terça-feira, 8 de setembro de 2015

Do silêncio #3

Quando não se tem nada para dizer, nada se diz e quando nada se diz fica-se com a ideia de que algo não está bem, que é preciso dizer algo, porque o silêncio incomoda, sendo tão ruidoso como o trovão em dias de tempestade. Mesmo em tempos de bonança sopra sempre uma leve brisa, silenciosa mas audível. E a tantos incomoda o silêncio, inclusive a nós próprios, o que nos leva a olhar para dentro à procura de algo que possa estar mal, removendo-se pedras, cavando-se buracos em busca de coisa nenhuma. Tal leva-nos a encontrar o que não se devia, a desenterrar o que estava enterrado, tudo porque é difícil compreender o silêncio e achamos mesmo ser impossível viver com o mesmo, quando o devíamos olhar como algo natural, algo que faz parte da vida, mas acima de tudo, devíamos aprender a aprecia-lo, porque o mesmo é raro e precioso, mas não o sabemos apreciar. 

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