sábado, 29 de novembro de 2014

Sinónimos e antónimos

A origem, a educação e a riqueza não são sinónimos de bom carácter, de inteligência e muito menos de boa educação. Pelo contrário. Quem vem das ditas “boas famílias” raramente é grande coisa, ou vem desequilibrado ou tem a arrogância de ser superior aos demais. Quem estudou nas melhores escolas, teve as melhores notas, superou todos os exames e mais alguns nem sempre tem a inteligência suficiente para perceber tantas coisas simples da vida. E quem é rico, muito rico, habituado a comprar tudo e todos, nunca consegue comprar a educação que não teve, o carácter que julga ter, a cortesia que alguns julgam ser apanágio de bolsos cheios. Sinónimos há muitos, mas antónimos também e preconceitos fundados em pseudo-avaliações é coisa que também nunca falta ou faltará!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Daquelas coisas #25

Uma coisa é sermos os melhores.
Outra é pensarmos que somos os melhores.
Outra ainda é serem os outros a dizerem que somos os melhores.
Uma coisa é sermos os piores.
Outra é pensarmos que somos os piores.
Outra ainda é serem os outros a dizerem que somos os piores.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Do que se supera

Na maioria dos casos todos temos de enfrentar desafios, os quais tanto podem ser voluntários como impostos. Para os superar, sejam eles quais forem, há um esforço a ser feito, energia a despender e muita força de vontade para conseguir ultrapassa-los. Nem sempre tal acontece, tantas vezes somos postos à prova e acabamos por desistir, baixar os braços e seguir em frente. No entanto quando os conseguimos superar há um alívio, grande alegria, um crescer na auto-estima, a sensação de poder, de capacidade, do limpar o suor que não se desperdiçou, sendo que quando tal acontece há um certo vício que cresce em nós, e queremos aumentar a parada, prosseguir para mais alto, mais longe, para campos onde nunca estivemos ou sonhamos estar e sobretudo voltar a sentir o mesmo, mais e se possível, com maior intensidade. Contudo, há muitos desafios que conseguimos ultrapassar, mas tudo o que sobra no final é o alívio, nem alegria, nem felicidade, nem nenhuma outra sensação a não ser o descanso ou a promessa do mesmo, e muito menos vontade imediata de tentar subir o próximo degrau depois de se ter superado com dificuldade o anterior. Não, tudo o que fica é o suor e nada mais, nem vontade, nem poder, isto porque por vezes o desafio é de tal modo grande que mesmo ultrapassado desgastou-nos até ao tutano, ao ponto de quando superado ter ficado apenas e só o cansaço, sendo que a vontade que fica é a de não voltar a sentir o mesmo, o aperto, a angústia, o receio de não conseguir, foram demasiado grandes e aquilo que foi queremos que fique no passado e nada mais.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dos segredos

Todos temos os nossos segredos. Ideias, palavras, sussurros, desejos e aspirações que se encerram dentro da nossa mente; acções, tentações, coisas que vimos, que fizemos ou não fizemos, que sentimos, as quais nunca saíram do nosso domínio, do nosso espaço intimo porque nem sempre as sabemos explicar, compreender, racionalizar de algum modo que, até para nós, nos leve a compreende-las no seu conjunto, sejam eles inofensivos ou mortais. Ter segredos será normal, mas nem sempre é fácil lidar com eles, na medida que os mesmos explicariam muito do que nós somos, sendo por vezes aquela peça chave para esta ou aquela reacção, decisão, maneira de ser. E a razão por detrás dos mesmos nem sempre é inteligível, nem sempre é luminosa e deslumbrante, é antes sombria, densa, uma amálgama de muitas coisas mais, das quais não conseguimos tecer um fio que permita costurar algo em que nós possamos orgulhar, pelo contrário, na maior parte das vezes é antes algo que nos dá vergonha, receio, medo de mostrar. Por outro lado os nosso segredos são nosso tesouro, aquilo que só mostramos a quem queremos, a quem o merece e a dificuldade maior é encontrar esse outro, porque quase sempre suspeitamos, desconfiamos, e  não é qualquer é um que tem a capacidade nos compreender e sobretudo de guardar, assim como nós guardamos, um segredo, quanto muito discuti-lo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dizer tudo #2

