terça-feira, 25 de agosto de 2015

Diferenças entre um Cristão e um Ateu

O Cristão faz, não pensa, faz porque assim o ensinaram, porque receia se não o fizer.
O Ateu pensa, depois só faz se assim o entender e se lhe parecer justo. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

É difícil seguir em frente quando a única coisa que nos move é uma vã esperança, mais uma ilusão do que realidade. A isto juntam-se pequenas pontes que mais não são pequenos focos de luz, que ora se acendem, ora se apagam, faltando um feixe contínuo, um caminho, algo que seja valido e que nos sirva de guia, de sinal, seja certo ou errado, apenas e só, algo que nos conduza para longe do terreno estático onde apenas nos afundamos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Da sorte

Diz a sabedoria popular que quem tem sorte no jogo não tem sorte no amor e vice-versa. Seguindo a lógica desta mesma frase parece que todos têm, de alguma forma, sorte em algo, o que não me parece que seja verdade. Parece-me mais que ou se tem sorte ou não se tem, seja no que for e pelo contrário, segundo aquilo que posso depreender do que já vi e vivi, temos por vezes pequenas sortes no meio de um grande azar que pode muito bem ser a nossa vida. E com pequenas sortes digo encontrar uns tostões no chão, não perder o autocarro por segundos, ter tomado a decisão certa num momento inesperado, pequenas coisas que caso não tivessem ocorrido apenas nos provocaria alguma frustração momentânea. Difícil mesmo é ter sorte na vida, na vida como um todo, no geral, no sentimento que temos no dia-a-dia, que se espelha na vontade com que nos levantamos da cama, no final, no modo como nos sentimos connosco mesmo, dependendo tal do modo como tudo à nossa volta nos corre. Existem os que estão felizes e se repararmos esses raramente se queixam, antes opinam sobre aquilo que pode estar mal. Os outros pelo contrário queixam-se diariamente, seja da mais ínfima coisa até à maior e de forma ruidosa, para todos ouvirem. Logo, ou se tem sorte ou não se tem e mesmo que pareçam existir pequenas sortes, muito longe estão as mesmas de nos tornarem seres sortudos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Não é difícil ser-se invejoso, ou ficar com uma ponta de inveja, sobretudo pela vida que os outros têm, que tantas vezes parece estar nos antípodas da nossa, ou pelo menos, assim o vemos. Contudo, ao olhar-se mais de perto e com alguma atenção, percebe-se que muito que os outros mostram é falso, ou pelo menos defeituoso. Pode haver ali razões para inveja ou para que a mesma seja em nós suscitada, de forma voluntária ou involuntária, mas observando o panorama completo percebe-se que a perfeição que julgávamos ver não mora ali. Antes têm problemas como os nossos, piores que os nossos, mais suaves que os nossos, mas têm problemas. A perfeição estará somente num ou noutro aspecto, nunca no geral. Ainda assim, por não serem os nossos problemas, por ser outra pele, outra vida, com mais uns condimentos que gostaríamos de possuir, somos tentados a invejar, até mesmo os problemas, já que, por sermos meros espectadores, parecem até mais simples de resolver que os nossos, como aliás sempre são, mas apenas na nossa cabeça e na nossa perspectiva. A nós falta-nos sempre algo, coisas concretas, coisas abstractas e soluções para tanta coisa resolver. Fácil no entanto é ficar a pensar que se fossemos este ou aquele, se tivéssemos isto ou aquilo, daí surgiria a solução, ou então, o problema não se punha sequer. Mas aquilo que esquecemos é que, mesmo que pudéssemos encarnar na vida dos outros, nos iríamos ver livres de todo e qualquer problema.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Problemas todos temos e os mesmos têm todas as cores e feitios, todas as dimensões e mais alguma, podem ser pequenos, médios ou grandes, mas são sempre um problema. No entanto, se nos pusermos a pensar, a maior parte, senão a maioria dos nossos problemas resume-se a apenas e só, aos outros. E poderiam pensar que não, que tal síntese acaba sempre com a conclusão que na base dos nossos problemas estamos nós próprios. É verdade, mas ao mesmo tempo não é. Deve-se à nossa interacção com os outros, naquilo que eles nos fazem sentir, na forma como nos relacionamos ou não com eles, sejam eles visíveis, invisíveis, reais ou imaginários, anónimos ou conhecidos. Toda a nossa disputa na terra é com os outros, no modo como lidamos com eles, como eles lidam connosco, como nos agradam ou desagradam, como as suas acções ou inacções interferem com as nossas, como as nossas interferem com as deles, misturando no meio de tudo isto sentimentos positivos e negativos. O que os outros fazem afecta-nos, o que nós fazemos afecta os outros, os nossos actos, as nossas vicissitudes chocam com as dos outros e nem sempre da forma como gostaríamos. Gostaríamos de nos livrar dos outros, faze-los desaparecer, ao mesmo tempo que sonhamos em tê-los perto de nós, o que fazer, num caso e noutro, resume-se ao modo como lidamos com eles, daquilo que somos e não somos capazes. Estamos fartos dos outros ou sedentos deles e eles serão sempre a causa última dos nossos problemas, os responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que queremos, por aquilo que conseguimos ou não ter. Dos outros acabamos por depender, mesmo quando somos independentes, ou assim julgamos ser. E como tal dos outros depende a resolução de muitos dos nossos problemas, para mais, quando são eles os reais responsáveis por eles, até daqueles que julgamos ser única e exclusivamente problemas só da nossa parte.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Constatação #101

