sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Veneno Feminino

É certo e sabido que homens e mulheres são diferentes. Mas à parte das diferenças óbvias, há um ponto que por mais vezes que dê por ele, sempre me consegue surpreender.

Sabe-se que os homens entre eles falam de mulheres, nem sempre da forma mais correcta, mais idílica e graciosa, utilizando termos, conceitos e preconceitos, proferindo taras, manias e desejos que no seu conjunto podem muito bem chocar o chauvinista mais extremista. Mas isto, obviamente, somente entre eles, basta entrar uma mulher em cena, e se não houver muita confiança, cala-se de imediato e assobiam para o lado, tentando esconder o sorriso maldoso.


Agora quando as mulheres falam entre elas sobre outras mulheres, verdade seja dita, não são tão gráficas e expositivas como os homens. Não envolvem perversões sexuais na conversa, no entanto, o ódio que conspurcam, os defeitos que enumeram, as posturas que criticam e o veneno que exalam chegam a níveis tais, que se as mesmas mordessem a língua, certamente morriam de uma vez só. E o mais curioso é que se entra um homem em cena, elas continuam o ataque cerrado, não desarmam, pedindo ao macho presente a opinião, esperando um chorrilho retorcido do mesmo, o qual ele é incapaz de proferir (por falta da plateia adequada para o efeito), ao mesmo tempo que fica muitas vezes chocado pela violência das palavras ou mesmo, pela opinião estereotipada, que em muitos casos, parece mais própria dos homens do que das mulheres.


Por isso, acabo por concluir, que os homens por muitos impropérios que digam sobre as mulheres fazem-no porque as desejam (mesmo que de um modo puramente suíno), quiçá, até gostem delas. Já as mulheres por seu lado, fazem-no, certamente, por pura maldade, inveja e ciúme ou isso tudo junto! Creio que não há outra forma de explicar tal comportamento.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

É fácil dizer segue em frente, vai à luta, sai do canto, abstrai-te do escuro, voa. É fácil falar tanta coisa que supostamente tem como finalidade ajudar, tirar-nos do fundo, elevar-nos, incendiar a nossa alma. Mas se fácil é falar, difícil é concretizar. Podemos dize-lo a nós próprios, podemos ouvir os outros a dize-lo, repetidas vezes até ao limite da exaustão, mas de nada serve, a não ser, aumentar a ansiedade, a tornar tudo mais agudo, urgente, difícil. Porque se a sensação existe, parece evoluir e transformar-se em dor quando soletrada, sussurrada, gritada. E se a tentamos destruir, ultrapassa-la, o som parece criar-lhe massa, fazendo crescer espinhos, fazendo-nos fugir, esconder, para onde não queremos ir, mais fundo, mais baixo, longe de onde se pode apanhar boleia para superar. O silêncio não ajuda, mas do silêncio pode surgir som e por vezes é preferível tentar encontrar luz no escuro do que escurecer tudo e apagar toda a claridade. Por isso antes de se dizer o que quer que seja, é preciso sabe-lo como se vai concretizar a seguir, de outra forma somente se criará ruído, o qual, ao invés de ser uma ajuda, acaba por criar ainda mais dificuldades.