terça-feira, 26 de agosto de 2014

Da derrota

Podemos ser derrotados, mas nem sempre é fácil aceita-lo. Poder-se-á dizer que somos persistentes, lutadores até, mas no fundo acabamos por ser apenas parvos. Não perceber quando se perde é o mesmo que remar contra a maré, é persistir numa luta contra nós próprios mais do que outra coisa, é justificar a luta pela luta já que a vitória nunca será nossa. Há momentos em que é preciso percebe-lo, a bem ou a mal. Contudo o problema maior acontece quando conscientemente sabemos que perdemos e não há volta a dar, mas aquilo que sentimos é a estúpida da ponta de esperança, aquela vozinha fininha que nos diz que ainda podemos vencer, a qual provoca no nosso interior o conflito permanente e desta feita a prisão da qual não conseguimos sair. 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Opções

Por vezes parecem haver tantas opções, mas depois de vem visto percebemos que de todas nenhuma nos serve. A elevada quantidade é apenas uma nuvem de fumo que nada encerra dentro de si, servindo tão somente para nos iludir, para não nos preocuparmos porque quando se tem julga ter uma mão cheia de opções podemos dar-nos ao luxo de escolher e quando muito bem queremos. Mas nada disso é real, quando tentamos agarra uma percebemos o quanto todas as outras são falsas, ilusórios, tal como aquela que queremos segurar. Ter muitas opões é bom, mas ao mesmo tempo mau, porque não sabemos qual escolher e levamos tempo a pensar, perdemos uma eternidade a decidir-nos, tudo porque julgamos ter tempo para isso devido à ampla oferta que nos oferece. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Dizer não

Se pensarmos bem é mais difícil dizer que não gostamos do que gostamos. Dizer que sim é sempre mais fácil, fica sempre bem, mas dizer não, recusar, marcar um ponto é sempre o mais complicado. Em certos contextos até fica bem mostrar que se tem um gosto, que se sabe o que se quer, que se tem uma opinião vincada, mas no geral temos uma extrema dificuldade em dizer que não gostamos, que não nos agrada, pior ainda quando e por nenhum motivo em particular, quando não gostamos porque não gostamos e embora ainda que para nós isso seja perfeitamente normal, para quem nos ouve, ao não apresentarmos uma razão, um argumento que seja, tal é incompreensível e tornamo-nos insondáveis ou simplesmente picuinhas e esquisitos. Talvez por isso engolimos tantos sapos, sentimos tantas vezes o arrependimento, metemo-nos em tantos sarilhos, tudo porque não dissemos não, sem qualquer preocupação com a justificação devido ao receio, ao receio de ter de justificar o injustificável.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Boring...

Por vezes estamos aborrecidos com tudo, por todas as razões e mais alguma ou pela falta das mesmas. Porque não conseguimos delinear outra forma de estar, porque nada nos motiva, porque não há um plano para o que fazer a seguir, porque estamos cansados, porque estamos fartos do cansaço e cansa-nos ter de fazer algo em oposição a isso. Nada nos satisfaz, não sabemos o que queremos, sabemos apenas aquilo que não queremos, ou sonhamos só com aquilo que não podemos ter para justificar o estado em que nos encontramos. Encontramo-nos aborrecidos não por falta do que fazer, mas porque aquilo que nos oferece não queremos fazer e quando fazemos é a custo, como se estivéssemos de castigo e mesmo que tivéssemos hipótese de não fazer havíamos de nos queixar de nada ter para fazer. No fundo há dias ou fases em que estamos aborrecidos, apenas porque sim e ficamos a aguardar que tal passe, porque quando estamos nesse estado não saboreamos nada, não aproveitamos nada, em suma, vivemos, mas muito mal.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

...

As alterações provocam sentimentos. Ou pelo menos a isso estamos habituados. No entanto, por vezes, as grandes alterações nada provocam ou provocam menos do que esperaríamos, da mesma forma que as pequenas alterações, que não deviam ser nada, podem dar azo ao mais violento tumulto. Curioso no meio disto tudo é que quando, seja pouco ou muito, já não nada provoque e nesse momento começamos a pensar. Começamos a pensar se está tudo bem, se era assim que devia ser, se nada haverá escondido há espera de nos assaltar quando menos esperamos, ou se, simplesmente, já estamos de tal forma calejados que já não sentimos nada. Mas aquilo que é pior é a falta, é sentir a falta de sentir, porque se supõe que se iria sentir, há um vazio que não se sente, um capítulo que parece que se ultrapassou sem ler, uma partida que se faz sem saudade e uma chegada que ocorre sem expectativa, sendo que tudo é relegada por a mais pura das normalidades, ao ponto de se confundir com uma rotina. Chegado a este ponto resta saber o que virá a seguir, ou melhor, se conseguimos sair deste circuito que parece estar fechado e de onde nada mais se pode esperar.