quarta-feira, 24 de junho de 2015

As "lendas"

Existem as pessoas normais e existem as lendárias. As normais todos nós conhecemos, são aquelas com que nos cruzamos, com quem lidamos diariamente, que vemos de um lado para o outro nas suas rotinas diárias. Já as lendárias são aquelas de que tanto ouvimos falar e não conhecemos, quer dizer, conhecemos de ouvir falar, ou de uma foto e pouco mais. Mas depois há um dia em que conhecemos as “lendas”, ou melhor, vemo-las na sua essência e são de facto “lendas”, porque assim se mostram perante os outros é vê-los no seu exibicionismo, nos seus gestos agravados, gestos que por vezes parecem simples e naturais, palavras que parecem carregadas de simpatia, mas de facto há toda uma aura, uma carga, que se nota, seja nos emissores, seja nos receptores, os quais, antes, tanto nos falaram das ditas “lendas”. Contudo, talvez por haver um observador isento, talvez porque a sensibilidade de poucos é diferente da maioria, nota-se, e bem, os gestos afectados, o à-vontade de quem está demasiado à-vontade e disso se faz anunciar, o pedantismo de quem tem sempre algo melhor para dizer, algo melhor para contar ou mostrar, tudo num campo onde a sua aceitação está, à partida, mais do que garantida, porque ninguém nota directamente, mas os reflexos esses vêem-se e ouvem-se, na tentativa de alguns quererem equivaler-se, nas conversas posteriores onde é exalado o fascínio e até, sem algum pudor, a inveja. Nesse momento as lendas podem festejar internamente, o seu objectivo foi atingido, conseguiram chegar e manter o status, o seu copo está mais uma vez cheio e assim continuará, até ao dia em que de lendas passem a meros mortais, as suas conquistas passem a problemas, de deslumbradores passem a deslumbrados e onde a inveja plantavam talvez eles a possam colher.  

2 comentários:

hierra disse...

Ámen... eu só não percebo como é que lendas ou seja pessoas tão cheias delas próprias que não andam, gravitam sobre os demais...

GATA disse...

Eu sou (a)normalita, pobrezita... :-)