segunda-feira, 30 de junho de 2014

Constatação #88



A amizade também é fazermos aquilo que não nos agrada para quem nos agrada. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Constatação #87

As vidas perfeitas dos outros, que os outros não julgam perfeitas, não cativam a curiosidade de ninguém. Já as vidas perfeitas das quais se faz publicidade e que se desconfia serem imperfeitas ou mesmo falsas, cativam a coscuvilhice de muitos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Das virtudes e dos defeitos

Todos temos as nossas qualidades, virtudes e factores positivos, assim como o seu oposto que se pode resumir nos nossos defeitos. No entanto sempre atribuímos os nossos infortúnios e azares aos nossos defeitos quando, em muitos casos, os mesmos são provocados exactamente pelas nossas virtudes, as quais pensamos estarem sempre acima de qualquer suspeita e isentas de culpa, quando na verdade são factores que podem igualmente levarmos a constrangimentos.  

terça-feira, 17 de junho de 2014

Das soluções

Por vezes a solução é simples, está à nossa frente, à nossa beira, à mão de semear, basta o mínimo gesto para a agarrar de modo a alcança-la. Mas essa simplicidade perde-se apenas no facto evidente, porque na verdade não é simples, pelo contrário, é difícil e sobretudo complicada de alcançar. As soluções encontram-se mas nem sempre são soluções, são antes outra coisa, revestidas de solução, racionalmente uma solução mas não são a solução perfeita que buscamos, ou a solução de todo, são antes uma abreviatura, uma parte, a ponta de um icebergue, porque para nós a solução só seria solução se a mesma for algo completo, sem nada submerso. Isto porque a análise que se faz da mesma tem duas vertentes, a racional e abstracta e no caso em apreço a racional aparenta e o abstracto é real. Talvez por isso quem não está na nossa pele não perceba o porquê de vermos problemas ao invés de soluções em determinadas ocasiões.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Da cobiça

Há quem tenha tudo e esteja sempre insatisfeito. Alguns procuram por isso preencher continuamente essa lacuna, abraçando outros projectos, tentando alcançar outros patamares, trabalhando para melhorarem aquilo que são, aprimorarem-se, no fim, lutar contra esse sentimento de incompletude. Contudo há quem sempre se desvie do caminho correcto na medida que, apesar de tudo ter, sempre sentir inveja dos outros, do que os outros têm, do que os outros são ou coisa que lhes valha. Depois aquilo que seria inicialmente inveja acaba por se tornar na mais vil ganância, num desejo grotesco sempre voraz. Não basta o que têm, estarem-se a banhar continuamente nas suas inúmeras riquezas, qualidades, posses, incomoda-lhes o único tostão alheio, possuído por quem pouco ou nada tem. Ou então incomoda-lhes aqueles que têm algo, não muito, apenas o suficiente para ficarem sob a mira da cobiça alheia de quem terá sempre mais do que eles. Esse sentimento que nasce no seio daqueles que tudo têm parece estúpido, despropositado, no entanto a explicação para o mesmo é simples. Para alguns não basta tudo terem, precisam igualmente de dominar os outros, de extirparem o pouco que estes possuem, porque para eles ter é o equivalente a mais ninguém ter, só assim se sentem realizados, porque nesse momento terão realmente tudo na medida que mais nenhuma alma os possa um dia vir a igualar, seja no aspecto material ou no sentimental.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Constatação #86

Os homens ficam bem vistos se expressarem todo o seu amor, a sua paixão, os seus sentimentos. No entanto se expressarem todo o seu desejo, a sua luxúria, os seus fetiches, só muito raramente ficam bem na fotografia.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Arena

Há um momento em que se é vitorioso. Momento do qual se pode usufruir ou deixar passar para que o mesmo mais não seja que uma lembrança da qual pouco sabor se retira, a não ser o facto de se ter vencido. Vencer só não basta porque é preciso sentir a realização de se ter conseguido, de se ter alcançado algo pelo qual se lutou. De outra forma, havendo desfasamento, quando se sente a felicidade só por se imaginar que se vai vencer e não sentido nada quando se vence, apenas vai tirar todo e qualquer sentido à vitória que se alcançou, espremendo-se da mesma apenas um sabor agridoce, por se saber que o esforço não foi em vão mas mais do que isso não se retira. Talvez por isso algumas vitórias são lembradas mas não sentidas e desse modo, com o passar do tempo, acabamos por pensar que as mesmas não têm qualquer sentido ou fazem qualquer diferença e bem que gostaríamos que elas significassem mais do que significam, porque tal constituiria uma motivação extra para se lutar mais e sempre mais sem olhar para trás, sem receios, medos ou complicações de toda e qualquer espécie, neste ou em todos os cenários com que nos deparássemos.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Constatação #85


Há coisas que não se sabe por onde começam ou como vão acabar, se bem que possamos ter uma ideia, mas tal é mais um palpite do que outra coisa qualquer.