quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

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Passamos a vida toda à nossa procura, de nós mesmos, do que somos, do que fomos, do que seremos, do que não somos, buscando sempre alguma coisa que tenha escapado, tudo para percebermos, para nós percebermos e tentar adivinhar, projectar, conjecturar, até onde podemos ir, se vamos conseguir lá chegar, se alguma vez chegaremos ou se não vamos passar desse ponto onde nos encontrámos, onde não nos sentimos realizados, encontrados, percebidos, compreendidos, por não outro que nós mesmos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Do querer

E porque queremos? Porque apenas queremos. E queremos porquê? Porquê não sabemos, mas sabemos que queremos. Razões para tal, desconhecemos, mas ainda assim queremos. E o que se faz depois? Depois? Depois logo se vê. Mas e se depois nada há, nada surge? Se queremos algo vai surgir, terá de surgir. E onde nos leva o que queremos? A todo lado, a sítio nenhum, leva-nos apenas. E se nos levar para pior? Também nos pode levar para melhor, ou para o mesmo, para pior não pensamos nisso. E porque queremos? Apenas porque queremos e de querer é feita a vida, seja ela boa, seja ela má, seja ela algo, seja ela nada…

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Do que somos capazes

Dificilmente conseguimos saber tudo aquilo de que somos capazes. Fácil no entanto é saber aquilo de que não somos capazes, porque para isso basta não fazer, basta não arriscar, tentar, ir além, procurar superar. Basta tão simplesmente ficar quieto num canto e imaginar, sonhar como poderia ter sido, sem por isso nunca ser. Mas ao tomar-se a atitude contrária, ao estarmos dispostos a arriscar, haverá sempre aquilo que nunca vai ocorrer, o tempo correcto, o local exacto, a pessoa certa, e claro, a nossa própria predisposição nesse momento único, a conjugação necessária para nos levar a fazer algo que nos supere, espantando-nos mais a nós do que os outros, porque só nós conseguimos medir aquilo que são as nossas vicissitudes ou a falta delas. E tanto que fica, ficará por saber, por cumprir, por alcançar, tanto que se perde em dúvidas, em falta de perspectivas, de inspiração, de momentos valiosos, péssimas percepções ou tão simplesmente por falta de pura sorte. Eis que a dúvida persiste, o “e se” que ecoa na nossa mente lado a lado com peso do que se perdeu para sempre, por falta de perspicácia, por inércia, medo, vontade ou tão simplesmente por estupidez.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Constatação #96

Um problema só se torna realmente um problema quando não o conseguimos enfrentar ou resolver.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ontem, hoje, amanhã...

Ontem parecia melhor. Hoje parece pior. Mas depois, pensando bem, ontem foi tão mau como hoje, contudo, com o tempo que passa o passado parece ser sempre melhor que o presente, porque o presente, esse, corrói até às entranhas. Amanhã é a esperança, mas não uma esperança sorridente, uma esperança vaga, fugidia, pela qual se aguarda sem grandes expectativas, mas ainda assim o amanhã poderá ser sempre melhor que hoje, porque hoje é sempre o presente, aquilo que sente no momento e se tal não for bom, dado que o futuro é incerto, o passado, esse, será sempre lembrado pelo esquecimento, e como tal, poderá ter sido sempre melhor do que aquilo que realmente foi. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ser mau

Ninguém gosta de mostrar o seu lado mau e muito menos admitir que o tem, isto, claro, fora as situações de pura brincadeira. Quando se fala do lado mau, fala-se desse defeito congénito que nasce connosco, daquilo que sabemos que estamos a fazer de mal e ainda por cima podemos tirar prazer de tal. Obviamente que em muitas situações somos levados a isso, mas em outras tentamos fazer de conta, contrariando-nos, de modo a mostrar o quanto aprazíveis podemos ser, sem o ser verdadeiramente no nosso âmago. Devido a isso exprimimos opiniões, realizamos certos actos, mas só quando alguém escuta ou vê, porque se não for o caso não o fazemos. E tal não nos torna melhores, só nos torna mais aprazíveis aos olhares alheios e temos consciência disso mesmo, porque é um acto calculado. No entanto o facto de sermos maus em certos aspectos, não significa que somos maus de todo, até podemos ser bons, com excepção de certas situações para as quais não temos paciência nem tolerância. Assim trocamos a verdade sobre o que sentimos por uma aparência mais politicamente correcta o que nos torna menos genuínos, mais falsos, mas acima de tudo menos maus, porque para muita gente ser mau é pior que ser verdadeiro.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Das opções

As opções são múltiplas. As mais comuns são vivermos metade dos nossos sonhos, conseguirmos fazer metade do que aquilo que queríamos, deixar-nos ir na vã esperança de um dia atingir algo; continuar a sonhar com o que foi e podia ter sido, com o que pode ser e não sabemos como atingir, ou então, sonhar com aquilo que é de todo impossível, para que uma fracção do sonho se consiga, no mínimo, materializar aos nossos olhos. No entanto, há muitas mais opções, tantas como a miríade de estrelas no universo, algumas que nunca chegamos sequer a ponderar em toda uma vida, as demasiado impossíveis para se concretizarem e as que podem ser tomadas mas que são agrilhoadas pelo medo ou pelo receio. Mas as que mais doem não são as tomadas, mesmo as erradas, as que mais doem são aquelas que se poderiam ter tomado e nunca o foram.