segunda-feira, 23 de março de 2015

Estar à espera

Diz-se que o melhor acontece quando não estamos à espera, que só assim é genuíno, puro, verdadeiro. No entanto, quando não estamos à espera e por não estarmos à espera, nem sempre reagimos da melhor forma, não tomamos a melhor decisão, encontramo-nos impreparados e para quem o improviso é sinónimo de desastre, aquilo que aparece de repente, pode-se tornar um bicho-de-sete-cabeças ou pura e simplesmente mais um acto falhado, do qual rapidamente se sente remorsos. Por outro lado se estamos à espera podemos tecer um plano, ficar na retaguarda, ter várias opções, se bem que, desse modo, é preciso referi-lo, sabe tudo a sintético e pouco a algo autêntico, o que pode de igual forma conduzir ao desastre. Em suma, talvez o melhor mesmo é estar sempre preparado para o que ocorre sem aviso, ainda que as probabilidades sejam poucas, alguma possa correr a nosso favor. Mas o problema é que sempre que esperamos raramente acontece.  

quarta-feira, 18 de março de 2015

Desnorte

Ando totalmente à nora, desnorteado, sem norte o que por acaso rima com sorte. Mas se antes também andava da mesma forma, certo é que nem sempre tal me fazia confusão, antes, ignorava, para depois tomar consciência do mesmo, ou sentir tal como um pensamento racional e não como uma sensação que se transporta continuamente. Seria fácil tomar um caminho, um qualquer que fosse, mas para tal é preciso uma decisão, um querer, algo que forçasse a isso mesmo, acima de tudo, uma certeza ou um salpico da mesma. De outra forma aqui fico, a olhar para todos os lados, a ir sem chegar a sítio nenhum, a sonhar sem realizar, a escrever sem sentido nenhum, a ler sem perceber, a seguir rotinas bem definidas mas que me fazem definhar, a viver pensando que vivo sem no entanto sentir estar a viver.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Constatação #98

Uma pessoa, qualquer pessoa, é antes de ser, não aquilo que se vê, mas aquilo que transpira.

terça-feira, 10 de março de 2015

Fugir

Se por um lado fugimos, fugimos para onde podemos ser felizes, para onde nos sentimos bem, para longe daquilo que nos magoa, do que nos frustra. Nem sempre somos capazes de fugir, nem sempre podemos fugir e muito menos conseguimos fugir de forma completa, porque há sempre o que nos persegue, uma parte de nós que fica, a conjunção de todos esses factores, fazendo com que a fuga seja sempre imperfeita, seja por vezes impossível de executar no seu todo e tantas outras bastaria tão pouco para ficar completa, para ser definitiva.
Se por outro lado nunca pensámos em fugir é porque não sentimos necessidade de o fazer, porque temos força suficiente, confiança e argúcia para conseguir enfrentar tudo, para resolver os problemas que vão aparecendo. Como tal temos os pés bem assentes na terra, o corpo e a mente vincados no pragmatismo, a ausência de emoções absurdas, a vivência possível que se nos adequa como uma capa. Contudo, ainda assim, tudo pode ruir, acabar, ficar tremido e aí aquilo que tínhamos por certo, acaba por nada valer pelo que ponderamos a fuga, para sobreviver, para tentar reverter algum processo que se iniciou e do qual se perdeu o controlo ou não se pode controlar de todo, nascendo daí o medo.

E da mesma forma podemos andar toda a vida a fugir apenas porque sim, porque não gostamos de estar num sítio, porque a procura, a tentativa erro, mais do que outra coisa, é aquilo que nos satisfaz acima do medo ou da confiança.