sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

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O problema não é teres uma boa ou má vida. O problema é não a saberes, ou conseguires, aproveitar.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Constatação #95

Boa parte do que somos é aquilo que pensamos sobre nós. O que sentimos, o que sabemos, o que não sabemos, os nosso segredos, as nossas virtudes, os nossos defeitos. Outra parte é o que os outros pensam de nós e como isso nos faz sentir.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Da inaptidão

Somos inaptos em muitos domínios, mas só o reconhecemos quando sofremos por isso. Ser inapto em algo não significa ser inapto em tudo, pelo contrário, há muitos domínios onde somos competentes, por vezes até em demasia. Mas há sempre aquele domínio onde patinamos e por norma é sempre em algo que, num momento ou noutro, acaba por ser vital para nós. Depois tentamos ultrapassar isso, contrariar essa falha, treinar, estudar, dar a volta ao texto, prepararmo-nos o melhor que podemos. Difícil é depois reconhecer que não temos forma de o conseguir, sentindo todo o peso da ratoeira que acaba por ser formada pelo nosso desejo de querer ultrapassar, de não conseguirmos lidar com esse impossível, supera-lo e como tal reconhece-lo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

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O mundo é dos que participam. Mas nem todos podem participar. Uns são impedidos, outros não conseguem participar e mais haverá que nem querem participar. Participar não é ficar a olhar, é antes estar em algum ponto de relevância, por mais pequena que seja, como um elo numa corrente. Contudo nem sempre há correntes suficientemente compridas para que todos possam ser um elo, em outros casos a concorrência é tanta que alguns têm de ficar de fora. E sorte têm aqueles que se estão a borrifar para isso, os que não querem saber e se o fazem é porque podem ou porque o conseguem. Mas nos restantes fica a mágoa ou a raiva, o abatimento e a tristeza, sentimentos esses que crescem e são mais agudos quando todos os que estão na corrente se riem e projectam a sua felicidade, que tanto pode ser genuína como falsa, mas espelham-na de modo voluntário ou involuntário, nos rostos de todos os outros, onde a percepção é só uma, a daquilo que não têm nem conseguem ter, ser verdadeira ou falsa. E angústia prossegue no seu crescimento geométrico, porque o mundo continua a girar, quer uns participem quer não, seja pelos motivos correctos como pelos incorrectos, porque nem sempre os vencedores são aqueles que o merecem ser.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Luxos

O telemóvel começou por ser um misto, uma vaidade social misturada com uma utilidade. Volvidos todos estes anos continua a ser uma utilidade e da mesma forma, uma vaidade social. Tanto assim é que há quem passe fome, esteja desempregado ou ganhe mal e porcamente, mas não prescinda de ter um SmartPhone de última geração, coisa para custar um ordenado mínimo ou até mais do que isso. Tudo com a desculpa de que é imprescindível, pois será certamente, depois porque o anterior (igualmente topo de gama) já estava desactualizado (por ter um ano ou dois de vida), não teria as aplicações necessárias (que são milhares e a maior parte não se usam), estava lento, não tinha memória suficiente, uma máquina fotográfica com pouca resolução e trinta por uma linha. O que é certo é que tudo serve de desculpa para mudar, para consumir, se é caro ou não, se faz mesmo falta ou não, isso não interessa para nada. E ponha o dedo no ar quem nunca se sentiu importante por possuir a novidade enquanto todos os outros têm a velharia, essa é verdadeira razão para a mudança, para o sacrifício. Em tempos que já lá vão para se ter estatuto era preciso ter um cavalo, agora é só mudar de SmartPhone todos os anos para se estar ao nível da nobreza! 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Dos gostos

Há uma tendência que temos de tentar justificar algo que gostamos, teorizando, fazendo inferências, dando referências, criando um conteúdo ou esgravatando um substrato, tudo para lastro a um fundamento que muitas vezes se resume a isso mesmo, somente gostar. Isto porque gostar só não serve, é preciso mais, é preciso percebermos o porquê, dar a entender a razão para o caso de nos perguntarem, ir ao âmago da questão ou então criar ou mesmo inventar o mesmo, quando este se resume a algo tão simples, que é somente gostar. Diz-se que nada é por acaso, no entanto o certo é que há muito que não consegue explicar, muito menos justificar e no que toca aos nossos gostos tanto maior é a essa dificuldade, nomeadamente quando algum gosto específico foge dos parâmetros a que estamos habituados para nós mesmos, ou então quando queremos transmitir esse gosto a outrem quando tal não sucede de forma espontânea como aconteceu connosco. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sonho e realidade

Se sonhamos demasiado alto, ou somente alto para os nossos padrões, é quase certo e garantido que o trambolhão ocorra, ainda por cima com aviso prévio. Se por outro lado não sonhamos de todo, não queremos saber de sonhos e fincamo-nos somente na realidade, sempre nos surpreendemos quando não deveríamos ser surpreendidos, em especial na tónica negativa.