quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Ao engano

Ao engano, tantas vezes andamos. Umas vezes sem o saber, mas talvez, em boa parte, com consciência disso mesmo. E ao constatar tal facto suspiramos e pouco fazemos para o alterar. Porquê? Talvez porque não vislumbramos forma de mudar esse paradigma, o qual se torna mais difícil de viver, porque sabemos. Por isso existe quem diga que prefere andar ao engano sem o saber, do que sabe-lo efectivamente. O conhecimento da situação poderia resolver muita coisa, poderia evitar o agravamento do mesmo ou levar à solução e a uma resposta, mas quando não se sabe o que fazer mesmo com o conhecimento efectivo, mantém-se tudo igual, com excepção do peso que se carrega, o qual se torna efectivamente mais pesado, muito mais pesado, porque uma coisa é andarmos ao engano sem o saber, outra é andarmos ao engano sabendo-o.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Alturas há, em que tudo o que queremos, é que o tempo passe. Não o tempo todo, só uma parte do tempo, aquele momento que nos aflige, quando não sabemos o que fazer, quando ainda não encontramos a solução, a resposta, a qual, sabemos, vamos vir um dia a encontrar ou pelo menos a esquecer, tal como o problema em si, o problema que nos deixa ansiosos e como tal, desejosos para que o tempo passe e chegue ao futuro, o mais rápido possível, para o momento em que o problema deixou de o ser, ou passou a ser apenas uma mera memória. Mas, por outro lado, pensamos, que quando queremos que o tempo passe, não o estamos a aproveitar, antes, estamos a desperdiça-lo, e pior, não porque queremos, mas porque foi assim que tudo se conjugou, para que nesse momento um problema surgisse, sendo que tudo acaba por girar à volta do mesmo, acabando o mesmo por, de um modo outro, comprometer o nosso aproveitamento do tempo, aumentando o desejo para que o mesmo passe rápido, como se quiséssemos fugir para o futuro, para um lugar onde julgamos saber que o mesmo já não existe. Talvez a vida assim seja, em que o tempo apenas é bom quando nada há que o perturbe, sobretudo, quando não está contaminado por algo que nos leva a querer ultrapassa-lo, ao invés de usufruir do mesmo.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Do silêncio #3

Quando não se tem nada para dizer, nada se diz e quando nada se diz fica-se com a ideia de que algo não está bem, que é preciso dizer algo, porque o silêncio incomoda, sendo tão ruidoso como o trovão em dias de tempestade. Mesmo em tempos de bonança sopra sempre uma leve brisa, silenciosa mas audível. E a tantos incomoda o silêncio, inclusive a nós próprios, o que nos leva a olhar para dentro à procura de algo que possa estar mal, removendo-se pedras, cavando-se buracos em busca de coisa nenhuma. Tal leva-nos a encontrar o que não se devia, a desenterrar o que estava enterrado, tudo porque é difícil compreender o silêncio e achamos mesmo ser impossível viver com o mesmo, quando o devíamos olhar como algo natural, algo que faz parte da vida, mas acima de tudo, devíamos aprender a aprecia-lo, porque o mesmo é raro e precioso, mas não o sabemos apreciar. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Constatação #102

Há quem sofra por aquilo que foi um dia e não consegue voltar a ser.
Há quem sofra por aquilo que nunca foi e não sabe se algum dia vai ser.