terça-feira, 20 de outubro de 2015

Do que se perde

Se há coisa uma coisa quase certa neste mundo é que um transporte público nunca sai adiantado. Quando muito sai a horas, ou uns minutos depois, ou até mais. Talvez por isso nós chegamos à estação, ou à paragem, momentos antes, porque se chegarmos depois, podemos ter sorte, mas o normal é termos azar e o dito já partiu. Depois há quem recorrentemente chegue em cima da hora, no limite, sujeitando-se a falhar o horário por uma questão de minutos, ou até segundos, sendo que a seguir não há volta a dar a não ser aguardar pelo próximo, isto se houver um próximo. Assim é a vida no que toca a apanhar os transportes públicos, mas se pensarmos bem, é assim em tantas outras coisas. Quantas vezes chegamos tarde de mais, ainda que julgando que estávamos a chegar em cima da hora? Quantas vezes fomos optimistas ao ponto de achar que a sorte ia fazer que houvesse um atraso nesse dia, o suficiente para que conseguíssemos atingir o nosso objectivo? Por vezes falhamos e sabemos porque falhamos, mesmo quando não temos culpa, quando há um percalço que nos impede de chegar no tempo certo, quando a margem que estabelecemos é demasiado curta. E o certo é que as coisas partem, naquela hora, na hora que sabemos que partem e depois de partirem não as podemos mais alcançar, deixando-nos ali, parados, estáticos, desanimados e frustrados. Se algo virá entretanto, é possível que sim, mas nada é tão certo como aquilo que perdemos, porque disso, do que é passado, temos nós a certeza, do futuro ninguém sabe.

1 comentário:

hierra disse...

Nessas coisas sou um bocado fatalista se não chegamos a tempo é porque não era suposto...escreve-se certo por linhas tortas!