Muitas vezes à uma vontade imensa de dizer tudo. Esquecer barreiras, entraves, respeitos, bons sensos, apenas e só dizer o que nos vai na alma, sem corantes nem conservantes. Não o fazemos por certo, talvez, na maior parte das vezes, e tanto que fica por dizer, por exprimir, ou então sai, aos pinguinhos, envolto em tantas outras coisas, misturado e sub-repticiamente, sendo que apenas os mais argutos o conseguem perceber, ao mesmo tempo que apenas os mais capazes têm capacidade para o fazer. Na maior parte das vezes tal não é percebido, entendido ou é então só mal interpretado, mas se fosse dito de forma crua, era-o por certo, não havia duplicidade interpretativa, não haveria omissão no entendimento, era percebido não à segunda, mas à primeira. Contudo, e ao mesmo tempo, dizer algo assim, tem consequências. Para nós, no momento pode ser a liberdade, mas a seguir a prisão do arrependimento, para os outros é o choque, é a violência, é algo com o qual não sabem lidar, que não estavam à espera e então reagem, quase sempre mal, num repente também, porque no final de tudo o que interessa é perceber e nem sempre estamos prontos para isso, seja a falar, seja a ouvir. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Constatação #94

É verdade que há aqueles que servem de desculpa para tal, mas também é verdade que há aqueles que são culpados de tudo e mais alguma coisa.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Portugueses brilham lá fora!

"Portugueses expulsos investigavam oito ministros do governo de Xanana"


Deve ser um ar que lhes dá, uma brisa diferente que os torna competentes, profícuos, corajosos, a qual difere certamente daquela que sopra em praias lusitanas. Lá fora são capazes, florescem e brilham, cá dentro tornam-se incapazes, mirram e escurecem. Mas tenho a impressão que há algo mais, o que na verdade acaba por ser algo de menos. É que lá fora é preciso mostrar muito mais do que aqui serve para se sentirem cheios, elevados, grandiosos. Lá fora é preciso substância para o serem e a verdade é que são capazes de atingi-la, cá dentro é que não. Por isso pergunto o que haverá por aqui que não permita tal despontar? Ministros também não faltam, corruptos muito menos e a conjunção dos dois, oficialmente, ainda está por descobrir. Só não entendo como o descobrem lá fora, mas cá dentro ninguém consegue ver nada. Lá fora sabem fazer, cá dentro parece que se nunca são capazes. E não sei se é porque não conseguem ver ou se é porque não querem ver! 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Feira das vaidades

De tempos a tempos à sempre quem se lembre de fazer um daqueles jantares corporativos. Corporativos no sentido que são organizados pelos locais de emprego. Dependendo do nosso humor e sobretudo da nossa relação com as pessoas que normalmente comparecem/organização tais eventos, decidimos ir ou não ir. Se optarmos pela visão positiva dizemos que vai ser bom rever certas pessoas, socializar com outras, ou somente divertirmo-nos fugindo à rotina tendo para tal a desculpa de algo diferente. No entanto, aquilo que se vê em muitos destes eventos é outra realidade, na verdade várias realidades e nenhuma positiva. A maior parte faz-me sempre lembrar uma feira das vaidades, onde pessoas que nunca nos falaram, embora sejamos obrigados a lidar com as mesmas todos os dias, nos mostram agora os dentes, dão-nos palmadinhas nas costas, quando no dia-a-dia nos dão pontapés no cú, ou nos ignoram completamente dado que vivem noutro patamar social. Mais giro no entanto é o mostrar, o mostrar da sua vida além dos limites que conhecemos, como as mesma mais não é que a continuação da arrogância e soberba a que estamos habituados, misturada com uma gabarolice parola de quem só tem casca por fora e está podre por dentro. E ali somos “amigos”, ali somos "colegas", participamos todos do mesmo, desde que, claro está, nos prostremos a suas ilustres majestades, que nos honram por terem descido o degrau do pedestal onde normalmente se encontram e aceitam caminhar à mesma latitude que nós. Porque os mesmos ali parecem caminhar ao nosso lado, mas desenganem-se se pensam que se misturam connosco. Não. Não caminham, desfilam, para depois irem pousar no alvéolo próprio, aquele onde se aceitam misturar, porque lá se encontram os seus pares, aqueles que de forma ingénuo julgam estar a proporcionar a todos de igual forma o momento das suas vidas. Mas, o mais curioso no meio disto tudo é a tromba com que ficam, quando a plebe decide não comparecer, decide abandonar a plateia mesmo antes dos bilhetes estarem à venda, deixando-os no palco sozinhos. Porque isto do mostrar só tem valor quando alguém, mesmo aqueles que só estão ali obrigados e contrariados, olham e assistem ao desfilar do corso. E na cabeça de alguns ingénuos que estão do palco os olhares de ódio e raiva são confundidos como inveja, a inveja que eles desejam provocar, que adoram sorver como se fosse o mais refinado néctar, por algo que não têm, não são, nem nunca vão conseguir ser.