, porque no fundo talvez sejamos mais iguais do que aquilo que queremos admitir e a diferença reside nos que o reconhecem e os que não o querem reconhecer mais do que qualquer outra coisa.  

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Probabilidades #2

Quando pensamos em probabilidades percebemos que as probabilidades de algo positivo acontecer são escassas, ao passo que as probabilidades de algo negativo suceder são imensas. No entanto, o certo é que só fazemos “contas” de cabeça em relação às probabilidades sobre algo positivo, para ver se existe alguma possibilidade de o atingir, esquecendo de forma propositada, de fazer o inverso e talvez por isso somos sempre apanhados desprevenidos quando algo negativo nos acontece.  

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Da espontaneidade

Sabemos que a espontaneidade é sempre verdadeira, revela boa parte do que somos, o que pensamos e o que queremos. No entanto receamos usa-la, reprimimo-la porque muitas vezes confundimos espontaneidade com um acto impensado, a palavra que sai à toa para fora da boca, o gesto que temos nem sempre correcto, tudo devido à prévia falta de ponderação, a qual tantas vezes nos coloca em problemas e chatices. É por isso difícil ser-se espontâneo, tanto mais que as certezas de hoje podem muito bem vir a ser as incertezas de amanhã e para sermos verdadeiros precisamos de certezas, de ter os passos bem definidos, de estarmos bem resolvidos, sendo que dessa forma censuramos a espontaneidade, restringimos o seu uso, porque receamos o improviso e falta-nos confiança para o aplicar. No entanto, quando o somos não pedimos licença, entramos sem bater, atiramo-nos ao comprido e onde quer que vamos cair é a menor das nossas preocupações, porque nesse momento não temos qualquer preocupação para nos impedir de sermos quem somos ou de dizer o que sentimos e, nesse momento, estamos em sintonia connosco, misturamos sonho com realidade, e sentimo-nos felizes, o pior, se houver, virá no depois.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sonhar e viver

Nada é como sonhamos. Mesmo as coisas que atingimos, após termos passado anos a sonhar com as mesmas, acabam por ser uma realidade pálida em relação ao que imaginávamos. Perdemos tempo a sonhar, a deliciar-mo-nos só com isso e isso por si só vale por tudo, mais forte do que a realidade poderá alguma vez ser, mais intenso do que se pode sentir e acreditamos que se tal fosse mais do que um sonho muito maior seria a sensação que se iria ter, sensação essa que seria real, extrema, idílica. Mas no fim tudo não passa disso mesmo, de uma virtualidade que se sente apenas pelo virtual, antecipadamente, porque depois, na realidade tudo ou é o contrário, ou sabe a muito menos do que podíamos supor. Sonhar e viver será por isso uma conjunção difícil de atingir, tanto mais quando se sonha à espera de se viver e quando se vive à espera de um sonho por acontecer. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Roda-viva

No princípio é a vontade, a força, a vitalidade. No meio é o pensar, os porquês, as memórias. No fim é o desgaste, o cansaço, a falta de ar. Então recomeça tudo outra vez, sempre assim, numa roda-viva e se da mesma nos apercebemos, rapidamente entendemos como é difícil saber o que quer que seja.