terça-feira, 21 de junho de 2016

Peso

E o peso esmaga-me a alma, e a alma esmaga-me o peso e no fim de contas ambos se esmagam eternamente, sobrando o sonho, etéreo e fugaz, para fazer o peso somado esquecer. Do peso vem a responsabilidade, da alma vem a liberdade, juntos misturam-se num labirinto, onde ambos convergem, ambos convivem, sendo que nem uma coisa nem outra se acabe por manifestar por completo, criando algo ainda mais denso, que é e não é ao mesmo tempo, sendo tudo e nada de igual forma para nada ser, a não ser lastro que ainda mais pesa. E conjugados ambos me esmagam, sobrando o céu para sonhar, o qual roda ao meu redor, parecendo tão próximo e tão distante e na pequena claridade que fornece a luz, escapa-se algo que promete o que não pode prometer, que conduz para a leveza que não se tem, substitui o labirinto por uma planície, que faz fechar os olhos e dormir, dormir tão só até voltar a acordar, onde tudo, de novo, se volta a sentir.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ir para onde?

Ir para onde não se sabe, na esperança de encontrar o que se desconhece, sem esperança no entanto, de encontrar o que quer seja. Nada de diferente, porque o alternativo não se procura, encontra-se, encontra-se onde não se sabe, quando não se percebe, nem se espera. E quando se espera, quando se quer nada se encontra, mas sem ir como encontrar? O que fazer então? Ficar sentado à espera sem nada esperar? Ou esperar encontrar porque se procura, para nada se encontrar, porque nada se encontra quando se procura…