quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ninguém quer um brinquedo estragado. Um brinquedo estragado é, e será sempre, um brinquedo estragado, diferente de um brinquedo a funcionar, pleno nas suas funções. Ao invés, o estragado é sempre limitado, até se pode brincar com ele, mas nunca será igual e se aqueles há que preferem o estragado ao funcional, tal apenas acontece porque se afeiçoaram ao mesmo após muito tempo, porque o conheceram funcional e nas suas mãos se estragou, porque o encontraram estragado e mais nenhum outro tinham para brincar. De outra forma, se pudessem escolher, teriam optado sempre porque aquele que funcionava, o que melhor cor teria, o mais fantástico, o mais perfeito e polido. Qualquer um, que mesmo encontrando-se embalado, ao mínimo defeito, risco ou descoloração, na prateleira ficaria, até alguém desistir e atira-lo para o lixo. Alguns brinquedos, mesmo novos, acabados de sair da linha de produção, podem estar estragados, não pelo uso, mas pela sua natureza, bastando no entanto um pequeno jeito, um pequeno ajuste, um pequeno click, para encontrarem o seu esplendor, sendo que aí, nunca ninguém diria que alguma vez estivessem estragados ou com algum outro defeito. O problema é que ninguém se quer dar ao trabalho de os reparar, e utiliza-los só mesmo em último caso. 

2 comentários:

AC disse...

Gosto da história de encantar do soldadinho de chumbo a quem faltava uma perna mas que fez com que uma princesa se apaixonasse por ele. Não são os brinquedos mais polidos, ou mais bonitos, ou mais caros que fazem mais gente feliz, são os brinquedos capazes de dar o melhor de si em duas pernas ou em uma, sem um braço, ou só com uma mão que por vezes fazem acontecer o impossível.

Ninguém quer um brinquedo bibelot, uma bola de pano pode ser muito mais divertida que um avião telecomandado, depende muito do objectivo para que queres o brinquedo.

Gosto deste local aqui. É genuíno.

GATA disse...

'TOU TRAMADA!!! :-)
É que defeitos é comigo... e ninguém me quer!!!
SNIF! SNIF! SNIF!