terça-feira, 2 de agosto de 2016

Coragem

Coragem não é fazer aquilo que estamos habituados a fazer. Coragem é fazer algo que nunca faríamos de todo, sem grandes contemplações. Há quem lhe chame igualmente loucura, poderá ser, mas independentemente da semântica, a razão maior pela qual não temos “actos” de coragem deve-se ao facto de pensarmos nas consequências ou então por não avaliarmos correctamente as mesmas. Porque quando não pensamos conseguimos fazer qualquer coisa, corra ela bem ou mal, seja positiva ou negativa, acabando por se tornar benéfica ou nefasta. Muita gente aprecia a coragem, receia no entanto imita-la, talvez porque a verdadeira seja inusitada, não programada, sendo que nem sempre reagimos da mesma forma perante situações limite. Mas a coragem também é determinada pelo momento e esse faz toda a diferença, em particular a nível de reconhecimento, porque basta um único acontecimento na nossa vida para ficarmos conhecidos por tal, ao passo que podemos ser as criaturas mais corajosas do mundo, sem que ninguém o reconheça como tal, porque isso apenas é o habitual.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Adaptação

É verdade que queríamos ser melhores, mais ágeis, mais assertivos, mais inteligentes, com melhor percepção, mais tudo aquilo que não somos, que não conseguimos ser, faltando para tal a coordenação mental, física e emocional ou simplesmente um rasgo de qualquer coisa que não sabemos ao certo o que é. Como seria bom ultrapassar as nossas barreiras, aquelas que nascem connosco ou aquelas que criámos. Como seria bom adaptarmo-nos às circunstâncias, superar todas as adversidades, receios, falhas, podermos brilhar num espaço que não é nosso, em qualquer espaço, mostrando ao mundo tudo aquilo que somos, a nossa plenitude, usando para tal as ferramentas do momento, ao invés de ficarmos à espera que o ambiente se adapte a nós. E adaptação é talvez o busílis da questão. Capacidade rara, difícil, de apresentar o nosso melhor lado independentemente de tudo, ao invés de ficarmos num canto a pensar o que fazer. Há quem o consiga, há quem não o consiga de todo, por falta de tempo, de estratégia, ou simplesmente de capacidade, e com isso muito se perde, sendo que a única coisa que se ganha é um rol de questões, que nos obrigam a questionar o que somos, quais os nossos limites e se algumas vez os vamos conseguir ultrapassar, além de que fica a mágoa, sempre a mágoa, de tudo o que se perdeu pela nossa incapacidade e jamais se voltará a recuperar.