quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Constatação #97

É curioso perceber que, nas mais diversas ocasiões, somos mais felizes nos nossos pensamentos do que nas nossas realidades. A questão depois será, o que depreender disso mesmo…

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A esperança é tudo. A falta dela é nada. A esperança preenche-nos mesmo quando estamos vazios, como um sopro de vida que nos aquece, como uma luz que nos guia até ao ponto mais distante. Sem esperança ficamos ocos, sem som, tornamo-nos trevas indefinidas e a única coisa que procuramos é voltar a sentir outra vez um sinal, mínimo, o mais pequeno que seja, o menos audível possível, algo que nos possibilite acordar todos os dias, debaixo da mais violenta agrura e seguir em frente. Podemos até não sentir nada, mas basta-nos a esperança para sentir tudo, para nos completar mesmo quando estamos incompletos, para permitir que encontremos o caminho da realidade mesmo quando a mesma é diferente daquilo que sonhámos. No entanto a esperança é também ilusão, engano, motivadora de desastres, carcereira de labirintos onde nos perdemos para nunca encontrar a volta e talvez por isso tantas vezes a receamos, a calamos dentro de nós, não lhe dando liberdade de correr à solta pela nossa vida, nem deixando que seja parte da nossa vida. Mas, ainda assim, preferimos tê-la, senti-la, mesmo que encarcerada, silenciosa, do que não a sentir de todo, porque tal deixa-nos mais perto da morte do que da vida.  

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Das palavras #6

Por vezes as palavras não saem. Não que estejam fechadas, antes estão soltas, balançando-se, movendo-se, correm e escapam, chocam umas contra as outras, descarrilam para parte nenhuma, mas mantém-se activas, barulhentas, radioactivas, energéticas, perenes e escorregadias. Mas todo esse turbilhão, toda essa agitação não significa que as mesmas sejam leves e ocas, são antes pesadas e densas, bloqueando-se umas às outras ao mesmo tempo que circulando mais rápido do que alguém as consiga apanhar. Por vezes a palavras não saem, não que estejam presas, mas a nós impedem-nos de conseguir fazer, respirar e explicar muita coisa.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O quero e o gostava de

Há uma diferença entre o quero e o gostava de. Quando quero não há dúvidas, não há incertezas, poderá apenas haver a falta de possibilidade para, porque de outro modo quero e pronto, sem rodeios, sem eufemismos ou outros floreados. Quando gostava de há uma tentativa, meio tola, meio tímida, uma camada por cima do quero, da acção directa, a vontade de querer sem o apresentar como tal, por meio de dúvidas, por meio de incertezas, sem se saber como, havendo até a possibilidade, ao mesmo tempo que se desconhece o que fazer com ela.

Há uma diferença entre o quero e o gostava de, no entanto há algo em que são semelhantes, o facto de, que tanto a querer, como a gostar de, nem sempre se consegue coisa nenhuma.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Cenário

Não que o cenário que nos envolve seja mau, pelo contrário, ele é bom, quiçá, demasiado bom, e talvez por isso haja uma revolta em nós, pelo facto de haver esse cenário, que conseguimos ver, perceber, sentir, mas do qual, no entanto, não fazemos parte.