Aquilo que pensamos pode-nos magoar, mas aquilo que nos dizem magoa ainda mais.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Estático

Encontramo-nos parados no tempo quando tudo à nossa volta avança, altera-se, renova-se. Tudo menos nós, que nos encontramos estanques, estáticos, cravados no mesmo sítio como uma árvore, sem mexer, apenas abanando um pouco de vez em quando, julgando que isso é movimento. E só nos apercebemos da nossa imobilidade quando reparamos que há coisas que não existem mais, que avançaram, que evoluíram, espelhando em nós a nossa imobilidade, a inconspicuidade que nos prende, que não nos deixa mover. Olhando para trás muitos poderão dizer o quanto o tempo passou, sendo que o mesmo é dizer o quanto a vida deu uma volta, o quanto se fez, o quanto se alterou. Para os outros no entanto, o tempo é estático, o ontem poderia ser hoje, o anteontem idem e por aí a fora. Mas aquilo que mais dói, talvez, é ter a sensação que o amanhã será igual, assim como o depois de amanhã, pelo que o horizonte é infinito e parece ser impossível de alcançar.  

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O ressentimento

É verdade que ficar ressentido com algo não é bom. Guardar rancor, não esquecer, são coisas que por norma ultrapassamos com o tempo, umas levam mais tempo, outras menos tempo, mas de alguma forma acabamos por superar tudo. Contudo, há sempre aquilo que não conseguimos esquecer, aquilo que não conseguimos perdoar, por mais tempo que passe, por maior que seja a distância, existem coisas que nos marcam para sempre, ficam cravadas na carne, afectam o nosso âmago e quando julgamos que já as esquecemos algo sucede, uma pequena faísca, suficiente para desenterrar velhos sentimentos, antigas memórias, que, pelo contrário, continuam vivos, como se o ontem fosse hoje. Tal sucede porque aquilo que somos hoje, que nos define, foi moldado nesse tempo, por esta ou aquela experiência, por alguém ou conjunto de pessoas, que ao invés de nos fazerem bem, fizeram-nos mal, mal esse que até pode não ter sido nada de extraordinário, mas foi suficiente para nos marcar ao ponto de nunca esquecermos e sobretudo nunca perdoarmos, ainda mais quando nunca houve um pedido de desculpas, uma tentativa de reparar aquilo que foi feito, ou até mesmo a consciência do mal que foi feito. E nesse caso o ressentimento persiste, durará para sempre, adormecido por vezes, desperto outras, mas constante, sendo praticamente impossível livrarmo-nos dele por completo, por muito peso que isso nos faça carregar, porque nem tudo pode ser ultrapassado e muito menos perdoado.